BBB19: Com preconceito e estratégia, Paula apostou no 'ame ou odeie' para chegar à final

Foto: reprodução/TV Globo

Diferentemente de Alan, que conquistou sua vaga na final do Big Brother Brasil 19 comendo pelas beiradas, Paula desenvolveu uma estratégia de jogo desde o início do programa para levar para Lagoa Santa (MG) o prêmio de R$ 1,5 milhão. Desde os primeiros dias de confinamento, a loura foi construindo um personagem que já deu certo em edições anteriores do reality show: a dona da porca Pippa apostou na imagem da participante “da roça” e inocente, que quase não sai e não tem amigos. E apostou no velho clichê de que preconceito pode ser disfarçado como opinião, pensamento mais em voga do que nunca no país.

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Aliada de Hariany desde o princípio, a bacharel em Direito não se identificou com os integrantes da Gaiola, “que só falam de filmes” e que tinham um discurso mais político. Várias vezes ela declarou que tinha medo de falar alguma coisa perto de Gabriela ou Rodrigo e ser repreendida. Teve a chance de aderir ao Villa Mix, mas preferiu colar na amiguinha e fazer uma trajetória independente. Fazia bem para o discurso que ela repetiu ao longo do programa de que as duas foram perseguidas e que ninguém as queria na casa, depois que elas foram ao paredão nas primeiras semanas. Assim, combinar votos, atitude que costuma ser reprovada pelo público do programa, soava como proteção.

Deu certo: o casal da edição, na verdade, era uma dupla, que formou uma torcida forte aqui fora, os chamados Paurianys. O fã-clube apaixonado levou as duas longe, e Hariany só não está na final com a mineira porque foi expulsa um dia antes. A própria Paula admitia que seu jeito sarcástico e debochado contribuía para as constantes brigas entre elas, especialmente nessas últimas semanas, quando os sinais de desgaste da relação começaram a ficar mais evidentes.

Desse lugar privilegiado, a sister se mostrou bem atenta à movimentação e se aproximava dos adversários nos momentos certos. Não deu certo com Hana, mas funcionou com Carol, especialmente quando a Gaiola estava em maior número. A loura, que se gabava de ter visão de jogo, só não previu que ter ignorado Alan por tanto tempo poderia levá-la para a berlinda por duas vezes seguidas na fase mais decisiva da competição. Disse que errou em considerá-lo um apêndice e não aceitou ser indicada por ele, mesmo quando tomava decisões frias em suas lideranças. Deixou transparecer ali que estava disposta a “sacrificar” a amiguinha para ser finalista do BBB19.

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Foto: reprodução/TV Globo

A edição do programa ajudou a elevar Paula ao status de protagonista. Nos programas do horário nobre, era difícil não gostar da pessoa que se divertia nas festas, que era forte nas provas de resistência, que tinha um jeito espontâneo e que se posicionava no reality. Destacou-se nos jogos da discórdia, criticando abertamente seus oponentes, enquanto a grande maioria tinha dificuldade de se justificar em suas escolhas e de admitir que todos ali estavam competindo. E tanto silêncio de seus colegas de confinamento deu espaço para que a bacharel em Direito, confiante, destilasse preconceito em suas declarações dia sim, dia não, tanto que é investigada por racismo e intolerância religiosa e será intimada a depor assim que deixar o programa.

Ela já declarou ter medo do Rodrigo por ele ter contato com “esse negócio de Oxum”. No dia da eliminação de Maycon, insinuou ainda que o carioca, também emparedado, havia feito algum trabalho espiritual para continuar no reality show. Chamou negros de carvão, usou mais de uma vez a expressão “cabelo ruim”, julgou que um criminoso não poderia ser um “branquinho” e sim um “faveladão” e afirmou que a atitude de certos gays justifica agressão.

Nas redes sociais, onde circulam muitos outros momentos como esses, as críticas às atitudes e falas da sister são numerosas. Ainda assim, há quem a defenda, argumentando que Paula é autêntica e fala o que pensa. Susana Vieira, inclusive. Para a participante, a estratégia do ‘Ame ou odeie’ é positiva: incentiva o argumento da perseguição, infla mais os ânimos e dissipa qualquer discussão racional. Mas o Big Brother Brasil 19 simplesmente não achou relevante mostrar a participante por completo, para que o telespectador pudesse avaliá-la corretamente antes de decidir se ela merece ser a mais nova milionária do pedaço. Tiago Leifert, inclusive, decretou que não há vilões nesta edição, sem nem combinar com o público. Nesse caso, mocinha inocente não há.