Atriz italiana Gina Lollobrigida, ícone do cinema pós-guerra, morre aos 95 anos

Atriz Gina Lollobrigida acena ao público ao chegar para evento em Monte Carlo em 2014

Por Philip Pullella

ROMA (Reuters) - A atriz italiana Gina Lollobrigida, uma diva que passou a representar o vibrante renascimento da Itália após a Segunda Guerra Mundial, morreu aos 95 anos, disse sua ex-advogada nesta segunda-feira.

Após um passado humilde, Lollobrigida contracenou com estrelas de Hollywood como Humphrey Bogart, Rock Hudson, Burt Lancaster, Tony Curtis e Frank Sinatra, tornando-se um dos ícones do cinema mais reconhecidos dos anos 1950 e 1960.

Mas ela nunca realmente se adaptou ao sistema de estúdio de Hollywood e seus filmes mais conhecidos continuam sendo aqueles que fez com diretores italianos antes e depois de sua passagem pelos Estados Unidos.

"La Lollo", como é carinhosamente conhecida na Itália, morreu em uma clínica em Roma, disse a advogada Giulia Citani.

Lollobrigida tornou-se fotógrafa e escultora depois de se afastar do mundo do cinema. Em setembro passado, ela não obteve sucesso em uma tentativa de conquistar uma cadeira no Senado italiano por um partido político de esquerda nas eleições nacionais.

Um porta-voz de Sophia Loren, outra superestrela do pós-guerra na Itália, disse que Loren, 88 anos, ficou "muito chocada e triste" com a morte de Lollobrigida.

"La Loren" e "La Lollo" tiveram uma rivalidade contínua nas décadas de 1950 e 1960, em grande parte incentivada, e alguns dizem até pelo menos parcialmente inventada, por agentes de publicidade.

"Adeus a uma diva da tela grande, protagonista de mais de meio século da história do cinema italiano. Seu charme permanecerá imortal. Ciao Lollo", escreveu o ministro da Cultura italiano, Gennaro Sangiuliano, no Twitter.

Quando parou de fazer filmes em tempo integral, Lollobrigida desenvolveu novas carreiras como fotógrafa e escultora e também foi embaixadora da boa vontade do Fundo da Organização das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e sua Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Entre 1972 e 1994 ela publicou seis livros de suas fotografias, incluindo Italia Mia (Minha Itália).

Em 1975 ela fez um documentário "Retrato de Fidel Castro", e durante anos houve rumores de que ela teve um caso com o líder cubano.

Em seus últimos anos, ela passou grande parte de seu tempo dividida entre uma vila isolada atrás de muros na antiga Via Ápia de Roma, na parte sul da capital italiana, e a colônia de artistas toscanos de Pietrasanta, onde mantinha um estúdio de esculturas.

Quando questionada sobre como se sentiu ao completar 90 anos em 2017, ela disse que estava se sentindo como "30 + 30 + 30".

(Reportagem de Philip Pullella)