Depois de 20 anos, barraco de 'Por Amor' se repete em 'Órfãos da Terra' e vai ao ar no mesmo dia

Fotos: Reprodução/Globo

Algumas histórias parecem se repetir com o tempo. Na tarde desta segunda-feira (13), por exemplo, dois relatos da ficção, separados por mais de duas décadas, serão exibidos na grade de programação da Globo.

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A primeira, trata-se de uma conversa entre Eduarda (Gabriela Duarte) e Orestes (Paulo José), em ‘Por Amor’, novela exibida pela primeira vez em 1997, e agora reprisada no ‘Vale a Pena Ver de Novo’.

A segunda é uma discussão entre Zuleika (Emanuelle Araújo) e Almeida (Danton Mello), em ‘Orfãos da Terra’, transmitida atualmente na faixa das seis.

Nas duas tramas e nas duas conversas, personagens que tiveram suas cerimônias de casamento interrompidas por bêbados resolvem acertar as contas.

Na reprise de ‘Por Amor’, Eduarda (Gabriela Duarte) aparecerá furiosa com o pai, que encheu a cara no dia de seu casamento com Marcelo (Fábio Assunção). Na ocasião, a mocinha passa muita vergonha na porta da igreja. A cena repercutiu nas redes sociais.

O pai de Eduarda (Gabriela Duarte) estragou o casamento dela (Foto: Reprodução/Globo)

Já em ‘Órfãos da Terra’, Zuleika (Emanuelle Araújo) quase desiste de casar com o delegado ao vê-lo bêbado no altar. Depois de chorar muito e abandonar a igreja, a filha de Rania (Eliane Giardini) terá uma conversa (assim como Eduarda) com o policial, que a convencerá voltar para a igreja e dar sequência ao casório.

Coincidência? É só o que parece. Segundo Claudino Mayer, especialista em TV pela USP, as autoras de ‘Órfãos da Terra’ sabem que casamentos interrompidos não são novidade na televisão. Ainda assim, apostaram na ideia que também aconteceu em ‘Por Amor’, reprisada justamente agora, porque sabem que essa é uma fórmula que apresenta resultados positivos na audiência.

“O telespectador se identifica e se vê dentro da novela. É como se eles já conhecessem aquela história de algum lugar. A dramaturgia funciona como uma espécie de franquia de lojas que passam a vender o mesmo produto em lugares diferentes porque tem procura”, explica.

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Segundo ele, Thelma Guedes e Duca Rachid estão fazendo um ótimo trabalho na novela das seis justamente porque não dispensam a pesquisa e buscam referência em autores consagrados. Thelma, por exemplo, já foi colaboradora de Walcyr Carrasco e traz elementos do veterano em seu folhetim atual, como a presença de animais e a trama centrada na protagonista.

“Esse é um estilo muito comum nos trabalhos do Walcyr. Mas o que é legal é que as autoras inovaram. Geralmente, imagina-se que a mocinha vai viver um amor impossível para casar no final da novela e ver o vilão morrer. Desta vez, as autoras centraram a história na Laila (Julia Dalavia), mas fizeram o casamento e a morte do vilão no meio. Algo inovador e que mostra recomeço, fôlego e suspense”, avalia.

Zuleika (Emanuelle Araújo) decepcionada com Almeida (Danton Mello) (Foto: Reprodução/Globo)

Além de Walcyr, Claudino lista outros autores que serviram de inspiração para a dupla, como Gloria Perez e o próprio Manoel Carlos. A trama, segundo ele, aproxima-se de Gloria ao tratar dos refugiados, figurinos, nomes e dialetos. Mas também lembra Manoel quando trata de assuntos factuais e conflitos familiares.

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No capítulo desta segunda-feira, por exemplo, o último bloco da novela mostrou cenas da trama intercaladas com manchetes de jornais e reportagens que falam da situação dos refugiados no Brasil.

“O Manoel Carlos já utilizou recursos parecidos em ‘Laços de Família’. Tinha cena que era escrita dois dias antes da novela ir ao ar para ficar mais factual”, conta Mayer, que vê ‘Por Amor’ e ‘Órfãos da Terra’ como folhetins lineares, de fácil entendimento e compreensão.

O alcoolismo na TV

Paulo José em cena de 'Por Amor' (Foto: Reprodução/Globo)

Não é de hoje que o alcoolismo é abordado em novelas da Globo. De acordo com o psicólogo Jacob Pinheiro Goldberg, a dramaturgia têm um papel social e precisa explorar o tema, sobretudo em casos que mostram os personagens pagando pelas consequências da ingestão em excesso da droga lícita.

“Isso deve acontecer mesmo. É algo didático. Quando uma novela mostra um bêbado sofrendo, arrependido, por ter estragado uma festa de casamento, a televisão prova que o álcool não faz bem”, defende o médico, que critica abordagens que vão na contramão disso.

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“Quando a mídia aproxima a ideia do álcool a uma ideia de euforia, felicidade e satisfação, ela induz, subliminarmente, o uso do álcool. Aquele anúncio ‘beba com moderação’ é paradoxal, é uma tentativa de conciliação com a bebida”, diz Goldberg.

Para o psicólogo, é preciso que exista uma politica do Estado no sentido de instruir a população para os riscos do alcoolismo. Os familiares também são peças importantes no combate do vício. “A família precisa falar quando o parente estiver passando do limite e o paciente deve estar atento a opinião dos outros”, aconselha.

  • Alcoólicos e Anônimos

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