Curada, atriz Simone Zucato produz peça e se preocupa com teatros vazios após pandemia

Atriz está curada de COVID-19. Foto: Divulgação.

Por Paulo Pacheco


A atriz Simone Zucato entrou para uma estatística positiva em meio à pandemia do novo coronavírus. A artista de 44 anos recebeu o diagnóstico positivo para COVID-19 e conseguiu se recuperar - e é uma das 30 mil pessoas curadas no Brasil.

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Para a atriz, que recentemente também se tratou contra um câncer de mama, a quarentena prejudicou sua agenda, mas foi necessária para refletir sobre a relação do ser humano com o meio ambiente.

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"Mexeu muito comigo em dois pontos. O primeiro foi ter me dado conta de que não temos o controle de nada e que tudo pode mudar de uma hora para outra. Tivemos todos que parar, que postergar nossos planos. E o que também tem mexido comigo são as mudanças na natureza. Comecei a prestar mais atenção a alguns fenômenos que vem acontecendo e o quão importante tem sido essa pausa para o planeta", explica

E continua: "Sempre tentei falar sobre isso: faço o que posso para preservar o meio ambiente, mas estou mais atenta agora e quero poder fazer mais, me dedicar mais a essa causa. Eu acredito que esse vírus veio para mudar muita coisa. É uma pausa necessária para a humanidade e para o planeta, para a natureza", analisa ao Yahoo!.

Simone descobriu estar com coronavírus ao ter os primeiros sintomas: fortes dores de cabeça, tosse, anosmia (perda do olfato), febre alta e dificuldade para respirar. Um teste confirmou o diagnóstico. Agora recuperada, ela acredita que a COVID-19 a desafiou mais do que tumor maligno que descobriu ter antes de entrar na novela "O Sétimo Guardião", da Globo.

"Estar longe da minha família me deixou um pouco receosa, pois quando ficamos doentes é bom ter pessoas em casa, cuidando da gente. Quando você se vê longe dos que ama, com uma doença da qual ainda não se sabe tudo, não tem um tratamento específico e pode matar, é normal fica preocupado, é natural. Meu maior receio era que eu tivesse problemas respiratórios mais graves e tivesse que ser tratada em um hospital, que precisasse de ajuda de aparelhos para respirar", afirma.


O tratamento da atriz incluiu alimentação balanceada, com alimentos ricos em vitamina C para reforçar a imunidade e muita hidratação. Também procurou tomar sol, fazer exercícios e meditar. Simone ressalta que o mais importante neste período é respeitar o isolamento social para evitar a propagação do vírus.

"Praticamente não saio desde que fui liberada depois do vírus, e quando saio me protejo ao máximo com luvas, máscara, mangas compridas, cabelo preso. Quando saio é apenas para ir ao mercado e à farmácia, e procuro seguir todas as orientações para sair e quando retorno para casa também", explica.

Mesmo em casa respeitando o distanciamento social, Simone não deixa de trabalhar. Após uma temporada bem-sucedida da peça "Sylvia", que produziu e protagonizou, ela começou a viabilizar seu retorno aos palcos com uma história envolvendo outra preocupação de interesse público: autismo.

"Eu ainda quero voltar com 'Sylvia', e também estou na fase de captação de recursos para a minha próxima peça: 'Uma História de Todos', que fala sobre uma família que tem uma criança autista e das dificuldades no sentido de adaptação, de inserção, de cuidados; e desafios que o autismo ainda traz. Já estou produzindo essa peça há oito anos, mas no Brasil é difícil atrair o interesse de empresas patrocinadoras para um tema assim. A maioria delas prioriza as comédias e o teatro musical, considera os dramas pesados para a nossa realidade. Vejo os textos dramáticos como necessários para qualquer público, além de muitos deles terem um alívio cômico que traz mais leveza para a peça. Meu intuito é trazer informação para o público, é esclarecer dúvidas e auxiliar as famílias que tenham uma criança autista de alguma forma", conta.

A atriz avalia que as atividades culturais, principalmente peças e shows que reúnem centenas ou milhares de espectadores, precisarão se reinventar após a pandemia, porque o público poderá sentir receio de se aglomerar mesmo sem a ameaça do coronavírus.

"Tenho uma preocupação de como será essa retomada do público ao teatro, pois é algo que já estava ficando escasso nos últimos meses antes da pandemia. Eu acho que vamos ter que fazer um trabalho de formiguinha, pois as pessoas terão medo de lugares com aglomerações, acredito. Precisaremos nos reinventar em alguns sentidos para conseguirmos trabalhar e também ter muita cautela, me refiro a medidas de higiene e prevenção. No início, acho que pode ser arriscado investir, vai ser mais difícil, sim, lotar teatros, mas com o tempo tudo ficará bem. As coisas vão voltar a ser como eram, e até melhores. Acredito que precisaremos de tempo!", projeta.

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