Até quando o Big Brother Brasil vai dar palco para agressores?

Hadson Nery (Foto: Instagram)

O 'Big Brother Brasil 20' começa nesta terça-feira (21) já com polêmica. Isso porque um dos participantes tem passagem na justiça por agredir a sua ex-mulher. Hadson Nery, ex-jogador de futebol, foi denunciado por Elen Cristina Vara, em 2018. 

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A questão é que esse tipo de histórico não é incomum para o reality show da Globo. Aliás, casos de violência contra a mulher já surgiram mais de uma vez no programa, mas, ao que tudo indica, a emissora não vê problemas em selecionar participantes com questões como essa no seu passado. 

Na edição de 2019, por exemplo, o acreano Vanderson Brito foi retirado do programa depois de ser acusado de estupro, importunação sexual e agressão física. As acusações foram feitas um dia antes dele entrar na casa, mas, ainda assim, sua participação ficou garantida até que não houvesse outro jeito.

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Em 2017, o caso chegou a ser público. Marcos Hater é um dos personagens mais polêmicos da história do BBB, protagonizando um relacionando dentro da casa que mostrou, de forma bastante escancarada, o que é e como funciona um relacionamento abusivo - inclusive com agressões físicas. O participante acabou expulso da atração e a Polícia Federal precisou intervir. Poucos meses depois, a surpresa: o médico foi chamado para participar de outro reality show semelhante, 'A Fazenda', da Record. 

Esta edição do programa da emissora de Edir Macedo, aliás, contou com mais uma participação polêmica: Yuri Fernandes, que tinha sido detido sob a acusação de bater na então namorada, Angela Souza, dançarina do Faustão. 

Responsabilizar os agressores pelo que fazem é o mínimo que esperamos em uma sociedade saudável (mas já temos provas de que, muitas vezes, esse não é o caso do Brasil). Mas não para por aí. As próprias emissoras também precisam se responsabilizar pelas personalidades que decidem colocar nos seus programas de TV e, claro, pelo o que oferece ao público. 

Em alguns casos, fica muito claro quando as próprias emissoras querem se valer de uma polêmica para aumentar a audiência - no caso de Marcos, ficou óbvio a inação da Globo diante de uma situação extrema, que colocava em risco a vida e integridade de outra participante. 

A Record, claro, pegou o bonde e se aproveitou da situação para garantir público para o seu próprio programa de TV. Em outras ocasiões, sabe-se que a incitação à provocações e desentendimentos é inclusive incentivada, em nome de bons números no IBOPE. É quando as brigas acontecem e a casa "pega fogo" que a audiência cresce. 

Porém, a que custo isso acontece? existem, no próprio BBB, outros casos de violência e abuso contra a mulher. Vale lembrar também o caso de Laércio de Moura, do 'BBB16', que foi acusado de pedofilia ainda dentro de casa. Por lá, ele chegou a comentar que gostava de meninas mais novas, o que deixou os confinados intrigados. 

Do lado de fora, a polícia começou uma investigação oficial, que culminou com a prisão do ex-BBB em maio daquele ano (2016), sob a acusação de oferecer bebidas alcóolicas a menores de idade e abusar de uma menina de 13 anos. Ele foi condenado a 12 anos de prisão. Antes de entrar no confinamento, porém, os sinais estavam lá: ele seguia páginas nas redes sociais de exaltação à etnia branca, ao uso de armas e a atração sexual por adolescentes. 

O que vale em nome da audiência? Será que programas como o BBB ainda merecem espaço na televisão se vão continuar a passar o pano para agressores? A mensagem que isso passa (porque sempre tem uma mensagem) é que tudo bem você levar sob o braço acusações de agressão contra mulheres, desde que isso renda audiência ao programa no futuro. Isso lhe garante fama, dinheiro e carinho do público. Agora, essas mulheres, o que elas vivem e o que merecem, fica completamente esquecido sob o peso de, um dia, ter acusado um homem de agressão, estupro ou abuso sexual.