Associação de cineastas repudia ameaças contra Julián Fuks

***ARQUIVO*** São Paulo, 19/02/2018 - O escritor Julián Fuks, autor de 'A Ocupação' e 'A Resistência', vencedor do prêmio Jabuti. (Foto: Mastrangelo Reino/ Folhapress)
***ARQUIVO*** São Paulo, 19/02/2018 - O escritor Julián Fuks, autor de 'A Ocupação' e 'A Resistência', vencedor do prêmio Jabuti. (Foto: Mastrangelo Reino/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Associação Paulista de Cineastas (Apaci) elaborou uma nota de repúdio às ameaças de morte sofridas pelo escritor Julián Fuks. Os ataques ocorreram após bolsonaristas, incluindo filhos de Jair Bolsonaro (PL), distorcerem o conteúdo de sua coluna no site UOL publicada no último dia 27.

Fuks escreveu uma crônica em que critica o tratamento dado à vinda do coração de dom Pedro 1º ao Brasil para as celebrações do Bicentenário da Independência. No texto, o autor usa a palavra "terrorista" para criticar os festejos oficiais da data.

O termo foi, contudo, tirado de contexto e compartilhado nas redes sociais por apoiadores do presidente. Fuks foi portanto vítima de ataques e ameaças.

"Vivemos em uma sociedade na qual o direito à livre expressão foi conquistado após dura e longa luta dos setores democráticos", afirma o manifesto da Apaci. A entidade diz ainda que repudia "qualquer ameaça terrorista que atente contra a plena liberdade garantida pela Constituição".

E segue: "Qualquer cidadão ou organização que se interponha a esse direito com ameaças à integridade física de um artista e de seus familiares estará incorrendo em crime".

No Twitter, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) compartilhou um texto do portal Terra Brasil Notícias, intitulado "colunista do UOL defende contratação de um terrorista para atrapalhar os atos de 7 de Setembro".

"A esquerda ameaçando a democracia, de verdade!", escreveu o parlamentar.

O seu irmão Carlos Bolsonaro (Republicanos), vereador do Rio de Janeiro, compartilhou a mesma reportagem. "Se é pela democracia, é democrático e constitucional!", afirmou ele.

Os posts atacando o autor também omitiram o fato de Fuks tratar em sua crítica de uma ação pacífica a ser executada por alguém com aversão a sangue e crueldade —nas palavras do colunista, um "[terrorista] não desses violentos, nunca desses intolerantes e truculentos, jamais desses sanguinários e grosseiros".