Bancas de jornal vendem 347% mais com álbum da Copa

A febre das figurinhas da Copa do Mundo fez a Cielo, empresa líder em pagamentos eletrônicos no Brasil, levantar o faturamento das bancas de jornais durante o período de lançamento do álbum da Copa. Com base no Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), que estima a dinâmica de consumo em cada ponto de venda, o levantamento confirma a moda: as vendas nas bancas de jornais e revistas chegaram a crescer 347,1% na semana seguinte ao lançamento do álbum da Copa do Mundo, em comparação com a mesma semana de 2021.

O faturamento permaneceu alto nas semanas posteriores. Conforme explica o gerente de produtos de dados da Cielo, Diego Adorno, as vendas das figurinhas certamente ajudaram a turbinar o faturamento das bancas.

— É evidente o quanto a liberação dos pacotinhos ativou o fluxo de pessoas nestes locais. Esse aumento das visitas às bancas pode, inclusive, ter contribuído para as vendas de outros produtos, o que se reflete no crescimento do faturamento desses estabelecimentos comerciais — afirma Adorno.

Flávio Cittadino, de 47 anos, dono de uma banca de jornal na Cinelândia, confirma a informação. O vendedor trabalha há quase 30 anos na área:

— Houve um aumento no faturamento da banca principalmente no começo, logo depois que o álbum foi lançado. Foi uma febre! Aumentou mais ou menos 50%. No meu melhor dia, vendi 700 pacotes.

Cittadino diz, porém, que o faturamento já começou a cair de novo.

— Eu vendi mais na última Copa, principalmente álbuns. A distribuição foi muito ruim em 2022. O álbum de capa dura demorou muito para chegar nas bancas. Vendi muito mais na Copa passada, mas foi culpa da distribuição, porque o pessoal estava interessado — explicou o vendedor.

Emílio Lago, de 42 anos, trabalha em uma banca de jornal localizada no centro do Rio desde 2019. Segundo ele, o faturamento aumentou cerca de 20% depois do lançamento do álbum de figurinhas.

— Vendia mais ou menos 80 pacotes de figurinhas por dia no auge, em grande maioria para jovens. Recentemente, com o início da Copa, diminuiu um pouco o movimento, voltando quase ao patamar normal — diz Lago: — Muitas bancas organizavam encontros para os clientes trocarem os cromos repetidos. Foi uma febre enorme. Até no shopping tinha espaço para troca de figurinhas. Era comum ver crianças e adultos amontoados, sentados no chão.

Colecionar figurinhas é negócio de família para o estudante de História Guilherme Azevedo, de 21 anos. Herdada do pai, a paixão começou com o álbum do Brasileirão, em 2005. No ano seguinte, Azevedo completou a sua primeira edição da Copa do Mundo:

— Coleciono álbuns de diversos assuntos, mas sempre gostei mais do futebol. Tenho os álbuns do Brasileirão de 2005 a 2014 e os últimos seis da Copa do Mundo, além de coleções completas da Copa América e de outros torneios famosos.

Na opinião do estudante, a principal mudança no álbum da Copa ao longo dos anos foi o preço, que está “muito caro”. O álbum de capa dura custa R$ 44,90 e o simples, R$ 12. Além disso, Guilherme continuou a levar figurinhas para a escola, mas agora para trocar com os alunos:

— Comecei a trabalhar e dar aulas em 2022. Foi uma experiência completamente diferente, porque passei a trocar figurinhas com os meus alunos. Todo mundo estava colecionando, jogando “bafo” e brigando pelas melhores figuras — explicou Azevedo.

Procurada, a Panini, empresa fabricante dos álbuns da Copa, afirmou que não compartilha dados de vendas e de produção e não comenta atrasos na entrega.