Assexualidade em "Travessia": por que, como Rudá, alguns jovens nem pensam em transar

Rudá, de
Rudá, de "Travessia" (Foto: Globo)

Em uma sociedade em que o sexo é tão valorizado (talvez até superestimado!), o comportamento de jovens como Rudá, personagem interpretado por Guilherme Cabral em "Travessia", causa estranhamento. Aos poucos, a novela tem retratado a assexualidade na adolescência e como, principalmente os rapazes, passam por situações constrangedoras e são pressionados por demonstrarem ausência de libido.

Aliás, é preciso aprender a diferenciar uma pessoa assexual de alguém com desejo sexual em baixa. "A assexualidade é algo intrínseco, não muda. O sexo não faz falta e não há aquela atração física que quem está com desejo sexual em baixa perdeu e busca tratamentos [terapêuticos e/ou hormonais] para recuperar", explica a sexóloga Lelah Monteiro.

Isso não significa, no entanto, que assexuais sejam necessariamente arromânticos (pessoas que não se apaixonam) ou estejam fadados à solidão. Eles podem se apaixonar e se satisfazer com a convivência, gestos de carinho e até um contato mais íntimo.

"Não há regra e cada casal vai encontrar uma maneira de fazer o relacionamento funcionar. Mesmo quando apenas um é assexual. Essas pessoas podem, por exemplo, usar um vibrador no parceiro por sentir prazer em dar prazer ao outro ou partir para um formato que não seja monogâmico", pontua a especialista.

As configurações de família, vale lembrar, também são múltiplas nesses casos. Assexuais podem se envolver com pessoas do mesmo ou de outros gêneros e, se quiserem ter filhos, há a adoção e métodos de reprodução que não envolvem sexo.

"No fim das contas, transando ou não, nenhuma relação é garantida. Então, não há por que pensar que um assexual tem menos chance de ser feliz no amor e na vida. Ainda mais hoje em dia, com as redes sociais aproximando perfis mais compatíveis", reflete Lelah.

"Cura assexual"

Mesmo que seja a afetividade o que move essas pessoas, muitas delas procuram profissionais porque não entendem a própria sexualidade. Afinal, a desinformação, o preconceito e a falta de tato de amigos e familiares dão a impressão de que há algo errado. "Por causa do machismo e da masculinidade tóxica, os homens sentem primeiro a cobrança para serem sexuais. Porém, com o tempo, as mulheres também passam a ser muito questionadas sobre isso", destaca a sexóloga.

"Se confirmado que a pessoa é assexual, e não alguém com desejo sexual em baixa, o que fazemos é empoderar esse paciente, ajudando-o(a) a compreender que essa é apenas uma entre muitas orientações sexuais e a lidar melhor com eventuais adversidades", conclui.