Arrocha, pagode e a baianidade no som de Rachel Reis

Registros do clipe de Maresia, lançado no início de maio (Foto: Maria Mango)
Registros do clipe de Maresia, lançado no início de maio (Foto: Maria Mango)

Aposta do Youtube para 2022, top viral do Spotify, impulsionada pelo Deezer. Essa é Rachel Reis, baiana de Feira de Santana que começou a despontar na cena musical. A cantora de 25 anos diz que associam seu som à "brasilidade" e refuta qualquer classificação que tente colocá-la numa "caixinha". Prefere a mistura que originou "Maresia", seu maior hit até então, com ritmos da música baiana como arrocha e pagode.

"Eu não consigo definir ainda um gênero pra mim. Nada específico, né? Eu sempre digo que eu gosto de fazer as coisas. Surgiu pra mim, está batendo, está fiel a algo que eu faria? Eu vou lá e faço", explica, em entrevista ao Yahoo. Simples assim.

E ninguém pode dizer o contrário, afinal, a música está no sangue de Rachel. A mãe dela, Maura Reys, foi por muitos anos cantora de seresta e hoje canta gospel; a irmã, Sara Reis, é uma das vozes do piseiro. O estilo "eclético", como ela diz, veio de casa, mas nem por isso a carreira artística lhe pareceu um caminho natural.

Raquel conta que sua primeira opção foi estudar Direito, plano que não foi para frente. "Horrível", frisa ao lembrar da experiência no curso.

Antes de chegar ao quadro atual em que divide seu tempo entre a música, a faculdade de Publicidade e Propaganda e o trabalho como redatora em uma agência, Raquel começou como muitos colegas de estrada: se apresentando em barzinhos, casamentos, formaturas e outros eventos. Não foi uma experiência ruim como a tentativa de se tornar advogada, porém, após cerca de dois anos cantando nos bares, a artista quase desistiu de tudo.

"Já estava cansativo pra mim, eu falava assim: meu Deus, que é isso? Pra quê que eu estou fazendo isso aqui?", questionava. Com isso, a baiana abandonou os bares. Num impulso, largou o emprego de recepcionista em um posto de saúde e foi até Recife, em Pernambuco, gravar algumas músicas com o cantor e produtor Barro.

Assim nasceram "Sossego" e "Ventilador". Depois disso, Rachel gravou o EP "Encosta" e lançou seu hit "Maresia". A faixa ganhou clipe no último dia 5 e soma até esta quarta-feira (18) mais de 50 mil visualizações no Youtube.

Registros do clipe de Maresia, lançado no início de maio (Foto: Maria Mango)
Registros do clipe de Maresia, lançado no início de maio (Foto: Maria Mango)

Sofrência só com a música dos outros

Com quase 200 mil ouvintes mensais no Spotify, as oito músicas de Rachel na plataforma se assemelham pelo suingue. São letras que remetem a romances com melodia para dançar — muito diferente do estilo que ela costumava tocar nos bares.

Ao apresentar o repertório de artistas consagrados da MPB, a baiana costumava cantar "só as mais tristes, fundo do poço". "Tinha bar que eles falavam assim: 'poxa, eu não vou mais chamar essa menina pra cá que está baixando o astral", lembra, aos risos, ao admitir que "sofrência" "só na música dos outros".

"Foi uma coisa que o próprio Barro [produtor] falou comigo: 'não sofre, não, é?'. Graças a Deus, não estou sofrendo, está tudo numa boa. (...) Eu adoro música triste pra sofrer, né? Às vezes, eu boto ali uma música pra eu ficar melancólica. Mas aí hoje em dia, nas minhas músicas, eu já gosto de trazer essa coisa mais alegre", explica.

A artista admite que seu momento pessoal, com realizações profissionais, pode impactar nas composições mais animadas. No entanto, ela pondera que suas letras são mais inspiradas em histórias que ouve e vê, por exemplo em filmes, do que na própria vida.

Álbum de estreia

Com isso, o que Rachel promete para seu álbum de estreia é mais da mistura de ritmos que já lhe é característica. O trabalho é planejado para junho.

Registros do clipe de Maresia, lançado no início de maio (Foto: Maria Mango)
Registros do clipe de Maresia, lançado no início de maio (Foto: Maria Mango)

Até lá, enquanto ainda não pode viver só de música, a artista segue ganhando público Brasil afora. No próximo sábado (21), Rachel Reis se apresenta na versão carioca do festival MITA (Music is the Answer), evento que receberá shows de The Kooks, Gorilazz e Gilberto Gil, entre outras atrações, no Jockey Club. Ela vai abrir as apresentações do palco Deezer e passará a fazer parte do Deezer Next, programa que visa dar apoio editorial e de marketing a artistas da nova geração. Nesse ritmo, logo mais a agência que ela trabalha vai precisar de uma nova redatora.