Artistas se mobilizam contra fechamento de núcleos de teatro do Sesi

Fiesp alega que são necessárias revisões administrativas. Foto: Divulgação/Julia Moraes/Fiesp

Um grupo de funcionários e estudantes dos NACs (Núcleos de Artes Cênicas) do Sesi (Serviço Social da Indústria) de São Paulo está se mobilizando pelas redes sociais para que os grupos não sejam encerrados. 

De acordo com a professora de artes Daniele Jácome de Almeida, 40 anos, que é porta-voz da iniciativa, o projeto de dar aulas de teatro de graça em regiões carentes de São Paulo tem mais de 30 anos e, hoje, conta com mais de 21 núcleos que atendem em torno de 100 pessoas cada. 

“Mas o número de pessoas atingidas é ainda maior por isso atingir as pessoas que estão trabalhando com os cursos e suas famílias. Em cada núcleo, devem ter umas 2 mil pessoas que são atingidas”, explicou.

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Segundo ela, os núcleos são importantes para a iniciação de futuros profissionais da área das artes cênicas e para que a comunidade tenha acesso à cultura. “O projeto atinge muito algumas periferias esquecidas. O Sesi presta esse serviço e, neste ano, eles resolveram fechar algumas unidades”, afirmou.

De acordo com a professora, os grupos foram comunicados de que os orientadores dos núcleos seriam mandados embora ou realocados e que as unidades seriam fechadas. “30 anos de projeto não são três dias. A gente ficou sem uma resposta plausível da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)”, disse.

Daniele, que faz parte do grupo localizado na região da Vila das Mercês, zona sul de São Paulo, afirma que a comunidade tem muito a perder com a falta do equipamento cultural. “Nós até temos os CEUs (Centros Educacionais Unificados), mas eles não oferecem cursos a essa altura”, constatou.

Segundo ela, nenhum dos participantes sabe o motivo real para o fechamento. Porém, ela afirma que existem rumores de diminuição de verba para o sistema S. “Eles estariam começando a cortar onde seria ‘menos importante’, mas como que corta o dinheiro assim? A cultura sempre é pisoteada e retirada dos orçamentos. Está um clima de fechamento, mas a gente desconhece alguma nota pública sobre isso”, explicou.

Uma das alternativas encontradas por Daniele para conseguir mobilizar pessoas contra o fechamento dos núcleos foi criar um abaixo assinado para tentar pressionar a Fiesp a não continuar com os encerramentos. No texto da iniciativa é dito que, inicialmente, os núcleos estavam presentes em 21 unidades da capital, da região metropolitana, do interior e do litoral paulista.

“As atividades do NAC foram encerradas, de dois anos para cá, em pelo menos seis dessas unidades. Todos os núcleos fechados localizavam-se mais distante dos grandes centros e/ou possuíam estruturas menores para as atividades”, diz o texto.

A reportagem questionou a Fiesp sobre o fechamento dos núcleos, os cortes de verbas e sobre se existe alguma possibilidade de os encerramentos não serem feitos. A federação disse em sua resposta que “como toda grande instituição, o Sesi precisa fazer constantemente revisões administrativas”. “No que se refere aos Núcleos de Artes Cênicas, a entidade decidiu concentrar suas atividades culturais nos maiores teatros, que serão transformados em centros culturais”, disse a nota enviada à reportagem.

De acordo com a Fiesp, os alunos das entidades que deixarão de oferecer os cursos na área cultural poderão procurar as demais para continuar com as atividades. “A partir de março, o Centro Cultural Fiesp também será um dos pólos dos Núcleos de Artes Cênicas do Sesi. Ou seja, haverá seis turmas de cursos de iniciação teatral no prédio, para crianças, jovens, adultos e idosos. As inscrições começam no dia 28 de janeiro e vão até o dia 6 de março”, afirmou a federação.