Ator de 'Alex Rider' diz que esqueceu livros, filme e pressão dos fãs 'para não ficar louco'

VITOR MORENO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Fenômeno mundial, o espião adolescente Alex Rider já emprestou seu nome para 13 livros (além de uma infinidade de outros produtos) e vendeu mais de 20 milhões de cópias ao redor do mundo. Porém, ao contrário do bruxo Harry Potter -outro sucesso surgido na literatura britânica no mesmo período-, ainda não havia emplacado um grande sucesso audiovisual. A adaptação cinematográfica de 2006 ("Alex Rider Contra o Tempo") ficou aquém do esperado nas bilheterias e foi espinafrada pelos críticos, o que fez o estúdio cancelar as sequências. Agora, a franquia ganha nova chance nas telas com a série "Alex Rider", que chega ao Brasil nesta sexta-feira (13) pela Amazon Prime Video. A trama é baseada no segundo livro, "Point Blanc", que traz o personagem-título infiltrado em um internato isolado nos Alpes franceses para onde os bilionários mandam seus filhos rebeldes. Mas também mostra um pouco da gênese do protagonista e como ele entra no mundo da espionagem. O ator Otto Farrant, 23, que interpreta Alex na série, conta que soube que estavam procurando alguém para viver o personagem em outubro de 2018. Na época, pensou que não tinha a menor chance. "Meu primeiro pensamento foi que eu era muito velho para o papel", afirma em bate-papo com a imprensa internacional, do qual a Folha de S.Paulo participou. Nos livros, o personagem tem 15 anos. Mesmo assim, ele foi passando nos testes e, no final, diz que foi colocado em uma sala com diversas opções de atores para interpretar Alex, além do melhor amigo dele, Tom, e da cuidadora dele, Jack. Além dele, foram escolhidos Brenock O'Connor e Ronke Adékoluejo, respectivamente, para os papéis. Farrant conta que era fã dos livros. "Li quando estava na adolescência. Todo mundo conhece o nome Alex Rider, quero dizer, era muito comum as pessoas [dessa idade] lerem os livros." Mesmo tendo essa devoção pelo personagem, ele diz que tentou não ficar amarrado à ideia preconcebida. "Não fui para a série com a ideia de que queria recriar o que estava nos livros. Queria ser fiel a ela e manter os valores fundamentais de Alex, mas dar o meu próprio toque." Ele diz acreditar que seu papel tem dois lados. "Ele é sensível, vulnerável e não recebeu muito amor durante a vida. Mas ao mesmo tempo, ele é duro, determinado e resiliente", avalia. "Nem sempre você quer ver o herói que salva o dia, às vezes você quer ver alguém que tem dúvidas." "Tentei definitivamente tirar o filme [da mente], mas também manter os livros a certa distância e usar os roteiros como minha fonte principal de inspiração", afirma. Outra coisa que ele tentou não pensar muito foi nas expectativas dos fãs. "Realmente me importo com o que os fãs acham e realmente quero que eles amem da série", diz. "Mas quando você está gravando uma série, se você pensar nisso todo dia você vai ficar um pouco louco." Apesar de ter começado na carreira aos 11 anos, ele diz que pegar um papel tão icônico representou um grande passo para ele. "É um papel que exige muito, exigência física, exigência emocional", avalia. "Demorou umas duas semanas para me acostumar com a rotina de intensa das gravações. Mas consegui e amei fazer. Então, sim, como o Alex, eu me senti jogado nesse mundo estranho que tive de conquistar." Para o papel, ele aprendeu a escalar e treinou Krav Magá, treinamento israelense de autodefesa, além de ter malhado com um personal trainer. Farrant diz, porém, que uma parte importante da preparação foi se aproximar do parceiro de cena, Brenock O'Connor, 20, já que eles precisavam demonstrar intimidade em cena. O'Connor, que também leu os livros quando estava no colégio ("acho que não tinha ninguém da sala que não leu ou que pelo menos não sabia quem era Alex Rider"), chegou a fazer testes para o papel principal, mas acabou se encontrando como o amigo meio nerd do espião. "O Tom é assustadoramente parecido comigo quando tinha 16 anos", afirma. O ator já esteve em outra adaptação literária para a televisão, "Game of Thrones", mas o personagem dele, Olly, não existia no texto original de George R. R. Martin. Mesmo agora tendo essa fonte primária de inspiração, ele lembra que seu personagem é bem diferente do que aparece nos livros. "[No texto,] ele é muito parecido com o Alex", diz. "É loiro, atlético e esportivo." "Tive que começar do zero de novo, claro, a partir dos roteiros incríveis que nós tínhamos", afirma. "É um desafio diferente pegar um personagem que existe e tentar fazer justiça a ele e criar um personagem. Sempre será mais divertido criar um personagem do que algo que já existe, porque há mais liberdade." Ele também conta que o autor, Anthony Horowitz, levou a dupla para almoçar logo depois que eles conquistaram os papéis. "A primeira coisa que ele disse quando nós sentamos foi: 'Não vão ferrar tudo'", riu. "Acho que foi um bom conselho." "Depois ele explicou que queria que nos sentíssemos completamente livres para nos divertirmos com os personagens", relata. "Ele viu o nosso trabalho e o que trouxemos para os personagens. E só queria que nós soubéssemos que ele não via ninguém melhor para assumir esses papéis e se divertir com eles." Parece que deu certo. A série já garantiu uma segunda temporada. De acordo com a Amazon Prime Video, ela será baseada no livro "Eagle Strike", quarto livro da franquia.