Autocuidado e higiene pessoal sem lixo: sim, é possível

Reduzir o consumo é uma das atitudes mais responsáveis que podemos ter com o planeta (Foto: Getty Images)

A indústria da beleza sempre foi muito atacada por incentivar padrões estéticos irreais por meio de um consumo excessivo. Mas nos últimos anos ela também passou a ser alvo de uma acusação tão negativa quanto: a relação com o impacto ambiental.

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Não é fácil olhar para nossos cosméticos e imaginá-lo como vilões do meio ambiente - fora a questão da saúde, que é assunto para um outro post por aqui. E as mudanças climáticas avisam: cada uma das nossas escolhas tem impacto em tudo o que está acontecendo.

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Nos últimos cinco anos, um movimento global chamado Slow Beauty têm proposto um olhar mais responsável para o consumo no que diz respeito ao cuidado pessoal – do skin care à higiene diária. Afinal, nossa vaidade não pode estar atrelada a tanto impacto negativo. Mas está.

As indústrias de cosméticos utiliza mais de 10 mil substâncias químicas em seus processos, as chamadas POPs (Poluentes Orgânicos Persistentes) que demoram muito tempo para se decompor, sem contar as embalagens e todo o gasto de energia e água envolvidos no processo de produção em larga escala.

E não basta culpar as empresas (muitas das indústrias convencionais estão mudando e se adaptando!). Precisamos, nós mesmos, fazermos escolhas responsáveis. No final das contas, viver em sociedade por si só, gera lixo. Na rotina de beleza e higiene pessoal, algumas atitudes e trocas – no seu tempo, dentro da sua realidade, claro – podem reduzir esse impacto ambiental negativo no dia a dia.

Abaixo, vou compartilhar algumas das que ajudam a começar uma rotina de autocuidado mais consciente.

Trocas inteligentes

Ecopads – disquinhos de crochê ou pequenas toalhinhas (Foto:Arquivo Pessoal)

Alguns itens da rotina de higiene pessoal de quase todo mundo gera lixo que dura uma vida toda. É o caso de escova de dente com cabinho e cerdas de plástico. Ela até pode ser encaminhada junto à coleta seletiva, mas isso não a livra de ser mais um resíduo desnecessário para o meio ambiente. Se seguirmos a recomendação dos dentistas e fabricantes – endossada pela Associação Dental dos Estados Unidos-, trocamos de escova a cada três meses. Se, por ano, usamos uma média de quatro unidades, imagine ao longo de uma vida de 30 anos? E 70? Hoje há versões biodegradáveis, como a de bambu.. Na minha rotina, revezo entre essas opções. Para quem usa a de plástico mesmo, ao menos encaminhe à coleta seletiva. Já é um grande passo.

E há outros itens mais nocivos: cotonetes vão direto para o lixo comum. São cabinhos azuis de plástico que impactam na vida marinha. Solução: trocar pelas versões com haste de papel, cada vez mais comuns em farmácias.

E algodão, quanto você usa por semana, seja para remover a maquiagem ou o esmalte, seja para outras funções? Ele pode ser substituído pelos ecopads – disquinhos de crochê ou pequenas toalhinhas. Você usa, lava e usa de novo...

Plástico dentro dos cosméticos? Sim, temos

Estima-se que haja 51 trilhões de partículas pelo nosso oceano. E, sim, a indústria da beleza também colabora com esse número. Pense em alguns tipos de sabonetes e esfoliantes. Muito contém minúsculas bolinhas produzidas a partir de alguns tipos de materiais naturais ou sintéticos.

As mais utilizadas em produtos de higiene pessoal convencional são as de polímeros – microplásticos, sobretudo polietileno, polipropileno, polietileno tereflalato, polimetilmetacrilato e até náilon. O perigo: as “bolinhas” saem pelo ralo do banheiro direto para o sistema de esgoto. Como as águas residuais não conseguem filtrá-las, elas vão parar no oceano e, por não serem biodegradáveis, são de difíceis remoção. A presença de plástico nas fórmulas pode estar indicada no rótulo pelos termos Polyethyene, Polythene e Phthalates (ftalatos.

Embalagens: seja auto-responsável

Agora vamos olhar para os cartuchos dos produtos: quantos frascos de vidro você tem no seu banheiro ou na sua prateleira? Ou de plástico de origem vegetal? Ou de marcas conscientes que se propõe e receber de volta e cuidar da reciclagem? Aliás, o que você faz com eles?

As embalagens de plástico você pode higienizar e direcionar à coleta seletiva. As de vidro, reutilizar. Mas o mais importante é você olhar com cuidado para o momento em que elas se tornam lixo.

Outra ideia é procurar a marca em questão e perguntar se ela recebe de volta em algum ponto de venda. Aliás, são pequenas ações como esta de consumidores atentos que têm mudado o posicionamento das marcas e os rumos do consumo.

Faça você mesmo

Café e açúcar como esfoliantes (Foto: Arquivo Pessoal)

Saber fazer alguns itens em casa traz liberdade de consumo e economia. Os esfoliantes com microesferas de plástico, por exemplo, podem ser facilmente trocados por receitas artesanais: borra de café, fubá e até aveia, se misturados a um bom óleo 100% vegetal (pense em até em azeite) resultam em ótimas seguras e biodegradáveis.

O chá de ervas, como camomila e calêndula, acalma e hidrata a pele. Já pensou em usá-los na sua rotina de cuidados? Desodorantes, hidratantes e máscaras faciais também podem ser feitas em casa – vou trazer algumas ideias em breve por aqui.

Além de naturais, são ideias que possibilitam a redução de embalagens, por exemplo.

Menos é mais!

Vale lembrar que indústria da vaidade é uma das poucas que não sofre com as crises econômicas - o Brasil é o quarto país no ranking de maiores consumidores de produtos de beleza e higiene do mundo, atrás apenas do Estados Unidos, da China e do Japão. Não à toa somos bombardeados diariamente com propagandas sedutoras de produtos que, muitas vezes, nem precisamos. Portanto, reduzir o consumo é uma das atitudes mais responsáveis que podemos ter com o planeta. Antes mesmo de fazer trocas inteligentes, como algumas das que indiquei acima, vá até o local onde você guarda seus produtos e questione: você precisa mesmo disso tudo? O que está ali que você realmente gosta e usa, e o que é só uma imposição da indústria e da mídia?

Consumir consciente é sair da zona de conforto e entender que a nossa vaidade e nosso bem-estar não precisam estar atreladas a um impacto ambiental negativo