Ator Marcos Breda rebate ano sem emprego com consultas astrológicas

LEONARDO VOLPATO
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*ARQUIVO* COTIA, SP, BRASIL, 16/12/2017 - o ator Marcos Bredao. (Foto: Greg Salibian/Folhapress)
*ARQUIVO* COTIA, SP, BRASIL, 16/12/2017 - o ator Marcos Bredao. (Foto: Greg Salibian/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meados de março, quando a pandemia do novo coronavírus começava a afetar as produções dramatúrgicas, o ator Marcos Breda, 60, percebeu que sua rotina iria mudar. As oportunidades e os trabalhos nessa área tiveram de ser paralisados e ele se viu durante um tempo sem saber como agir.

Respeitando a quarentena, diz que só saia de casa para ir ao mercado, à farmácia e para fazer sua tradicional corrida "dia sim, dia não" ao redor da lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, sempre de máscara. Mas, com o passar dos meses, o artista percebeu que a ociosidade o fazia mal e os pequenos trabalhos como locutor no estúdio improvisado dentro de seu armário não seriam suficientes para pagar as contas.

Foi então que, em agosto, resolveu colocar em prática todo o aprendizado sobre astrologia que teve desde 1987. Até então, Breda só fazia mapas astrais para amigos e para dar de presente para mães grávidas que queriam saber o que os astros reservavam para o novo herdeiro. Com a pandemia, o hobby virou profissão.

"No início de março, eu rodaria o longa 'Lulli', de César Rodrigues, de temática jovem, com a Larissa Manoela como protagonista. Foi interrompido faltando três dias para o início das gravações", afirma. A produção foi retomada em novembro, mas Breda não ficou esperando parado e começou a fazer consultas online nesse período.

"O ano era para ser cheio de trabalho e virou sabático. E a astrologia deu muito certo quando comecei a fazer profissionalmente, já que precisava pagar contas. É por vídeo, uma consulta que dura 90 minutos e que divido em três partes: explico o que é mapa astrológico, depois falo do mapa da pessoa e levanto possibilidades. Na sequência abordo as direções, progressões e processos pelos quais ela poderá passar no futuro", explica o ator que também tem gravado áudio livros.

Marcos Breda comemora já ter feito ao menos 150 mapas astrais em três meses, o que dá uma média de 50 clientes por mês. E ele nem precisa mais divulgar nas redes sociais o novo trabalho que faz. "O boca a boca tem gerado o melhor feedback. Quem já fez indica outros. Às vezes não tenho dado conta. Estruturei uma metodologia pessoal e tem funcionado", afirma ele, que é contatado pelo Instagram, cobra em média R$ 300 e já está com a agenda lotada.

O trabalho de ator, no entanto, não foi esquecido e já voltou a fazer parte da rotina de Breda neste final de ano. Atualmente, ele ensaia virtualmente uma peça e se prepara para que os encontros se tornassem pessoais. A estreia será em 2021. Mas ele revela que não vai deixar de fazer sua consulta. Mesmo quando tiver de se jogar em mais uma função que adora: a de piloto de kart.

"A partir de janeiro começa a terceira edição do torneio brasileiro de kart de artistas. Terá Caio Castro, Marcos Pasquim, Rafael Cardoso. Eu já fui bicampeão, e a garotada quer comer meu fígado. Em busca do tri", brinca.

'JAMAIS VOU PARAR DE ATUAR'

Apesar de o ano de 2020 ter sido com poucas oportunidades para Breda quando o assunto é atuação, a paixão pela dramaturgia faz parte de seu sangue. E o ano de 2021 deverá reverter tudo o que ele deixou de fazer na TV, teatro e no cinema.

De acordo com ele, nunca lhe faltou trabalho como nesse ano. "Conheço muita gente em cinema, teatro. Na TV, faço uma média de uma novela a cada dois anos. Em teatro é mais de uma peça por ano. Nos últimos dois anos eu filmei oito longas que ainda estão para lançar. E devo fazer uma novela no ano que vem", comenta.

E por falar em TV, em 2022 Breda completará 40 anos de televisão. O artista já passou por quase todas as emissoras: Globo, SBT, Record, Bandeirantes, Manchete e TVE. E esteve em novelas como "Mandala" (Globo, 1987), "Vamp" (Globo, 1991), "Senhora do Destino" (Globo, 2004), "Amor e Revolução" (SBT, 2011) e mais recentemente "O Rico e Lázaro" (Record, 2017). Nesta última, ele pôde contracenar com o próprio filho, Daniel, 14.

"Jamais vou parar de atuar. Comecei com 20 anos. Fiz 42 peças de teatro, mais de 30 filmes e 30 novelas. É uma vida toda trabalhando com isso. Adoro e vou conciliar com a astrologia até o fim dos meus dias", finaliza.