'BBB20': Qual o recado da vitória de Thelma para a sociedade?

Thelma Assis é a campeã do 'BBB20' (Foto: Reprodução/Instagram@thelminha_assis)

A imagem da cantora Iza ajoelhada em frente à TV, diante da ganhadora do ‘BBB20’, a médica Thelma Assis, 35 anos, resume a grande festa na qual as redes sociais se transformaram na madrugada desta terça-feira (28). Na minha bolha preta, a foto de Thelma apareceu em nove a cada dez fotos do feed. E na sua bolha? É importante refletir sobre a grande mobilização, sobretudo do povo preto, acerca do pódio desta edição do programa. Qual o recado da vitória de Thelma?

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“Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”. A frase da filósofa e ativista norte-americana Angela Davis explica o impacto do feito de Thelma, que transcende o êxito em um programa de televisão. A vitória de uma mulher preta, em um reality show em que o racismo foi o principal adversário, é emblemática para a sociedade, porque revela a capacidade de resistência à sistemas de opressões interseccionais que a ela tudo negam.

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E, antes que venha o coro dos que acreditam em fadas, Papai Noel e racismo reverso, Thelma não venceu por ser “negra coitada”, como afirmou o guia das celebridades Rodrigo Branco. Não houve ‘coitadismo’. Pelo contrário, houve empoderamento negro e mérito. "Nasci para vencer na vida, não me contento com pouco", declarou à produção do BBB a única mulher preta da edição pouco antes de entrar na casa. É isso o que fazemos aqui fora, pegamos as poucas oportunidades que nos são dadas e batalhamos para vencer.


Inteligência, franqueza, beleza e lealdade às amizades que conquistou na casa são algumas qualidades que fizeram Thelma conquistar o Brasil e sair do reality com R$ 1,5 milhão. Ainda assim, há quem tente deslegitimar a vitória estragar a festa do povo preto e dos fãs da médica. Os mesmo que a chamaram de soberba, nas poucas vezes em que ela precisou subir o tom da voz para se impor, agora a chamam de planta, por conta da serenidade que marcou a passagem da médica pela casa.

Nada novo sob o sol. O racismo adora rotular mulheres pretas: se a erguemos a voz, nós chamam de barraqueiras; se mostramos inteligência e competência, nos chamam de arrogantes; se mantemos a calma e evitamos confronto, somos a planta e, se reclamamos do racismo, somos chamadas de coitadas. Parece que não temos saída. Sempre haverá um estereótipo para nos limitar e silenciar.

Querem chamar a Thelma de planta? Pensem grande! Pensem em um árvore frondosa, que não se curva ao vento, que tem raízes profundas, frutos robustos e flores perfumadas. E saibam que ela não está só; somos uma floresta resistente e estamos em festa. O recado da vitória de Thelma é que, como maioria da população brasileira (mas minoria nos espaços de poder), estamos nos organizando e nos unindo para chegar ao topo, não apenas de um reality, mas do mundo.