Asa Branca está pedindo para morrer, diz mulher do locutor com câncer terminal

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, BRASIL 20.07.2018: Entrevista com Asa Branca, locutor de Rodeio. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, BRASIL 20.07.2018: Entrevista com Asa Branca, locutor de Rodeio. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O locutor de rodeios Asa Branca, 57, voltou a ser internado neste fim de semana, em estado grave, em um hospital em São Paulo. Portador do vírus HIV, ele está com tumores em vários pontos da garganta e da boca. Nesta segunda-feira (16), a família do locutor publicou uma nota informando o estado dele "é bem crítico".

A mulher dele, Sandra dos Santos, afirmou ao programa "A Tarde É Sua" (Rede TV!) que a doença já se espalhou por todo o organismo.

"Os médicos disseram que a infecção dele está muito forte, tanto a pulmonar, que é a pneumonia, quanto o câncer. O câncer já tomou tudo, até a coluna cervical. A carótida dele está toda envolvida pelo câncer e para os médicos não tem mais o que fazer, agora a gente só espera a vontade de Deus, que Deus faça o que for melhor para ele."

Santos ainda diz que ele pede parar morrer. "Ele pede para Deus toda hora: 'tira meu sofrimento, não aguento mais sofrer'. Espero que ele faça uma passagem com todos os espíritos protetores protegendo ele", disse ela à jornalista Sonia Abrão.

Asa Branca conseguiu acompanhar o lançamento do livro que conta a história de sua vida na última terça-feira (11), segundo a revista Veja. O locutor está com 58 kg e recebe doses de morfinas para tentar controlar as fortes dores.

Em outubro deste ano, Asa Branca, disse que se arrependia por ter construído sua carreira nos rodeios, em entrevista a revista Veja. Ele já estava sob cuidados paliativos.

Devido ao histórico de saúde do ex-locutor --ele é portador do vírus HIV e tem oito válvulas na cabeça, resultado de uma criptococose--, os médicos disseram que cirurgia ou sessões de quimioterapia não seriam recomendadas.

Diante da situação, o ex-locutor disse em entrevista à publicação ter se arrependido dos rodeios que narrava e que acredita que a doença veio como uma punição por ter construído sua fama com base na controversa tradição.

"Estou pagando toda a dor que causei e incentivei os outros a causar nos bichos dos rodeios", disse, debilitado. "Dos rodeios grandes aos pequenos, a festa era de alegria para o público, mas de dor e sofrimento para os bichos."

Na conversa, Asa Branca também admitiu se arrepender de ter gasto seu dinheiro de forma irresponsável --pouco lhe sobrou da fortuna que fez com os rodeios. Mas se voltasse atrás, ele diz que teria ido a festas e namorado com diversas mulheres de novo. "Eu bancava para todos uísque, cocaína e prostitutas", disse o ex-locutor, que também lamenta seu vício na droga.

ÍCONE DOS RODEIOS

Waldemar Ruy Asa Branca dos Santos foi milionário e um ícone no mundo dos rodeios por criar um novo estilo de narração. Ele já chegou a ganhar R$ 1 milhão em um único mês, morava nos Jardins, região nobre de São Paulo, usava helicópteros e aviões fretados como meio de transporte.

Após abusar de uma vida de luxo, sexo e drogas, ele perdeu ao menos R$ 10 milhões. Portador do vírus da Aids desde 1999, o locutor, que apresentava os principais rodeios país afora, era figura fácil em programas de TV. Quase morreu em 2013, após contrair uma doença transmitida por pombos e meningite. Ele tentou retomar a carreira depois disso, mas a doença foi se agravando.

A carreira de Asa Branca foi meteórica. Virou locutor por acaso em 1985, quando o narrador oficial brigou com a direção de uma festa. Tinha sido eliminado do rodeio no primeiro dia e perdido o gosto pela atividade após ser pisado por um touro em 1984. O pisão lhe rendeu uma cirurgia no peito.

Tomou gosto pela narração e resolveu se aperfeiçoar. Foi limpar cocheiras no Texas, onde acontecem alguns dos principais eventos da área nos EUA, e conheceu uma tecnologia avançada à época: microfone sem fio.