BBB19: Ex relembra agressão de Vanderson: 'Não conseguia pentear o cabelo'

Reprodução/Facebook/Instagram

Maíra Azevedo, 27, tinha entre 17, 18 anos quando conheceu o biólogo e coordenador educacional indígena, 35, um dos novos participantes do Big Brother Brasil 19“. O relacionamento durou cerca de um ano e acabou após o professor agredi-la fisicamente.

Receba no seu Whatsapp as novidades sobre o mundo dos famosos (e muito mais)

“Tínhamos voltado de uma festa e começamos uma discussão boba dessas de relacionamento, quando ele segurou meu cabelo ao mesmo tempo que apontava o dedo na minha cara e gritava. Não conseguia me soltar. E não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo”, afirma a acreana em entrevista ao Yahoo.

Maíra conseguiu escapar das agressões após a intervenção da empregada doméstica, que ouviu os gritos e foi ver o que estava acontecendo. “Consegui me soltar, levantar e abrir a porta do quarto, enquanto ele dizia: ‘a Maíra é louca…’. Joguei as coisas dele na rua e expulsei ele da minha casa na mesma hora”, relembra. O casal não morava junto, mas Vanderson costumava passar boa parte do tempo na casa da jovem, que morava com os pais em Rio Branco, no Acre.

Leia também: Atriz agredida por ex-diplomata diz que ele ‘abriu a cabeça’ de sua cachorra

Ela conta que o relacionamento foi marcado pela violência psicológica. “Após seis meses de namoro, ele começou a dizer que eu não era atraente, fazia pressão psicológica em relação ao meu corpo, comentava sobre o sexo… Morria de medo dele terminar comigo e nunca mais ninguém me querer. Ele saía para dar aulas e eu ficava chorando”, diz.

“Durante muito tempo achei que puxão de cabelo e empurrão não eram uma agressões, achava que era ‘apenas uma exaltação’. Mas não existe exceção. Fiquei uma semana sem pentear o cabelo porque minha cabeça doía”, relembra.

Logo após a Globo anunciar a lista dos participantes do reality show na última quarta-feira (9), Maíra fez um post no Facebook falando sobre as agressões do ex e foi acusada por alguns internautas de ser “oportunista” por expor o caso após 10 anos. Ela se defende: “Não quis falar dele, mas como estava me sentindo vendo toda comoção em torno dele – ‘O Vandinho não sei o que…’. Falo sobre isso desde 2015 nas minhas redes sociais”, diz ela, que, inclusive, resgatou um post da época para comprovar. No texto, ela se refere a Vanderson somente pelas iniciais.

Confira abaixo o relato da jovem sobre o episódio de violência publicado em 2015:

Outros casos

“Não falei só por mim, mas por todas as mulheres que sofrem violência doméstica. Eu não fui a única que sofreu agressão dele, outras ex-namoradas também foram agredidas. A maioria são ex-alunas e uma delas têm fotos para comprovar. Mas todas estão com medo, vergonha de falarem, se exporem. Eu também tive muita vergonha, medo. Até quarta estava com muito medo de ser processada, mas agora não. É preciso falar”, afirma a estudante de vestibular (ela quer cursar medicina), que acionou um advogado.

Em 2012, Maíra se envolveu com o movimento feminista e começou a entender o conceito de relacionamento abusivo, o seu ciclo de violência, e desde então tem militado em causas pelos direitos da mulher.

Ele [Vanderson] é uma pessoa extremamente carismática. Se você sentar para conversar, vai rir muito. Ele é o típico passivo agressivo, do tipo que acaba com você sem alterar o tom de voz. Uma pessoa dessa não pode ser professor de ensino médio. Ele só namora meninas novas, a maioria alunas dele. Afinal, mais nova dá para manipular, né?, questiona.

Invalidação do discurso da vítima

Após a agressão, Maíra chegou a ter dois encontros com o biólogo, mas o romance não teve continuidade. “Era muito apaixonada por ele e precisei trabalhar muito com a minha analista o poder que ele exercia em mim, mesmo após o término”, diz ela, que procurou auxílio psicológico cerca de um mês depois. “Sabia que tinha algo errado, estava confusa e sentia que precisava de ajuda.”

Por conta da falta de apoio dos amigos — todos do mesmo círculo de amizade do ex-casal — e instrução, a jovem não fez Boletim de Ocorrência na época. Mas chegou a ligar para Vanda Brito, uma das irmãs de Vanderson, para relatar um outro episódio de violência do namorado. “Uma vez estávamos voltando de uma baladinha, ele já tinha bebido bastante e começou a brigar com um médico na rua. Liguei chorando para ela pedindo ajuda”, diz ela, que não conheceu pessoalmente a família do brother.

Os pais de Maíra souberam da agressão após o término e também tiveram dificuldade de acreditarem que “aquela pessoa tão carismática” pudesse ter agredido a filha deles. Eles, no entanto, acolheram a estudante e a aconselharam se afastar.

“Meus amigos eram todos amigos deles e ninguém acreditou em mim. Afinal, não tem provas, como vão saber se é verdade, né? Diziam que era louca, ficaram todos do lado dele. E é tanta gente falando que você é louca, que você passa a duvidar de você mesma, repassar as cenas na cabeça. Passei por tudo sozinha”, desabafa sobre o descrédito pelo qual mulheres violentadas costumam passar.

O outro lado

Vanda Brito, irmã de Vanderson, confirmou que Maíra e o biólogo tiveram um relacionamento, mas negou as acusações e disse que a família entrará com um processo por calúnia e difamação em entrevista ao portal “UOL”.

“Pela idoneidade dele e criação que tivemos da nossa mãe tenho certeza que ele não fez isso. Essas acusações são falsas. Essa moça tinha muitos problemas psicológicos, tanto é que o caso deles não deu certo. Era uma menina muito agressiva, ciumenta. Vamos tomar as providências e colher as provas”, disse ela.

Em comunicado via e-mail, a assessoria de comunicação da Globo disse que aguarda a apuração do caso. “A Globo é veementemente contra qualquer tipo de violência, mas cabe às autoridades competentes a apuração de denúncias como a que está sendo feita. Se assim for, a Globo tomará medidas, como já fez em outras edições do programa”.