Associação de servidores da Ancine diz que extinção da Condecine é 'pá de cal definitiva' da produção nacional

***ARQUIVO*** RIO DE JANEIRO, RJ, 23.10.2019 - Fachada da sede da Ancine (Agência Nacional do Cinema), na região central do Rio de Janeiro. (Foto: Lucas Tavares/Folhapress)
***ARQUIVO*** RIO DE JANEIRO, RJ, 23.10.2019 - Fachada da sede da Ancine (Agência Nacional do Cinema), na região central do Rio de Janeiro. (Foto: Lucas Tavares/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Associação dos Servidores Públicos da Ancine (Agência Nacional do Cinema) elaborou uma carta em que afirma que a extinção da Condecine, tributo destinado ao fomento da indústria cinematográfica, pode ameaçar a existência da agência e de parte do setor.

"Se concretizada, pode representar a pá de cal definitiva na produção audiovisual brasileira independente", diz o manifesto.

A maioria das leis de incentivo do audiovisual é bancada pela taxa, depositada por empresas de telecomunicação para financiar o cinema e a produção independente nacional na TV. É da Condecine, por exemplo, de onde vem quase todo o dinheiro do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) da Ancine (Agência Nacional de Cinema).

A entidade ainda lembra que obras brasileiras viabilizadas com o tributo registraram recordes de público e obtiveram reconhecimento mundo afora. E lamenta o desmonte das políticas audiovisuais sob o governo Jair Bolsonaro.

A extinção da Condecine foi apresentada no orçamento para 2023. A proposta segue para o Congresso para análise e pode ser vetada.

Como mostrou a coluna, a decisão governo pegou o setor de surpresa. Profissionais da área criticaram a medida.

O produtor Manoel Rangel, ex-diretor-presidente da agência, afirmou que a proposta "é mais uma irresponsabilidade do governo Bolsonaro com as contas públicas, a cultura brasileira e a produção audiovisual" e "uma insanidade dos tecnocratas a serviço do lobby de determinadas empresas".