Ex-bailarina do Faustão vira cantora e dispara: "Disseram que eu não era capaz"

Amanda Caroline
·5 minuto de leitura
Daya Luz conta que foi subestimada ao longo da carreira: "Mulher sofre preconceito só por ser mulher" (Foto: Reprodução/Instagram @dayaluz)
Daya Luz conta que foi subestimada ao longo da carreira: "Mulher sofre preconceito só por ser mulher" (Foto: Reprodução/Instagram @dayaluz)

Daya Luz sempre quis ser artista. Aos 20 anos, ela deixou a comunidade de Americanópolis, na zona sul de São Paulo (SP), trancou a faculdade de administração e largou o emprego em uma empresa de recursos humanos para ir atrás do seu sonho no Rio de Janeiro. Hoje, dez anos depois, tem o título de ex-bailarina do ‘Domingão do Faustão’ e cantora no currículo. Entretanto, integrar o balé do programa da Globo nunca fez parte da sua lista de objetivos. A verdade é que ela nem sabia dançar lá em 2011 — seu negócio sempre foi a música.

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“Um amigo me avisou de um teste para o ‘Faustão’ e pensei ‘é a oportunidade de realizar meu sonho de ser cantora, de estar perto dos artistas’. Nunca tinha feito balé, nunca tinha dançado, mas passei. Foi um sinal para mim. Arrisquei e larguei tudo”, conta em entrevista ao Yahoo.

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A morena desembarcou no Rio com uma mala nas costas (e carregava um colchão inflável dentro dela), sem dinheiro e sem ter onde ficar. Daya foi acolhida pela funcionária da academia onde ensaiava três vezes por semana com as bailarinas do grupo e passou um mês morando na Cidade de Deus. “A Vera olhou para mim lá atrás. Nem sei o que teria feito se não fosse ela. Teria me escondido dentro da academia”, brinca.

Aline Riscado e Fernanda D’Ávila eram algumas das suas colegas, mas revela que não fez amizades com as bailarinas da sua “geração”. Ela, que era a caçula da turma, não se deixou deslumbrar nem esquecer que aquele era o seu ambiente de trabalho. “Até saía com elas, fui em alguns eventos... Mas era muito focada”, conta. Daya correu atrás para melhorar sua performance e se profissionalizou na dança. Entre uma apresentação e outra, soltava a voz nos bastidores da emissora para ser reconhecida como cantora.

“Cantava pelos corredores para ver se alguém me notava”

Fã de Ivete Sangalo (“ela é o tipo de artista que eu quero ser, com energia no palco, carisma e voz potente”), Daya “tremeu na base” quando a baiana foi no programa. A ex-bailarina não abordou ídolo porque era “muito certinha” para pedir uma foto, ainda mais para apresentar o seu trabalho como cantora. “Tinha muito medo de abordar um artista e isso chegar na direção, de ser demitida. Quando a gente gravava reportagem, quando tinha a oportunidade, eu cantava. Comecei a cantar pelos corredores [da Globo] para ver se alguém me notava”, relembra.

E deu certo. Um diretor musical apostou em Daya e ela gravou sua primeira música em 2013. A paulistana pediu demissão do balé no mesmo ano e, desde então, se dedica 100% à carreira musical. Atualmente, ela tem mais de 18 milhões de visualizações no YouTube e entrega um som pop que flerta com o funk. ‘Vai Pirar’, com participação de Buchecha, e ‘Depois Não Chora’ são seus sucessos.

Durante a pandemia do novo coronavírus, Daya gravou um clipe à distância com a participação de 35 dançarinos internacionais. A morena diz que o projeto foi um desafio, principalmente a produção. “Coloquei a mão na massa. Arrumei meu próprio cabelo, fiz a maquiagem e montei meu look. Cuidei do roteiro, da coreografia... Foram três semanas idealizando o vídeo e até meu marido ajudou”, conta. A música ainda não tem nome definido, mas ela garante que é “pra cima e dançante”. O clipe deve ser lançado no próximo mês.

“Mulher sofre preconceito pelo simples fato de ser mulher”

A trajetória de Daya Luz até aqui não passou batida pelo machismo. Ela conta que foi subestimada por várias vezes durante a carreira, desde o início no escritório. “A mulher passa por situações e sofre preconceito pelo simples fato de ser mulher”, dispara. “Disseram que eu não era capaz, que mulher bonita não pode ser inteligente... As pessoas te julgam se você se veste de um certo jeito, se você é sarada ou não. Sempre seremos alvo”, completa.

A artista diz que as bailarinas, inclusive, são muito julgadas e revela que foi subestimada quando tomou a decisão de virar cantora profissional. “‘É bailarina e quer ser cantora? Essas meninas têm tudo na mão é tudo fácil’. Julgam muito! Chegaram a dizer para o meu marido que ele poderia ‘se dar mal’ comigo e que ele merecia uma ‘mulher com mais cultura’. Fiquei muito chateada”, desabafa.

Hoje, Daya não está nem aí para os haters. “Não me afetam mais porque sou segura”, explica. A ideia é olhar pra frente e continuar correndo atrás de seus sonhos se inspirando em mulheres fortes como Anitta, Iza, Ludmilla e Lexa. “Elas me dão esperança”, finaliza.