Ator, diretor e militante: trajetória de Sérgio Mamberti marcou a cultura brasileira

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Sérgio Mamberti (Reprodução SESC)
Sérgio Mamberti (Reprodução SESC)

Sergio Mamberti, de 82 anos, faleceu na madrugada desta sexta-feira. Segundo o filho do ator, Carlos, o pai estava intubado desde o o dia 28 de agosto, em um hospital da rede Prevent Senior, na capital paulista, com uma infecção nos pulmões. O filho caçula do ator, Fabricio, já havia afirmado que 2021 foi um ano difícil para o pai, com três internações seguidas. 

"Este ano tem sido duro para ele. Já teve três internações. Na penúltima [em julho], teve uma pneumonia, resolveu e voltou para casa. Mas foram muitos remédios, e isso acabou afetando um pouco os rins dele. Ele passou três semanas em casa e começou a ter disfunção renal, o que alterou a pressão. Novamente, teve que voltar para a UTI. E, como fica numa posição sem muito movimento, novamente o pulmão começou a ter água e, com isso, se formou uma nova pneumonia", explicou Fabricio.

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O artista, reconhecido por papéis de destaque na TV, como o mordomo Eugênio, na novela "Vale Tudo"; e Doutor Vitor, no "Castelo Rá-Tim-Bum", é um dos atores mais emblemáticos da cultura brasileira, com passagens pela televisão e teatro. O artista também teve uma forte atuação política, ocupando vários cargos no Ministério da Cultura.

Mamberti fez sua estreia na carreira em 1963, no teatro, com a peça "Antígone América", escrita por Carlos Henrique Escobar, produzida por Ruth Escobar e dirigida por Antônio Abujamra. No cinema, atuou em várias produções marcantes, como "O Bandido da Luz Vermelha", de 1969; "Toda nudez será castigada", de 1973; e também em roteiros infantis, como nos filmes "Xuxa Abracadabra" e "O cavaleiro Didi e a princesa Lili".

Carreira na televisão

Sergio Mamberti se formou pela Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo (USP) em 1961, e logo engatou uma carreira bem sucedida no teatro. O ator fez parte de encenações de 'Navalha na Carne', de Plínio Marcos, em 1968, 'O Balcão', de Jean Genet, de 1969, 'Hamlet', de Shakespeare, de 1984, Tartufo, de Molière, de 1985, e 'O Evangelho Segundo Jesus Cristo', de José Saramago, em 2001.

Além da atuação, Mamberti participou de projetos de revitalização e popularização de teatros antigos, investido na educação e formação de novos atores. Em 2019, estreou, ao lado de Rodrigo Lombardi, a premiada “Um panorama visto da ponte”.

Televisão

Um de seus primeiros papéis foi como João Semana em “As Pupilas do Senhor Reitor” (1970). O ator também participou de tramas como 'Vale Tudo', na qual imortalizou o mordomo Eugênio, 'Anjo Mau' (1997) Pantanal (1999), 'A Muralha' (2000), 'Estrela Guia' (2001), 'O Clone' (2001), 'Da Cor do Pecado' (2004).

Em seu papel mais famoso, Mamberti divertiu gerações com o Dr. Victor do 'Castelo Rá-tim-bum'. O ator também participou de 'A Diarista' e 'Os Normais', além da série brasileira '3%', da Netflix.

Cinema

Mamberti estreou nas telonas em 1966 com a comédia 'Nudista à força', e fez sucesso em longas como 'O Bandido da Luz Vermelha' (1968), 'Toda Nudez Será Castigada' (1973), 'A Hora da Estrela' (1985), 'A Dama do Cine Shangai' (1987) e 'Xuxa Abracadabra' (2003).

Carreira política

A carreira política de Mamberti sempre andou lado a lado com sua atuação artística, desde a época em que o ator e diretor começou o trabalho de resgatar teatros populares antigos no Brasil e facilitar a formação de novos atores e público consumidor de arte. Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), presidiu três secretarias no Ministério da Cultura (Música e Artes Cênicas, Identidade e Diversidade Cultural e Políticas Culturais, além de ter atuado como presidente da Fundação Nacional de Artes.

Apoiador declarado do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, Mamberti mobilizou artistas e trabalhadores culturais em prol da elegibilidade de Lula em 2018. “Nós, artistas e intelectuais, vamos levar o nosso apoio ao presidente Lula, qualquer que seja o resultado deste julgamento parcial que está sendo feito. Então, não nos curvamos", afirmou na época.

Vida pessoal e bissexualidade

Sergio Mamberti se casou em 1964 com Vivien Mahr e teve três filhos: Duda, Fabrício e Carlos. Vivien morreu cedo, aos 37, e o ator falou em sua autobiografia da dificuldade de ver sua companheira definhar devido à uma insuficiência cardíaca crônica.

Mamberti e Torquato (Reprodução Sesc)
Mamberti e Torquato (Reprodução Sesc)

''O impacto que senti com a partida dela foi muito forte. Por outro lado, senti um grande alívio. Os dois últimos anos haviam me afetado profundamente, como também foram marcantes na vidados meninos. Afinal, não é fácil ver a mãe tão doente, definhando a cada dia. Acho que, intuitivamente, Carlinhos e Fabrício (os filhos) também sabiam que, em pouco tempo, ela não estaria mais conosco", afirmou.

Após a morte de Vivien, em 1980, o ator conheceu Ednaldo Torquarto durante uma viagem e logo se apaixonou. Os dois ficaram juntos por 37 anos, até o falecimento de Torquarto em 2019. Mamberti afirmou que nunca escondeu de sua família e amigos que era bissexual, e falou abertamente sobre o amor que tinha pelo companheiro.

''Como é que eu ia esconder dos meus filhos que eu estava com um companheiro, sendo que ele morava comigo?'', disse Sergio no livro, explicando ainda que sempre foi bem resolvido com sua bissexualidade, apesar de ter escolhido por não falar da orientação sexual abertamente: ''Não adianta esconder porque a qualquer hora isso pode vir à tona. Talvez a gente tenha tido, em alguns momentos, que enfrentar determinados problemas, mas muito menores do que se eu tivesse tentado esconder.''

*Com informações do Extra

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