Na contramão das recomendações, bolsonaristas incentivam manifestações do dia 15

Deputados bolsonaristas e mesmo os organizadores do evento estudam a possibilidade de cancelar as manifestações. (Foto: Reuters/Sergio Moraes)

Enquanto deputados aliados do governo e os próprios organizadores dos atos marcados para o dia 15 de Março debatem a possibilidade de cancelamento diante da pandemia de coronavírus, seguidores do presidente Jair Bolsonaro alimentam no Twitter a hashtag #Dia15VaiSerGigante.

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O assunto figurou na tarde desta quinta-feira (12) entre os Trending Topics e reunia, até as 17h20, mais de 58,6 mil postagens com a tag. O aumento no número de casos confirmado de covid-19 no Brasil, atualizados para 77 nesta quinta, fez com que o Ministério da Saúde alertasse para o risco de transmissão.

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"O Ministério da Saúde não manda em ninguém. O Brasil segue funcionando, as pessoas seguem andando em ônibus, por exemplo. Mas, o meu conselho é: se você está resfriado, não vá. Se for, busque não ficar em aglomerações, lave as mãos e use álcool em gel. Ontem o Maracanã recebeu 63 mil pessoas. Não deve ter sido uma entrada distanciada, seguindo os protocolos. Nós precisamos seguir as orientações", afirmou o ministro Luiz Henrique Mandetta.

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A possibilidade de esvaziamento e até o cancelamento das manifestações começou a ser debatido entre deputados bolsonaristas em grupos de WhatsApp. O deputado Bibo Nunes (PSL-RS) diz que, em grupo de Whatsapp da bancada bolsonarista, essa postura já ganhou adesão.

“Há deputados que já estão se manifestando para suspender. Muitos estão pensando nisso. Há esse movimento. Acho que tem lógica, porque temos que preservar em primeiro lugar a saúde da população. Suspender pela saúde da população vai até somar à imagem de quem apoia Bolsonaro. Temos que pensar no bem da população”, diz Bibo Nunes.

ORGANIZADORES

Os grupos que organizaram as manifestações avaliam cancelar os eventos em razão dos últimos episódios de coronavírus. “Tudo mudou de ontem para hoje”, falou Marcos Bellizia, do Nas Ruas. Até o início da semana, a chance de cancelar os atos, que devem protestar contra o Congresso e Judiciário, era remota.

Antes da piora na situação, agora classificada como pandemia pela Organização Mundial da Saúde, os movimentos buscavam um aval do Ministério da Saúde para os protestos.

O Avança Brasil, um dos movimentos que devem participar dos atos do domingo, falou que enquanto não houver uma nova orientação do governo, o protesto está mantido. A entidade, porém, compartilhou um vídeo nesta quinta incentivando as pessoas a participarem dos protestos.

Já os movimentos de esquerda, que organizam protestos para o dia 18, também avaliam se poderão realizar as manifestações marcadas para este dia.