#Verificamos: É falso que Argentina e Venezuela utilizam as mesmas urnas eletrônicas em eleições

Agência Lupa
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É falso que Argentina e Venezuela utilizam as mesmas urnas eletrônicas em eleições - Foto: Reprodução
É falso que Argentina e Venezuela utilizam as mesmas urnas eletrônicas em eleições - Foto: Reprodução

Circula nas redes sociais que a Argentina e a Venezuela utilizam as mesmas urnas eletrônicas em suas eleições. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

É falso que Argentina e Venezuela utilizam as mesmas urnas eletrônicas em eleições - Foto: Reprodução
É falso que Argentina e Venezuela utilizam as mesmas urnas eletrônicas em eleições - Foto: Reprodução

“Venezuela exportava Petróleo. Hoje passam 3 dias na fila para abastecer. O argentino comia a melhor picanha do mundo. Hoje comem frango podre para sobreviver. Em comum? As mesmas urnas eletrônicas!”
Legenda de imagem publicada em post do Facebook que, até as 15h de 29 de novembro de 2020, tinha mais de 2,1 mil compartilhamentos

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Na Argentina, o voto ainda é feito por meio de cédulas de papel. Já na Venezuela, urnas eletrônicas são utilizadas desde 2004. Portanto, os países não usam as mesmas urnas eletrônicas em suas eleições.

Na Argentina, segundo o Código Eleitoral Nacional (entre os artigos 86 e 94), o eleitor se dirige à mesa receptora de votos, onde se encontram os fiscais daquela seção, para apresentar o documento de identidade. Confirmando os dados, receberá um envelope aberto e vazio, onde incluirá a cédula do candidato. Em seguida, deposita o documento fechado na urna. A cédula (boleta de sufragio, em espanhol), como explica o Sistema Argentino de Informação Jurídica, é uma folha de papel onde constam os nomes dos candidatos, o grupo partidário e os cargos.

Desde 2015, entretanto, a cidade de Buenos Aires e a província de Salta utilizam um sistema eletrônico na votação. O eleitor, ao se dirigir à máquina de votação, seleciona na tela seu candidato e imprime uma cédula. Depois, dobra o documento e a insere em uma urna. Segundo o governo, esse sistema impede a multiplicidade e o furto de cédulas, por exemplo. É importante ressaltar que a máquina de votação não grava nenhum tipo de dado. Ela somente lê as informações e imprime o voto. A empresa responsável pelo sistema é o Grupo MSA.

Eleições Na Venezuela

Na Venezuela, o voto é eletrônico desde 2004. Conforme o Regulamento Geral da Lei Orgânica de Processos Eleitorais, o eleitor dirige-se à urna, pressiona os botões referentes ao candidato, e clica, em seguida, no botão ‘Votar”. “O voto ficará depositado eletronicamente nas unidades de armazenamento do sistema automatizado de votação”, diz a legislação.

Além disso, logo em seguida, um comprovante do voto é impresso. “Pressionado o botão ‘VOTAR’ na tela, a máquina de votação imprimirá um comprovante de voto, no qual deverá ser obrigatoriamente depositado pelo eleitor ou eleitora na urna, para realizar a Verificação Cidadã”.

Quem era responsável pela tecnologia das urnas na Venezuela era a multinacional Smartmatic. Em 2018, a empresa deixou o país após denunciar suspeita de fraude na divulgação oficial por parte do Conselho Nacional Eleitoral durante as eleições de 2017 para a Assembleia Constituinte. A empresa argentina Ex-Clé assumiu, desde então, o sistema eleitoral. Entretanto, apesar de ser uma empresa argentina, não tem nenhuma relação com as eleições do país.

Informação similar foi checada pela AFP Checamos e Estadão Verifica.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés