Bairros vizinhos da zona oeste de SP se dividem entre Covas e Boulos

MARIANA FREIRE
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Primeiro colocado no primeiro turno, Bruno Covas (PSDB) venceu em todas as 58 zonas eleitorais de São Paulo. Mas é na zona oeste que ele e Guilherme Boulos (PSOL) registram seus melhores desempenhos em percentual de votação. No Jardim Paulista, Covas conseguiu a sua maior votação, proporcionalmente. No bairro, ele conquistou 44,52% do total dos votos válidos. Em Pinheiros, Boulos teve a sua maior votação em uma zona eleitoral (31,89%), mesmo ficando em segundo lugar. O Agora esteve nos dois bairros na tarde desta segunda-feira (16) para conversar com moradores sobre o resultado. O comerciante Mário Borges Júnior, 74 anos, eleitor de Covas, credita o resultado expressivo nos Jardins, onde mora, ao nível social da população do local. Lá, o tucano alcançou 44,52% dos votos válidos, 22,89 pontos a mais que o rival. "Esse é o reduto dele, por ser uma zona mais politizada, que tem mais estudo e conhecimento", afirma o comerciante. As outras zonas em que Covas teve o maior percentual foram Indianópolis (44,05%), Santo Amaro, 41,78%), Saúde (41,53%) e Vila Mariana (39,1%), todas na zona sul. Já a arquiteta Adriana Mattoso, 64, moradora de Pinheiros, que votou em Boulos, associa os 31,89% de votos do candidato na região --o que deixou a diferença entre ele e Covas em 6,07 pontos percentuais no local-- a uma exaustão da população sobre as gestões do PSDB. "A zona oeste é uma área de gente jovem, com a cabeça mais arejada e com pensamento mais à esquerda." Os melhores desempenhos percentuais de Boulos foram nas zonas da Bela Vista (29,66%), região central, Perdizes (29,45%), zona oeste, Vila Mariana (24,28%), zona sul, e Rio Pequeno (23,82%), zona oeste. Eleitora de Bruno Covas no Jardim Paulista, a educadora física Ana Soares, 54, acha que o resultado demonstra o trabalho que a atual gestão tem feito pelo bairro. "O bairro está sempre limpo e conservado. Votei nele porque acho que ele tem vigor para governar." Segundo ela, nenhum dos outros candidatos gerou a mesma identificação com a região. A cientista política Marcela Purini, 38, fala que o desempenho de Boulos em Pinheiros, onde ela mora, expõe duas características que podem ser vistas como antagônicas: é uma vizinhança de classe alta e, ao mesmo tempo, progressista. Para ela, votar no candidato foi uma tentativa de impedir que o atual prefeito ganhasse a eleição já no primeiro turno. "Nunca imaginei que votaria no PSOL porque sou petista filiada, mas essa foi a escolha para irmos para o segundo turno." Para o Marcos Levy, 68, morador do Jardim Paulista, Covas é o candidato mais centrado, e foi isso que motivou sua escolha: "É o candidato que tem as ideias mais dentro da linha." A honestidade e o nome da família, de acordo com a aposentada Celia Goldfeder, 80, foram os motivos que a fizeram escolher o atual prefeito. Também moradora do Jardim Paulista, a geógrafa Maria Rita Pelegrim, 37, diz que se sente um "peixe fora d'água", pois é é eleitora de Boulos. "Minha escolha foi pela minha formação, porque meus pais sempre seguiram ideais de esquerda. Mas aqui há pessoas mais conservadoras. A classe média alta tem uma visão estreita da sociedade porque não sai da bolha dos Jardins, falta um olhar mais sensível sobre a cidade." A socióloga Vera Carvalho, 65, afirma que votou em um candidato da direita, mas sem especificar qual. Moradora de Pinheiros, ela credita o resultado de Boulos aos jovens que moram no bairro. "A nossa juventude foi doutrinada nas escolas para gostar da esquerda. Eles dizem que a direita é fascista, o que é uma desonestidade intelectual." A menor diferença entre as votações de Covas e Boulos foi registrada na zona eleitoral de Valo Velho, zona sul, e foi de apenas 2,49 pontos percentuais, com o tucano à frente. A maior foi registrada em Indianópolis, com 26,44 pontos percentuais entre os dois.