O "BBB22" seria melhor sem o pão e sua padaria?

Finalistas assistem à final do BBB22 (Imagem: Reprodução/ TV Globo)
Finalistas assistem à final do BBB22 (Imagem: Reprodução/ TV Globo)

Recorde de patrocinadores, boa audiência, grande repercussão. Mesmo com todos esses feitos, o Big Brother Brasil 22 não se safou da classificação como "flop". Mais do que isso, os editores decidiram vestir a carapuça no final da temporada, transmitida na noite desta terça-feira (27).

O 100° episódio, que coroou Arthur Aguiar como vencedor com 68% dos votos, contou com um VT que brincava sobre o "DesFlop". Com referências a filmes de super-heróis, os editores criaram um "Multiverso Desflopado" em que Rodrigo Mussi não teria sido eliminado na segunda semana e Jade Picon seria vitoriosa no duelo contra o marido de Maíra Cardi.

Fica a pergunta: o BBB22 seria melhor sem o pão e sua padaria? Super preparado para o confinamento, o ator conquistou a torcida mais engajada do ano ao mesmo tempo em que irritou os críticos de seu discurso vitimista. Arthur insistiu que jogou sozinho mesmo tendo fortes aliados dentro do reality e assim se firmou como o jogador mais eficiente entre camarotes e pipocas.

Já os "pontinhos de luz", como o brother costumava chamar os fãs antes de conhecer o apelido dado a eles aqui fora, se dedicaram a mostrar desde cedo que não havia concorrência. Eles garantiram a antipatia de quem torceu por uma reviravolta nas previsões que há muito já estimavam Arthur campeão. Então, agora que a temporada finalmente acabou, de nada adianta imaginar como teria sido se a história seguisse um curso diferente.

Voltando ao episódio final, também pouco empolgou a participação dos humoristas Paulo Vieira e Dani Calabresa. Embora elogiados por suas performances ao longo da temporada — ela com a difícil tarefa de substituir Rafael Portugal e ele com o estreante "Big Terapia —, os dois não conseguiram fazer rir, vide as expressões dos finalistas Arthur, Paulo André e Douglas Silva.

O fato é que o último programa refletiu o clima que permeou toda a temporada. Depois da histórica edição 20 e da turbulenta edição 21, o público esperava babado, confusão e gritaria. Recebeu falta de comprometimento dos participantes e dinâmicas preguiçosas — nem mesmo o design das camisetas dadas aos finalistas parece ter recebido algum esforço de criatividade.

Finalistas ganharam camisetas com suas frases marcantes (Imagem: Reprodução/ TV Globo)
Finalistas ganharam camisetas com suas frases marcantes (Imagem: Reprodução/ TV Globo)

Não foi por falta de acontecimento. Ao longo dos 100 dias, teve romance, com até quatro casais trocando beijos pela casa; teve rivalidade, com Jade e Arthur ou Lollipop versus meninos do Grunge; teve intriga, casa de vidro, expulsão, desistência, paredão falso... Mas nada empolgou. Até quando a produção se esforçou para pregar uma pegadinha nos confinados, com o falso retorno de um participante, não deu certo.

A ideia na ocasião era zoar os remanescentes do quarto Lollipop, que sonhavam com o retorno de Jade após o paredão contra Arthur. Só esqueceram de arrumar um dummy do tamanho dela para enganar os confinados. Resultado: flop.

E esse é só um exemplo das trapalhadas nos bastidores. No que se refere à produção, o problema começou na escalação do elenco, composto por nomes como Tiago Abravanel, que acreditava estar num programa sobre irmandade, e o tranquilão Pedro Scooby.

Com isso, as narrativas que dominaram o programa foram construídas logo no início do jogo e o público votante escolheu, semana após semana, as trajetórias que mais lhe agradaram. Prevaleceu um grupo inteiramente masculino, quase sem conflitos, alguns até com laços bonitos de amizade. No fim das contas, a reta final fez jus à edição.