Babilônia: "Foi o mais difícil da minha carreira", reflete Damien Chazelle sobre "selvageria incontrolável" em novo filme (Entrevista)

Babilônia é o novo filme de Damien Chazelle, mesmo diretor dos aclamados Whiplash - Em Busca da Perfeição (2014) e La La Land - Cantando Estações (2016), produção estrelada por Brad Pitt e Margot Robbie que é ambientada no final da década de 1920, quando Hollywood passou por um período de transição do cinema mudo para o falado. Entrevistamos Chazelle e o ator Diego Calva, que comentaram sobre Babilônia.

Damien Chazelle recebeu Oscar de Melhor Diretor por La La Land, o vencedor mais novo da história na categoria, e confessou na entrevista que Babilônia foi o maio desafio de sua carreira por causa de cenas complexas e caóticas, como a sequência de abertura.

"Acho que o filme em geral foi o mais difícil da minha carreira. Em termos da logística das cenas filmadas, como a abertura, eu queria que o filme parecesse que a vida está escapando dos quadros da imagem, que você apenas sente que está se espalhando como se não pudesse ser contido. Eu queria que o filme em si parecesse uma fera que estávamos tentando domar, mas não conseguimos. Mas é claro que quando você realmente começa a fazer um filme, precisa ser domado em algum nível, você precisa controlá-lo. Você tem que prepará-lo. Então, tentar preparar algo com muitas pessoas, muitas partes móveis, mas parecendo espontâneo, despreparado e incontrolável. Esse é o desafio", disse Chazelle.

"O melhor elenco que já tive foi neste filme e, portanto, você conhece pessoas como Diego [Calva], que simplesmente foram capazes de, não importa as circunstâncias malucas lançadas sobre eles ou seu personagem, fazer com que parecesse humano, real e que exigem uma atuação muito boa e acho que sem isso o filme nunca teria funcionado."

Diego Calva, que interpreta Manny Torres em Babilônia, comentou como foi a experiência de trabalhar com Damien Chazelle e outras estrelas de Hollywood. "Foi um prazer... Ele realmente sabe o que quer, e isso deixa você muito confiante quando ensaiamos muito. Ele me deu muito tempo para trabalhar no meu inglês para trabalhar muito nos meus ensaios de atuação", disse, ressaltando que o diretor também é muito flexível. "Por ser como meu primeiro grande filme trabalhando com superestrelas que vivem em Hollywood e com todos esses grandes artefatos que eles têm em Hollywood e na América, eu precisava dele, de seu apoio, como quando alguém confia e acredita em você", completa o ator.

Qual é a história de Babilônia?

Babilônia é situado no final da década de 1920, quando Hollywood passa por um período de grande mudança, com a transição do cinema mudo para os filmes falados. Desta forma, acompanhamos a ascensão e queda de vários personagens durante uma era de decadência desenfreada e depravação.

"Para mim, o que tornou ele específico foi o fato de que não é tanto sobre Hollywood, mas sobre seus primórdios. Sobre como todo esse tipo de organismo do qual todos fazemos parte agora começou e a primeira grande evolução pela qual passou... o filme é como uma espécie de momento em que Hollywood deixou de ser exatamente o que era no início, um verdadeiro tipo de cidade circense, onde tudo era permitido, onde era meio desregulado e selvagem e então foi domado, foi controlado, foi cooptado e regulamentado e se transformou em uma indústria. E então há essa perda de inocência. Há uma maneira pela qual você sabe que Hollywood cresceu e talvez alguma maturidade venha disso. E também muito se perde com isso. Há um certo tipo de espírito inocente da era do cinema mudo que nunca conseguimos recuperar e talvez nunca consigamos recuperar, então há uma tragédia nessa perda. Acho que o que importava para mim era contar uma história através de uma galeria de personagens como Diego [Calva], mas com o objetivo final de pintar um retrato de toda uma sociedade e como toda essa sociedade muda", completa Chazelle.

Babilônia estreia nesta quinta-feira (19) nos cinemas brasileiros.

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