Atriz agredida por ex-diplomata diz que ele 'abriu a cabeça' de sua cachorra

Foto: Reprodução/Instagram
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Após expor seu caso de violência doméstica no “Fantástico”, a atriz Cristiane Machado deu ainda mais detalhes sobre o relacionamento violento e abusivo que viveu com o ex-diplomata Sergio Schiller Thompson-Flores, que se entregou para polícia na última segunda-feira (26). Ao todo, foram dois episódios de agressão durante quase dois anos de relacionamento — no primeiro, ele foi preso em flagrante, pagou fiança de R$ 1500 e voltou para residência do casal.

“Estou viva porque Deus me ajudou. Não tinha a menor dúvida de que ele iria me matar. Ele não me deixava sair, fiquei em cárcere [durante a segunda agressão]. Chegou um momento que ele apertou tanto meu pescoço, que não conseguia respirar”, disse a atriz, em entrevista à Luciana Gimenez na última segunda.

Cristiane viveu o famoso ciclo da violência – no início, o parceiro envolve a vítima com carinho e amor; depois surgem as ofensas até que ocorre a agressão. O abusador, no entanto, pede desculpas e diz que está em um momento ruim e tomado por tensão. Volta a ser carinhoso, até que o próximo episódio violento acontece.

A primeira agressão veio logo depois da união no civil. “Um dia, ele chegou estressado do trabalho, perguntei o motivo, ele me deu um empurrão e o primeiro tapa na cara”.

Começa muito sútil. Com um empurrão, uma palavra grosseira

“Ele me diminua, me chamava de burra. Não gostava do meu trabalho, queria me tirar da vida de atriz. Toda vez que discordava dele, brigávamos. Não podia mais ter senha no celular, porque ele queria ter acesso”, lembra.

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Ameaçou matar sua família

Para proteger sua família, a si mesma e conseguir provar na Justiça o que sofria, ela instalou câmeras no quarto do casal.

“Não me sinto segura, meu emocional está abaladíssimo, me preocupo com meus pais e não sei como vou reconstruir minha vida. Tenho um áudio dele ameaçando me matar e matar minha família. Foi depois disso que resolvi colocar as câmeras. Porque o Sérgio é um lord. Quem o conhece acha ele uma pessoa altamente inteligente, todo mundo gosta dele. É influente, que se acha acima do bem e do mal. Era uma forma de me precaver. ‘Faz alguma coisa contra mim, morre sua família inteira’”, dizia ele para mim.

Hematomas

“Não tenho imagens, mas o Sérgio bateu na minha cabeça e criou um coágulo no meu tímpano direito, que ainda não consegui fazer o teste para ver quanto de audição perdi. O coágulo perfurou o tímpano. E só agora categorizaram como feminicídio”, contou a atriz, que chegou a ir cinco vezes na delegacia.

Ela relatou que ao todo foram seis celulares quebrados em surtos de ciúme, e que o ex-marido também chegou a bater na cachorra. “Abriu a cabeça dela”.

É preciso falar

“Mesmo vivendo com vergonha, porque sou atriz, acabei de casar… precisava falar. Contei porque tinha medo da influência dele, do dinheiro que ele tem, de como ele poderia manipular isso. Tinha muito medo da minha vida porque será que conseguiria ser protegida?”, questionou Cristiane, que ficou cinco horas na delegacia da mulher para fazer a segunda denúncia contra o ex.

“Quero dizer para todas mulheres que sou uma sobrevivente e que elas também podem mudar a história delas. A minha vida está devastada, estou triste, meu emocional está abalado, mas a gente tem que acreditar que podemos transformar a nossa vida. Não podemos ficar presas na gaiola. Meu coração ainda está tentando entender”. Cristiane explicou que o ex não aceitava não, inclusive, em relação a sexo. “Não podia dizer não”.

Tenho medo de morrer ou dele fazer isso [matar] meus pais

Desamparada

Após o segundo episódio de agressão, Cristiane conta que não recebeu o apoio da família do ex. Segundo ela, nenhum telefonema. “Impressionante como a gente se sente sozinha.” Sérgio estava foragido desde agosto — o casamento no religioso ocorreu em novembro — e mesmo assim continuava exercendo controle sobre ex.

Antes dele se entregar, ele mandou um WhatsApp para mim, mas não consegui visualizar antes dele apagar“, disse, ela que citou o apoio de um dos funcionários da casa que moravam no Rio de Janeiro.

Ele foragido me controlava pelo caseiro. Era a prisioneira e ele a pessoa livre

“Tenho marcas no corpo que vou carregar para sempre, além das emocionais.”

Denuncie

Está passando por violência, ligue para Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência – 180.