Sepultura avalia crise política no Brasil: “Nós não temos um líder”

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Sepultura está lançando o álbum
Sepultura está lançando o álbum "SepulQuarta" (Foto: Divulgação/@MarcosHermes22)

O Sepultura está lançando seu novo álbum, “SepulQuarta”, e conversou com o Yahoo! sobre o trabalho e um tema que premeia a essência do rock e o futuro: a política nacional.

Formado por Andreas Kisser, Derrick Green, Eloy Casagrande e Paulo Jr, a banda de heavy metal não se sente pressionada a comentar sobre o tema só pelo questionamento, ou cobrança social. “Temos nossas músicas, nossas redes sociais e fazemos isso de maneira aberta e à nossa maneira. Tem uma galera um pouco mais ativista e ‘nervosa’ de um lado ou de outro”, comenta Andreas Kisser.

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E ele reconhece que o momento não é de desatenção. “Sei que o Brasil está passando por um caos. Nós não temos um líder. Desde o começo da pandemia, principalmente, não teve uma reunião geral com governadores e ministérios, uma união nacional. Não tivemos um cara que nos inspirasse a ser brasileiro e lutar contra a covid que atinge a todos: esquerda, direita, homem, mulher, rico, pobre. É uma coisa mundial”, ressalta.

O músico lembra, inclusive, da necessidade e importância da vacinação para o trânsito internacional antes mesmo da covid-19. “Se você vai para a Índia, precisa estar imunizado contra a febre amarela para entrar no país. Mas é um momento difícil porque no Twitter as pessoas são experts em tudo! Não é só vacina, é futebol, skate, política... Mas a opinião tem que ser dita livremente e esse é meu ponto de vista”, avalia.

O baterista Eloy caminha pela mesma estrada. “Vivemos em um momento muito obscuro da nossa história. Está tudo muito nebuloso. O que temos vivido é inimaginável e nunca pensei em passar no nosso país. Ter uma pessoa com tão pouco senso de humanidade na liderança”, apontou em referência ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Casagrande lembra o início da pandemia no país, em março de 2020, quando o líder do executivo minimizou a doença em cadeia nacional de rádio e TV. “Ele literalmente mandou todos à morte. Houve um comando para que as pessoas não parassem de trabalhar. Por outro lado, tem a necessidade das pessoas trabalharem. Não houve um consenso para que as pessoas não morressem, elas foram enviadas à morte seja por falta de vacina ou a necessidade de continuar trabalhando”, afirma.

E continua: “Acredito que foi algo desumano que aconteceu no país e os responsáveis vão pagar por isso ainda. Houve muita morte desnecessária e poderia ser evitada e eles são completamente culpados por isso. Eles o Governo Federal, os Governos em geral”, conclui.

Álbum gravado durante a pandemia

O grupo de heavy metal lançou o projeto “SepulQuarta” na última semana. Com 15 faixas, os registros surgiram a partir dos encontros que eles promoveram para se aproximar dos fãs nas redes sociais durante a pandemia de covid-19.

A tracklist passa por faixas menos frequentes nos setlists dos shows do Sepultura, como “Apes Of God”, “Hatred Aside” e “Slaves of Pain”, mas também pelas composições mais frequentes, como "Ratamahatta", “Sepulnation” e “Kaiowas”. A criação do encontro semanal permitiu ainda que o quarteto pudesse jogar luz em diferentes assuntos importantes da atualidade.

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