Aurora Boreal exige muita paciência e disposição: confira 6 dicas para ver o fenômeno

Colaboradores Yahoo Vida e Estilo
Espetáculo da Natureza na Islândia. Foto: Chiara Fabienne
Espetáculo da Natureza na Islândia. Foto: Chiara Fabienne

Por Renan de Souza (renansouza)

Ver a Aurora Boreal, provavelmente, faz parte do imaginário dos amantes de viagens ou dos admiradores da natureza. Esse fenômeno, que encanta pelas luzes florescentes riscando o céu, foi citado até na Bíblia e, ao longo da história, desperta a curiosidade da humanidade.

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Para ver esse evento tão mágico e realizar um sonho antigo, fui até a gélida Islândia. Era para ser uma caçada de três dias com a ajuda de uma guia profissional, mas com um pequeno empurrãozinho da sorte, não foi preciso enfrentar outras duas noites geladas do inverno islandês.

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Rumo à Luzes do Norte

O dia foi de ansiedade e dúvida sobre se conseguiria ou não registrar esse momento tão esperado. O final da tarde de sol deu lugar a uma noite de inverno perfeita para o início da caçada pela Aurora Boreal. Céu claro, limpo e sem nenhuma nuvem. Era possível ver até constelações e estrelas cadentes. De quebra, aproveitei e ainda fiz os famosos pedidos ao universo.

Às 21h50, horário marcado para iniciar a aventura, enquanto esperava o transporte, recebi um sinal da natureza de que a noite, de fato, seria mágica e estava com muita sorte: consegui observar a Aurora Boreal desde Reykjavík, a capital da Islândia. Foi de encher os olhos ao ver aqueles dois riscos verdes dançando pelo céu do país. Ao meu redor, na rua, todos olhavam para o alto, incrédulos e apontando seus celulares para eternizar essa imagem. A amostra foi rápida, durou apenas alguns minutos e desapareceu da mesma forma que veio, explicitando o porquê a Aurora Boreal é tão misteriosa.

Para um caçador de primeira viagem, essa pequena amostra foi valiosa, já que é extremamente rara. Devido às luzes da cidade, normalmente, não é possível ter esse privilégio. Por isso, já era o bastante para me considerar sortudo, mas a noite ainda aguardava mais surpresas agradáveis.

 Aurora Boreal Vista da capital da Islândia. Foto: Renan de Souza
Aurora Boreal Vista da capital da Islândia. Foto: Renan de Souza

Emoção

Seguimos com outros “caçadores” pela Rodovia 1, a principal da Islândia, até Ölfus, cidade localizada a cerca de 50 minutos da capital islandesa. Nosso ônibus estacionou em um campo de lava coberto de neve em um breu total. A visão do céu estrelado era um presente. Só essa vista já valia a noite toda.

Primeira Aurora Boreal. Foto: Chiara Fabienne
Primeira Aurora Boreal. Foto: Chiara Fabienne

Saímos da climatização do ônibus para o frio que fazia do lado de fora: -10ºC e sensação térmica de -17ºC por causa do vento forte. Estava vestido dos pés à cabeça, apenas com os olhos de fora.

Depois de 30 minutos no frio e sem Aurora Boreal, alguns resolveram voltar para o ônibus, mas a nossa brava guia, Chiara Fabianne, ficou lá com um olhar atento como se estivesse escaneando o céu em busca do menor sinal da tão esperada Aurora Boreal. Não é possível prever o fenômeno. Há aplicativos que afirmam fazer isso, porém não são exatos. A verdadeira caçada pelas famosas Luzes do Norte, como também é conhecida a Aurora Boreal, exige muita paciência e disposição para enfrentar as baixas temperaturas do inverno, o período mais provável para observar o fenômeno, já que as noites são mais longas.

Uma hora depois, a guia dispara a frase que mais queria ouvir: “Pessoal, está começando”. Olhei e me deparei com aqueles riscos em tom verde e florescente dançando no horizonte daquele céu estrelado. A emoção foi ao nível máximo. Estava acontecendo a tão sonhada Aurora Boreal diante de meus olhos. Pouco a pouco, o breu era tomado por esse espetáculo do universo. Agora mais intenso e um show duradouro, por vários minutos.

Aurora Boreal na Islândia. Foto: Chiara Fabienne
Aurora Boreal na Islândia. Foto: Chiara Fabienne

Observar a Aurora Boreal é uma experiência para a vida toda. “É um sonho que eu tinha desde criança e fiquei muitíssimo emocionado. Fiquei pulando feito doido e apontando para o céu. Você tem ali um misto de sensações e emoções que não tem como explicar. É, realmente, um sonho realizado. É uma experiência única, só entende quem vê”, afirmou o advogado brasileiro Tiago Medeiros Delgado, de 24 anos, que também participou da caçada.

A Beleza da Aurora Boreal na Islândia.  Foto: Chiara Fabienne
A Beleza da Aurora Boreal na Islândia. Foto: Chiara Fabienne

Era quase 1 hora, para mim que sou leigo em Aurora Boreal, já estava emocionado com o que vi, mas nossa guia não estava satisfeita. Pediu mais cerca de 40 minutos para tentar observar outro show de luzes.

A terceira Aurora Boreal

Brasileiro viu a Aurora Boreal pela primeira vez na vida. Foto: Chiara Fabienne.
Brasileiro viu a Aurora Boreal pela primeira vez na vida. Foto: Chiara Fabienne.

Enquanto esperámos, tomamos chocolate quente para esquentar. Alguns minutos depois e, para minha supressa, a guia estava completamente certa. O que viria a seguir era ainda melhor.

Após o chamado de Chiara, voltamos ao gelo. Desta vez, em uma direção oposta, começou outro show de luzes, maior que o último e cortando todo o céu. Era muito mais vibrante e intenso do que a anterior. As luzes dançavam no céu como se estivessem seguindo uma melodia e deixavam rastros que se misturavam com o brilho das estrelas ao fundo. Era um verdadeiro show da natureza desfilando toda sua beleza exuberante e nos deixando boquiabertos.

Ao lado, era possível ouvir pessoas com ares de espanto, choque, emocionadas e até chorando. Sentimentos diversos para um fenômeno tão singular. Para alguns, essa energia misteriosa do universo remete aos entes queridos. “Lembrei muito do meu avô quando eu vi porque acredito que, agora, ele é parte daquele fluxo de luz, de energia, do universo, né?”, afirmou o brasileiro, Tiago Medeiros Delgado, com a voz embargada.

Por volta das 02h30, deixamos a região e retornamos para a Reykjavík. No ônibus, o silêncio demonstrava o quanto todos ainda estavam incrédulos com a experiência de uma vida toda que acabaram de presenciar.

Luzes cortam o céu da Islândia. Foto: Chiara Fabienne
Luzes cortam o céu da Islândia. Foto: Chiara Fabienne

Dica para clicar a Aurora Boreal

Se você também sonha em ver a Aurora Boreal, antes de embarcar para esta aventura, certifique-se de que a agência contratada conta com um fotógrafo profissional ou que você tenha uma câmera profissional. Infelizmente, os aparelhos smartphones não captam o fenômeno já que, para fotografar a Aurora Boreal, é preciso uma exposição longa (entre 10 e 20 segundos), além de um tripé e habilidade para fotografar com pouca luz.

Alguns aplicativos oferecem a possibilidade de registrar o fenômeno, porém câmeras profissionais entregam o melhor resultado.

Como acontece?

Segunda Aurora Boreal da noite. Foto: Chiara Fabienne
Segunda Aurora Boreal da noite. Foto: Chiara Fabienne

O nome Aurora Boreal, batizado por Galileu Galilei, é uma homenagem à deusa romana do amanhecer, Aurora, e ao deus grego Bóreas, responsável pelos ventos fortes. O Sol produz os chamados ventos solares que são atraídos e se chocam com os campos magnéticos da Terra produzindo o espetáculo natural nos céus. Geralmente, são em tom esverdeado, mas também podem ser rosa ou vermelho. Não é um fenômeno exclusivo do nosso planeta. Também acontece em Júpiter, Saturno, Marte e Vênus. Por aqui, só é possível observá-las nas proximidades dos polos da Terra em países como Canadá, Finlândia, Noruega, Suécia, Groenlândia, Islândia e Rússia (Sibéria) e Estados Unidos (Alasca).

Posso fazer as malas e ver a Aurora Boreal o ano todo?

Teoricamente, ela acontece sempre, mas depende de algumas condições, entre elas: céu limpo e claro, ausência de lua cheia e é preciso estar em uma região escura. As luzes de grandes cidades, por exemplo, impedem a visualização do fenômeno. Por isso, a dica é sempre fugir delas. Buscar pela Aurora Boreal é como jogar na loteria, também depende de sorte e de uma ajudinha de São Pedro com as condições climáticas.