Auxiliar do CSA participou de festa de Zico e foi sensação da TV nos anos 80

Jacozinho chegou a assumir o CSA no fim do Brasileiro (Augusto Oliveira/CSA)

Por Josué Seixas (@josue_seixas)

Foi numa madrugada de sexta-feira que tudo mudou no CSA. Venceu o Cruzeiro, a torcida ensaiou um alívio, até que Argel Fucks comunicou que não seguiria no comando. Iria para o Ceará porque tinha recebido um “convite muito forte”. 

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A diretoria do clube alagoano confirmou que o auxiliar Jacozinho assumiria o time para as três últimas partidas do Brasileirão. Era o fim de novembro, houve o rebaixamento e, em 2020, Jacozinho manteve o compromisso com o clube. Diz com orgulho que Alagoas é sua casa. 

Consagrado como ídolo pelo futebol que jogava nos anos 80, Jacozinho tem história para contar. Talentoso para o marketing e para a bola, o ex-jogador do CSA contou com a ajuda do repórter Márcio Canuto, ex-TV Globo, para ser conhecido nacionalmente. Eram amigos que se divertiam através da tela da televisão.

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“Jacozinho vai atacar de novo. Ele é o terrível, o inimigo dos zagueiros, ele é o defensor da audácia, habilidade e alegria. É o novo representante da verdadeira essência do futebol brasileiro. Por isso, brincando ou falando sério, o torcedor de todo o país está se empolgando com o estilo puro e irreverente de Jacozinho”, introduziu Márcio Canuto em uma das matérias.

Nessas reportagens antigas, Canuto valorizava demais o talento do jogador. Com brincadeiras e boas chamadas nas matérias, Jacozinho se tornou folclórico. Chegou a dizer que melhoraria a Seleção Brasileira, afinal, era um ponta agressivo e nenhum lateral conseguiria pegá-lo. Se o técnico Evaristo de Macedo Filho o convocasse para o amistoso entre Brasil e Uruguai em 1985, disputado em Pernambuco, iria de “avião, de trem, de ônibus e até de bicicleta”. 

Em entrevista ao Yahoo Esportes, o agora auxiliar-técnico do CSA conta que acreditava, sim, que chegaria à seleção brasileira. Ele lembra a imagem icônica em que estava andando de bicicleta, meninos o acompanhavam e gritavam seu nome enquanto ele veste a camisa da Seleção Brasileira.

“Nós temos que pensar alto. O pensamento é de graça. Eu sempre pensei alto. Sempre pensei em ser um grande jogador, e graças a Deus tive o privilégio de realizar essa façanha. Eu, claro, pensaria em ser convocado para a seleção brasileira, até quando fui para o Santa Cruz... Deixei de ir jogar em Portugal, porque eu pensava que seria convocado. Tinha certeza absoluta, mas o destino não quis”, disse. 

No dia 12 de julho de 1985, a fama de Jacozinho chegou ao auge. No retorno de Zico ao Flamengo, numa festa que movimentou craques do mundo inteiro, como Maradona, Júnior, Toninho Cerezo, Roberto Dinamite e Falcão. A cobertura de Márcio Canuto começou desde o vestiário. Apresentou Jacozinho a Maradona, que não deu muita atenção na hora do cumprimento. 

Jacozinho começou a partida no banco de reservas do time de amigos de Zico. No segundo tempo, a torcida pediu que ele entrasse durante a partida. O jogo estava morno, o Flamengo vencia por 2 a 0, e o técnico Telê Santana deu a chance. Não demorou muito para que os holofotes se tornassem mais intensos.

Maradona recebeu a bola no meio de campo e deu um passe magistral, encontrando Jacozinho cara a cara com o goleiro Cantarelle. Baixinho e talentoso, o ex-jogador do CSA aplicou uma meia-lua no goleiro e empurrou a bola para o gol. Eternizou-se, ali, como folclore. O telão piscava com seu nome e a torcida festejava. 

“Deus me colocou numa festa que todos os jogadores queriam estar. Jacozinho estava lá. Foi uma festa bonita, a volta de Zico, com Maradona, Falcão, Júnior, muitos jogadores bons. Só a nata do futebol. E o Jacozinho, do CSA, estava lá no meio”, relembra. 

Na manhã daquela partida, Jacozinho e Márcio Canuto combinaram as reportagens que seriam veiculadas. “Essa trama de eu ir foi Márcio Canuto. Não fiquei sabendo de nada, fui surpreendido, ele mexeu os pauzinhos e deu certo. Estava eu lá, no Rio de Janeiro, ele fala comigo às 5h da manhã no hotel, fazemos duas matérias para o Globo Esporte, uma falando como se eu tivesse participado e outra como se não tivesse participado”. 

O gol ganhou música, que Jacozinho canta com orgulho. 


Zico, entretanto, não se agradou muito de toda atenção dada a Jacozinho. Na época, deu uma entrevista, incomodado. Os dois só se encontraram 29 anos depois e nenhuma mágoa ficou. 

Como jogador do CSA, Jacozinho ficou com o vice da Taça de Prata em 1982 e 1983 e conquistou cinco títulos estaduais. Já como auxiliar-técnico acompanhou o time da Série D à Série A e continua na equipe para a Série B. Nos anos 80, deu nome clássico aos seus gols: Ayrton Senna, guarda de trânsito, Domingone, Abertura...

No novo ano, Jacozinho tem projetos interessantes para a carreira. Foi convidado para entrar na carreira política, como vereador, e está estudando a possibilidade. 

Givaldo Santos Vasconcelos, o Jacozinho, tem 63 anos. 

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