Homem planejou ataques com ácido para assustar ex-mulher, diz delegado

Uma das vítimas mostra o casaco corroído pelo ácido (Foto: Arquivo Pessoal)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Polícia acredita que ele decidiu atacar pessoas com ácido para convencer a ex-mulher de que Porto Alegre é uma cidade perigosa

  • Empresário de 48 anos confessou a autoria dos crimes

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu que o autor dos cinco ataques com ácido que aconteceram em Porto Alegre em junho planejou os crimes. Após três meses de investigação, os investigadores trabalham com a hipótese de que o objetivo do empresário de 48 anos era amedrontar a ex-mulher para que ela se mudasse com ele para Curitiba.

O casal se separou pouco antes das datas dos crimes, e ela tinha uma medida protetiva contra ele. O delegado Luciano Coelho afirma que a motivação ainda está em processo de apuração, mas adianta a principal teoria:

"Querer demonstrar que aqui não era seguro. Os endereços têm uma relação com ela, todos os endereços do ataque têm uma relação com ela. Tudo leva a crer que a motivação seja essa", declara ao G1.

Os ataques aconteceram nos dias 19 e 21 de junho deste ano. No primeiro, na noite do dia 19, um homem de bicicleta passou por uma mulher e jogou a substância no rosto dela. Dois dias depois, outros quatro ataques foram registrados num período de uma hora, e em todos o agressor estava de carro. As vítimas tiveram lesões no corpo e no rosto.

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De acordo com as investigações da Polícia Civil, o suspeito alugou três carros em diferentes locadoras entre os dias 15 e 25 de junho. Um deles é um Hyundai HB20 branco, que aparece em imagens de câmeras de segurança no local do crime, no dia 21. O veículo teve as placas adulteradas, e o delegado explica que no local onde o suspeito foi encontrado havia materiais que permitiriam a troca:

"Dá para perceber que ele premeditou todos os fatos, desde a subtração da placa, para depois fazer a substituição, a compra do ácido, aquele kit [apreendido com o suspeito] tem todos os elementos para fazer a adulteração da placa.”

As placas que foram colocadas no carro haviam sido furtadas no município de Sapucaia do Sul, onde esteve um dos outros veículos alugados pelo homem. Esse seria o carro utilizado no primeiro ataque, antes de o agressor pegar a bicicleta.

Outras evidências ligam o homem ao crime: logo após os ataques, o empresário foi para Curitiba. No dia em que retornou, uma carta enrolada em uma pedra foi jogada no pátio de uma residência. O autor ordenava que o morador da casa jogasse ácido em outras pessoas na rua, e o ameaçava caso não cumprisse a ordem. O texto, entregue à polícia, apresenta erros de ortografia semelhantes aos encontrados em postagens nas redes sociais do suspeito. O GPS do terceiro veículo alugado indica que ele esteve nas proximidades do local onde a carta foi jogada.

O empresário decidiu só se manifestar em juízo. Mas o delegado afirma que ele já confessou: "Eu conversei com ele, conversei com o advogado dele, e ele admitiu a autoria do delito, de todos eles."