Auto-hemoterapia: conheça a técnica adotada por Madonna que é ilegal no Brasil

Saiba o que é a auto-hemoterapia, uma prática que a cantora Madonna tem feito para supostamente melhorar sua imunidade (Evan Agostini/Invision/AP)

Retirar uma certa quantidade de sangue do seu corpo e, depois, injetá-lo de volta no seu corpo, para melhorar a imunidade, como um tipo de vacina. Bizarro, não? Pois é o que muita gente vem feito pelo mundo (e também no Brasil, mesmo sendo ilegal aqui). O nome do procedimento é auto-hemoterapia e até super celebridades, como a cantora Madonna, têm aderido à “moda”.

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Depois de se afastar por um tempo de seus shows, Madonna (61 anos), disse que vai voltar aos palcos. E, há poucos dias, publicou em seu Instagram um vídeo em que mostra estar passando por um procedimento conhecido como auto-hemoterapia – ela usou a expressão em inglês “infusing the blood”. Normalmente, durante o procedimento são retirados até 20 ml de sangue do braço da pessoa, como se fosse um exame de sangue e, na sequência, esse sangue é rapidamente injetado de volta – nas nádegas ou no músculo do braço.

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Qual o conceito da técnica

Teoricamente, a ideia da auto-hemoterapia (ou auto-hemotransfusão) como também é chamada) é melhorar a imunidade seguindo o conceito de que ao entrar em contato com o músculo, esse sangue re-injetado provocaria uma reação de rejeição, estimulando o sistema imunológico. Essa é uma técnica antiga já, mas que tem voltado à tona, sendo que seus primeiros estudos datam da década de 1930.

É ilegal no Brasil

O CFM (Conselho Federal de Medicina) não considera a auto-hemoterapia como um tratamento e afirma que não existem evidências científicas confiáveis de que ela seja efetiva para prevenir qualquer doença em seres humanos, segundo o parecer n° 12, emitido em 2007 pelo órgão. Tanto que no Brasil, a auto-hemoterapia não é uma atividade reconhecida pelos conselhos médicos, sendo uma prática ilegal. A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) também repudiam a técnica, alegando que não há comprovação científica de nenhum benefício e que também traz riscos à saúde do paciente. 

Quais os possíveis riscos da auto-hemoterapia?

A FMUSP alerta que a auto-hemoterapia pode provocar efeitos colaterais graves, como infecção generalizada, e levar o paciente à morte. Outros conselhos médicos pelo país, como a ABHH (Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia), compartilham da mesma opinião. Em nota, a Associação afirma que a auto-hemoterapia é adotada por leigos e desaconselha pelos problemas que a prática pode acarretar, já que não é realizada de forma legal e nem regulamentada, oferece também o risco de contaminação, infecção e lesão nos músculos. Segundo o CFM, os profissionais que a praticarem a auto-hemoterapia no Brasil poderão sofrer penalidades e até ter seu registro profissional cassado.