BBB 21': como Karol Conká e Projota podem melhorar a imagem após reality

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Especialista comenta crise na imagem de Karol Conká e Projota (Globo)
Especialista comenta crise na imagem de Karol Conká e Projota (Globo)

Não é mistério para ninguém que a imagem pública de Karol Conká e Projota estão manchadas após as polêmicas que se envolveram no ‘Big Brother Brasil 21’. De xenofobia a esconder uma faca, a experiência deles no programa não será esquecida tão cedo.

Tentando entender os erros até aqui e pensar no futuro, conversamos com Elis Monteiro, que é especialista em gestão de crises digitais e professora de marketing digital da FGV e EPSM.

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A profissional explicou que os danos não são irreversíveis, mas precisarão de tempo e um trabalho árduo das equipes que os cercam e dos artistas envolvidos. “A Karol está com mais problemas em relação à imagem que o Projota, até porque o mundo está muito mais machista. As mulheres vão sempre levar mais porrada e demorar mais para serem perdoadas”, ressalta.

Conká

Elis ressalta que antes de entrar no programa a equipe e a artista mapearam, ou deveriam ter, todos os possíveis cenários baseados no que conhecem da personalidade dela. Do mínimo ao extremo do extremo. “Não acredito que eles estejam sendo pegos de surpresa”, avisa.

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“Lidamos com a probabilidade de um fato acontecer e a consequência que aquilo gera. De uma briga boba a ser cancelada, que é um risco intolerável, por exemplo. Isso é tudo que não poderia acontecer”, ressalta.

A especialista ainda lista os fatos que vão contra a rapper. “Chamam ela de não defensora de feminismo, xenofóbica e de racista. Ela construiu a carreira apoiada nesses movimentos, nessas lutas. E em duas semanas ela mostrou que está em conflito com todas elas”, aponta.

Monteiro ressalta onde a surpresa e a empolgação com a participação dela se tornaram recusa: “Quando ela zombou do sotaque da Juliette, alegando sobre o jeito de falar, acendeu um alerta em todo mundo. A xenofobia foi o start. Depois os deboches, os atritos com o Lucas e a expulsão dele na mesa. Nesse momento o cancelamento aconteceu”

Projota

Para Elis, o rapper começou a descer a ladeira um pouco depois, após a formação do primeiro paredão. “Ele entendeu errado o recado do Tiago e ali começou a ser visto como ‘vilão’. Mas a atitude mais condenável foi quando escondeu uma faca para se proteger e aos seus durante uma crise do Lucas”, aponta.

Ela ainda ressalta um ponto importante desse momento. “Isso é racismo estrutural e o que vimos é mais uma demonstração de como o negro é visto como negro raivoso. Ele usaria a faca contra alguém em um programa de TV?, questiona.

A equipe que gerencia a carreira do cantor chegou a apontar para o público a interferência da direção do programa no jogo do brother, que foi uma atitude acertada segundo Elis. “Colocar ele como jogador é uma forma de disfarçar isso, criar cortinas de fumaça para mudar a narrativa dele no jogo é um movimento”, fala.

Um outro fato que pesou no cancelamento da dupla foi a rejeição por seus pares. “Eles têm uma força de catapulta muito grande. Todos os que se posicionaram contra eles foram como tiros de prata no coração.”, ressalta.

Contragolpes

Com eles ainda confinados, as equipes de assessoria, marketing e empresariamento, além da equipe de crise, têm pouco o que fazer: “Não acredito que as assessorias estão fazendo um trabalho errado, eles têm um problema que é: o artista não está aqui. Ele não pode se defender. Às vezes até quando o cliente está certo, é preciso que abaixe a cabeça”, lembra.

Como os times não tem controle das próximas ações dos participantes, o que resta é avaliar os riscos de se posicionar. “É assumir que vão levar porrada. E é importante estar preparado para a porrada. A galera do Projota está tentando fazer o público entender que ele está jogando e mudar a imagem dele. Em outras edições tiveram jogadores que eram considerados aceitos. A da Karol tem um grande problema que é: ela não muda a narrativa. As narrativas dela se atropelam”, aponta.

Outro fato muito usado pelos times é o clássico silêncio. “Foi uma atitude certa eles não se posicionarem no calor do momento. Nem sempre vale a pena. Tem cliente que quando existe a possibilidade de se defender, ele se defende. Se fossem eles falando aqui eu aconselharia a: admitir o erro, pedir desculpas e dizer que vai estudar para se tornar melhor. Mas como eles não estão, o time não pode tomar essa atitude porque é admitir que eles não são bons seres humanos”, receita.

E ainda completa: “Nesse momento é necessário ser o menos atacado possível. Não responder é uma estratégia de defesa. Se uma pessoa está tendo uma reputação destruída, precisamos dela para resolver. Nenhum dos dois estão disponíveis para isso agora.”

Depois do programa

Aqui fora, no mundo real, sem câmeras 24 horas por dia, o posicionamento tem que ser radical: “Eles terão que se humilhar. Nos Estados Unidos estão falando muito dessa expressão que é a abaixar a cabeça e falar que está errado”, adianta.

Após as respectivas eliminações os participantes não devem poder, por contrato, se isolarem de imediato. Eles poderão ser confrontados nas entrevistas no Gshow, no ‘Mais Você’ e no Multishow. Mas no caso da Conká o buraco é mais embaixo.

“A primeira pessoa que estiver com ela tem que avisá-la que ela precisa ser humilde e nada reativa. Frases como: ‘Não sou assim’ e ‘Vocês não me entenderam’ não podem existir. Se todo mundo tá dizendo que você está errado é porque você não soube se comunicar”, afirma.

Elis dá dicas, ou um aviso, de como ela se comportará aqui fora. “Ela precisa dizer: ‘Vi os vídeos e me comportei como uma pessoa que não queria ser, mas que foi, vou melhorar’. A narrativa é a do ‘fui quem não queria ser’”, relata.

Em seguida o caminho é a reclusão. “Mostrar para as pessoas que está se esforçando para aprender com os erros. Pode ser até uma forma de ela sair de cena, dizendo que vai estudar o que tem problema. Mostrar que estar em busca de novos conhecimentos talvez ajude um bocado”, adianta. Após isso um trabalho de reconstrução de imagem que pode durar até dois anos.

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