Artistas franceses relatam dificuldades em meio à crise do coronavírus

Por Johnny Cotton

Por Johnny Cotton

PARIS (Reuters) - O dançarino e coreógrafo Nicolas Maloufi não trabalha desde que a França entrou em isolamento em meados de março, e suas sessões diárias de ioga em um apartamento alugado de Paris são sua única forma de treinamento.

O país começará a afrouxar as restrições inéditas à vida pública na segunda-feira, quando as lojas reabrem e parte dos alunos do ensino primário volta às aulas, mas as portas de cinemas, teatros e salas de espetáculos continuarão fechadas.

Para Maloufi, de 49 anos, que colaborou com casas como a Filarmônica de Paris e o teatro Étoile du Nord, isso significa que suas produções estão em suspenso – e tampouco será fácil encaminhar mais algum projeto.

"Estou esperando respostas de cerca de 20 agentes que não estão disponíveis. Não ouso ir atrás deles, é quase indecente, considerando quantas coisas eles têm que resolver", disse ele à Reuters.

Maloufi está entre aqueles conhecidos na indústria criativa francesa como "intermitentes" – dançarinos, cantores, comediantes e técnicos que trabalham de espetáculo em espetáculo e recebem estipêndios estatais que ajudam a cobrir os custos entre produções se trabalharem ao menos 507 horas por ano.

Como o setor de entretenimento está paralisado pelo vírus, o presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu garantir estes pagamentos, além de dinheiro para cineastas cujas filmagens foram canceladas, tudo parte de um pacote de socorro mais amplo para as artes.

Maloufi disse que a ajuda é um verdadeiro salva-vidas.

"Vivemos uma existência precária", afirmou.