Artistas pintam flores em destroços de guerra na Ucrânia

Artists painte cars destroyed during Russia's attack on Ukraine in Irpin

Por Andrea Shalal e Ivan Lyubysh-Kirdey

KIEV (Reuters) - Artistas pintaram girassóis brilhantes sobre montes de carros destruídos na invasão russa da Ucrânia --incomodando alguns moradores que questionam se é cedo demais para embelezar os destroços da guerra.

O grupo de pintores da Ucrânia e dos Estados Unidos diz que planeja vender imagens digitais do trabalho como tokens não fungíveis (NFTs) e arrecadar dinheiro para artistas ucranianos, projetos de reconstrução e outras causas.

Os carros foram em grande parte recuperados na cidade de Irpin, nos arredores da capital, de uma ponte destruída pelas forças ucranianas para impedir o avanço de tanques russos, disse Trek Kelly, muralista de Los Angeles que ajudou a iniciar o projeto.

Autoridades municipais aprovaram o trabalho e garantiram aos artistas que ninguém morreu nos veículos, acrescentou ele.

Um casal que possuía um dos veículos agradeceu "por transformar esses carros em algo mais bonito", afirmou Kelly à Reuters.

Outros tinham menos certeza enquanto caminhavam pela obra esta semana na estrada principal que leva a Irpin, onde as autoridades dizem que 200 a 300 civis foram mortos por ataques russos antes que a cidade fosse retomada pelas forças ucranianas no final de março.

A Rússia nega atacar civis no que chama de "operação militar especial" na Ucrânia.

"Eu entendo a ideia das flores mostrando esperança para o futuro, e que a Ucrânia não pode ser destruída apesar do que os russos tentaram fazer aqui, mas talvez seja muito cedo", disse Casimir Kiendl, que é do País de Gales, mas morava na Ucrânia quando a guerra começou.

"As lembranças ainda estão super frescas", afirmou Yuliya Zaliubovska, moradora de Kiev, que fugiu para a França durante a guerra e parou para dar uma olhada durante visita à Ucrânia na quarta-feira.

Kelly e Olena Yanko --uma artista ucraniana envolvida no projeto - disseram respeitar as preocupações, mas esperam que o local se torne um lugar de reflexão.

"Sim, há pessoas que não nos entendem. Eles pensam que estamos dançando sobre os túmulos daqueles que morreram", disse Yanko. "Mas queremos mostrar que... a vida vai continuar, vamos vencer (a guerra) e podemos vencer o inimigo, seja com pincel ou com armas."