“Entrei em depressão por conta de ataque na internet”, diz drag Aretuza Lovi, que foi sexualizada com o filho

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Bruno Pinheiro, a Aretuza Lovi, e seu filho Noah, de 7 anos (Foto: reprodução/instagram @aretuzalovi)
Bruno Pinheiro, a Aretuza Lovi, e seu filho Noah, de 7 anos (Foto: reprodução/instagram @aretuzalovi)

Bruno Nascimento, a drag cantora Aretuza Lovi, conversou com o Yahoo! sobre os ataques que sofreu nas redes sociais após compartilhar uma foto com seu filho, Noah, no último dia dos pais. Ele teve seu corpo sexualizado ao lado do menino de sete anos.

“Ler o que li me machucou muito, estava em um dia tão legal com meu filho. Naquela foto era a segunda vez que nós iamos à praia e ele tinha medo das ondas. Estávamos fugindo delas e rindo. É uma foto muito bonita, ainda mais com meu filho. E eles sexualizam tudo, tudo”, desabafou na entrevista.

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Por estarem na praia, de sunga, uma onda de haters (odiadores, tradução livre do inglês) começou nas redes do cantor. “Eles acharam que estava usando meu filho, uma criança de sete anos. Nunca precisei da imagem do meu filho para biscoitar nas redes sociais. Se eu quiser biscoitar tenho a minha conta pessoal, fora de Aretuza, para fazer isso”, ressaltou.

Bruno Pinheiro, a Aretuza Lovi, e seu filho Noah, de 7 anos (Foto: reprodução/instagram @aretuzalovi)
Bruno Pinheiro, a Aretuza Lovi, e seu filho Noah, de 7 anos (Foto: reprodução/instagram @aretuzalovi)

“Se eu quisesse mostrar minha bunda teria feito um Onlyfans. Todas as redes sociais são muito tóxicas, mas tem muita gente que não tem o que fazer e fica ali falando mal na vida das pessoas. Precisam analisar a vida delas. O hater só entrega o que o coração dela está cheio: ódio, maldade. Somos seres humanos.”

Bruno ainda lembrou que já havia sofrido ataques após uma live. “São pessoas nojentas e doentes. Ano passado sofri um ataque de hater, que entrei em uma depressão profunda, mas consegui pedir ajuda. Mas e quem não consegue? Quem tem a cabeça muito mais frágil?”, ponderou.

Ele lembrou o caso de Lucas Santos, filho de 16 anos da cantora Walkyria Santos, que por conta de comentários homofóbicos cometeu suicídio. 

“Fiquei desorientado com essa história. O preconceito é devastador. Dói. Machuca. Mata. As pessoas não têm filtro no que elas dizem. Era um vídeo de brincadeira e as pessoas conseguem destilar ódio gratuitamente. São um borrifador de veneno e depois nada muda na vida delas. Não estão deixando de dormir não, estão dormindo em paz. E o Lucas não será único. Precisamos passar essa lei Lucas Santos, que apoio”, conclui.

Salvo pelo Noah

O processo de depressão, aliado ao isolamento na pandemia, fez com que ela entrasse em um lugar obscuro. “A ponto de eu pensar em desistir. Tomei remédio, fazer acompanhamento médico, e eu preso dentro de um apartamento, no meio de uma pandemia e passando mais coisas”, lembrou.

Bruno contou que o ajudou a virar a chave da depressão foi o filho. “Consegui ser mais forte por uma maturidade, uma vivência, consegui passar por isso. O Noah me viu chorando muito, o que não é comum, e ele perguntou o que aconteceu. Não contei por que ele não entenderia, mas ele respondeu que me amava como eu era. Mentalizei que não podia dar mais atenção para essas pessoas e mudei o peso que estava dando pra o hate”, revela.

O artista pede para que as redes sociais tenham filtros melhores para a moderação do conteúdo. “Precisa ter uma curadoria do que é publicado. Eles falam do meu corpo, do meu rosto, de quem eu sou... As pessoas vivem mais no mundo digital do que no mundo real e precisamos ter regras e leis nesse mundo”, avalia.

E acrescenta: “Você se sente obrigado a fazer vídeo 24h por dia para as pessoas e mesmo você não estando feliz, você tem que estar feliz na tela. As pessoas querem te puxar para baixo. Essas pessoas precisam ser penalizadas. O que aconteceu com meu filho não pode ser normalizado.”

Aretuza, ou Bruno, ainda celebra que para além do ódio, também recebeu muito afeto. “Foi uma onda de apoio de outros pais LGBT quando viram o que aconteceu e apareceram para me ajudar. Fiquei muito feliz com essa onda de amor”, conclui.

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