Bate e volta esportivo em alta: fuja de São Paulo por algumas hora e renove as energias

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Ficar umas horas fora de São Paulo é renovador (Foto: Getty Images)
Ficar umas horas fora de São Paulo é renovador (Foto: Getty Images)

Quem não está louco por um pouco de ar livre após quase um ano de pandemia de coronavírus? Há quatro modalidades esportivas que permitem um dia de aventura outdoor, de forma segura e sem aglomeração, a cerca de uma hora da cidade ou até mesmo dentro dela, escondida entre os imensos condomínios do bairro do Morumbi. Confira as dicas de quatro praticantes de trekking, escalada, surfe e ciclismo na estrada para arejar as ideias, aliviar o estresse e se divertir praticando ou descobrindo um novo esporte.

Trekking

Pico do Urubu - Mogi das Cruzes (Foto: Reprodução/Tripadvisor)
Pico do Urubu - Mogi das Cruzes (Foto: Reprodução/Tripadvisor)

Visite o Pico do Urubu em Mogi das Cruzes, cerca de 1 hora de São Paulo. “Da estação de trem é possível chegar andando em minutos até a entrada do parque. A caminhada até o topo do pico demora, em média, duas horas. É uma subida considerável, mas mesmo sem experiência, é uma caminhada tranquila até o topo do mirante, que tem uma vista 360 ° da região”, Joana Rocha, fisioterapeuta. O ideal é se preparar um dia antes para não esquecer de colocar nada na mochila, e sair logo pela manhã. Checar a previsão do tempo, obviamente, é importante e ficar de olho na umidade do ar. Não vai ser nada legal terminar a subida ou descer debaixo de chuva - mas se acontecer, também faz parte do mundo outdoor. Próximo a entrada do parque, há estacionamentos pagos.

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Precisa de algum equipamento? Apenas uma jaqueta Anorak (corta-chuva, que é impermeável) e uma mochila pequena de ataque, típica do esporte, são suficientes. E use um tênis confortável.

O que levar? Dois litros de água, barrinhas de cereal, frutas para um lanchinho. Se estiver afim de um piquenique, é permitido, mas lembre-se que a subida é íngreme e quanto mais peso, mas cansativo será. Repelente e protetor solar.

Escalada

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“Recentemente visitei a Pedra do Francês, que fica no bairro do Morumbi, a uma saída da marginal pinheiros em direção ao parque Burle Marx. É uma pedreira, em uma praça, da qual o Alexandre ‘Francês’ e outros escaladores amigos tiveram a iniciativa de cuidar do espaço e ‘abrir’ vias de para praticar escalada em rocha dentro da cidade, já que apenas em outros municípios existem formações rochosas e a possibilidade de escalar vias mais longas e difíceis. 

O mais legal da Pedra do Francês é que todo domingo, na parte da manhã, escaladores voluntários, com bastante experiência no esporte, montam os equipamentos e as cordas no alto das vias para incentivar quem tem curiosidade de conhecer o esporte. É gratuito e não precisa levar nenhum equipamento. O pessoal oferece capacete, bouldrier (ou cadeirinha) e você só precisa estar usando tênis”, diz Juliana Vaz, jornalista e escaladora.

“Se quiser fazer essa aventura em um dia da semana, é possível também. Mas aí é preciso combinar com o pessoal diretamente. O contato pode ser feito pela conta de Instagram do grupo.

Precisa ter equipamento específico? Não é necessário. O projeto do Francês é gratuito e oferece todo equipamento necessário.

O que levar? Repelente, protetor solar, álcool em gel para uso próprio, e bastante água nos dias de calor.

Escalada no interior

Agora, se você quiser sair completamente da cidade, há opções como a Pedreira de São Roque ou a Floresta Nacional de Ipanema, próximo a Sorocaba e administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, como visitação aberta de terça a domingo das 8 às 16h. Mas para ambos destinos é preciso ter conhecimento prévio de escalada e acompanhamento de um instrutor. 

“O ginásio indoor 90 Graus – o primeiro construído no Brasil –, do mestre Paulo Gil, oferece aulas na rocha também, mas para isso indico visitar o ginásio antes e conversar pessoalmente com os professores. Há outros ginásios, que fazem essa ponte com alguns profissionais que organizam saídas independentes para esses e outros destinos, incluindo equipamentos e introdução básica. Já tive aulas no ginásio indoor com o David Henrique, formado em educação física e que tem anos de experiência, e recomendo fortemente a Luciana ‘Dona Flor’, também professora de educação física e especialista em Esportes de Aventura, que dá aula para crianças e adultos, e uma, infelizmente, uma das poucas mulheres instrutoras do esporte no país”, diz Juliana.

Surfe

Surfar é o esporte do momento (Foto: Getty Images)
Surfar é o esporte do momento (Foto: Getty Images)

O surfe é ideal para quem não faz cara feia para pular ao amanhecer da cama, afinal quanto mais tarde o surfista chega no mar, mais gente disputando onda e espaço ele vai ter que encarar. O melhor é conseguir fugir durante a semana para esse bate e volta e evitar o tumulto no mar e no trânsito da serra. “Quando comecei a surfar, há quatro anos, eu trabalhava em horário comercial, então o esporte ficava para o final de semana. Para evitar trânsito, muitos surfistas e banhistas na água, saía de casa bem cedo, por volta de 6 da manhã, e passava o dia na praia depois de sair do mar”, diz Bruna Martin, empresária.

Para não se atrasar e começar a viagem bem mais tarde que o planejado, separe uma mochila só para o esporte e coloque tudo o que precisar nela e coloque a prancha no carro, caso você tenha uma - é comum que professores de surfe emprestem o equipamento para alunos principiantes - no dia anterior, para evitar mínimos atrasos! 

“Acabo perdendo uns 10 minutos para ajeitar ela no carro e esses minutinhos de manhã são sagrados para pegar menos trânsito no caminho. Adianto tudo do trabalho que seja mais urgente no dia anterior, se tiver algum imprevisto como engarrafamento ou um problema com o carro sei que tudo vai estar sob controle. A intenção ao ir surfar é que seja um momento relaxante, então tento sempre minimizar esses imprevistos para que o meu momento de prazer não acabe se tornando mais um motivo de estresse”, aconselha a surfista e empresária.

A praia escolhida, mais próxima da capital, é o Guarujá. Em uma hora e meia, em média, é possível chegar nas praias do centro. “Surfo por 2 horas e às 13 horas (no máximo) estou em casa pronta para voltar ao trabalho com as energias renovadas. Sim, quando o dia acaba estou super cansada. Mas posso garantir que é o dia mais esperado da semana e não troco por nada no mundo.”

O que levar? Uma mochila com uma troca de roupas, protetor solar, toalha, água e um lanche prático. “A minha já tem quase tudo que eu preciso levar: tem sempre protetor solar, parafina, creme para o cabelo, pente, chinelo e essas coisinhas básicas que eu perdia um tempão juntando para levar toda vez (ainda esquecia sempre de levar algo e as amigas tinham que me salvar). Coloco só o maio e a toalha e estou pronta para a estrada.”

Precisa ter equipamento específico? “Não necessariamente. Eu comecei usando a prancha que meu professor Leonardo Fróes me emprestava. Isso foi até bom para que, quando eu comprasse uma, fizesse uma escolha mais acertada”, explica.

Pedal de estrada

Bike também é uma tendência (Foto: Getty Images)
Bike também é uma tendência (Foto: Getty Images)

A indicação da ciclista e editora da revista de aventura Go Outside Verônica Mambrini é a Estrada dos Romeiros. Esse pedal começa no Km 48 da Rodovia Castelo Branco. Ela atravessa os municípios de Santana de Parnaíba, Pirapora, Cabreúva e termina em Itu. “É um pedal muito legal de fazer em um dia. Para quem está começando, a sugestão é voltar de ônibus com a bike no bagageiro. O trecho até Santana de Parnaíba exige bastante atenção pelo tráfego urbano, depois fica bem mais tranquilo.

O pedal acompanha o rio Tietê, com a surpresa de que em alguns pedaços ele é surpreendentemente limpo. É uma estrada cheia de natureza, com um pouquinho de subida (mais ou menos 1.200 de altimetria acumulada), mas nada insuperável.

Você vai encontrar muitos grupos treinando ciclismo de estrada (muitos mesmo!). Mas é possível fazer um rolê cicloturístico, com paradas para descansar, comer e visitar lugares legais. Entre eles, a Fazenda do Chocolate, e o Empório Uai, um lugar que acolhe os ciclistas e onde você e sua bike vão ser tratados na palma da mão”, conta Verônica.

O que levar? Apesar de ter bastante pontos de apoio pelo caminho, é legal sempre ir preparado. Para um pedal desses, pelo menos um pequeno lanche energético, um a dois litros de água, e kit de ferramentas básico, para trocar pneu.

Não existem agências ou guias (só os grupos organizados de pedal, mas é mais para quem já treina regularmente com bicicleta de estrada). Mas dá para se preparar bem sozinho: o roteiro é fácil de achar no Strava, Wikiloc, Bike Map e outros aplicativos, e está cheio de relatos na internet para pegar mais detalhes.

Eu particularmente gosto de fazer em ritmo de cicloviagem, chegando em Itu, almoçando por lá (com direito a tomar uma cerveja na maior tranquilidade) e voltando de ônibus.

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