‘BBB 20’ e a dificuldade em escutarmos dores que não são nossas

Babu Santana é uma das vozes mais importantes do 'BBB20' (Foto: Reprodução/Instagram@babusantana)

Em um ‘BBB’ que não teve nenhuma mulher eliminada no primeiro mês de jogo e em que o feminismo está em evidência (que a Deusa abençoe), estejamos atentos a outras bandeiras que também falam sobre o combate à exclusão e a dor provocada por ela.  

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A criança obesa que não é escolhida para nenhum time na aula de educação física; a adolescente negra que só dança com a vassoura nas festinhas; o jovem da periferia que, mesmo capacitado, não consegue emprego do outro lado da ponte e a mulher pós-graduada que nunca é promovida pelo chefe. 

Você já esteve em alguma dessas situações? No papel de quem é rejeitado e ‘sobra’? Ou no papel de quem tem preconceitos e rejeita? 

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Todos os exemplos acima se relacionam com um episódio emblemático do ‘BBB 20’, que teve desdobramentos que merecem nossa análise: os brothers Babu e Victor Hugo ‘sobraram’ na escolha de equipes para a disputa da prova do líder. 

Em conversa futura com os colegas, Babu alega gordofobia. Imediatamente, a participante Mari Gonzales se coloca na defensiva e contraria a afirmação dele: “Babu, acho que isso é um pensamento seu. É muito geral”, dispara a participante na tentativa de deslegitimar a fala de Babu. 

Um retrato da sociedade que, há algum tempo, resolveu denominar a dor do outro como ‘mimimi’, da sociedade que oprime, mas se coloca em papel de vítima quando se percebe no lugar de algoz: “Gordofóbico, eu? Machista, eu? Racista, eu? Não, não. Isso é ‘pensamento seu’”.

Ah, cara mulher branca, você poderia substituir sua atitude de minimizar a dor do Babu por empatia. Ou você poderia apenas calar-se e escutar o desabafo de sofrimento de um homem gordo e preto que bem conhece o sistema de opressão e justificativas de defesa como a sua.

Babu dá aula sobre lugar de escuta: "Se você acha que não se enquadra na gordofobia, não precisa se justificar, senão fica feio, igual aquelas pessoas que você fala: 'Pô, cara você está tendo uma atitude racista' e o cara: 'que é isso? Eu não sou racista, eu tenho amigo preto'”, diz o ator.

Então a regra é simples: se alguém sente dor, o seu lugar é de escuta. Mas não é apenas sobre escutar, é também sobre se colocar no lugar do outro. Isso só será possível quando entendermos a interseccionalidade - a compreensão de que são muitos os sistemas de opressão e que, em alguns, seremos oprimidos, em outros seremos opressores.

Com essa consciência, evitaremos a vergonha e o constrangimento de chamar o sofrimento alheio de “mimimi”.