Aquecimento Oscar: afinal, o prêmio ainda importa?

O apresentador Jimmy Kimmel durante a cerimônia de 2018 (Imagem: Getty Images)

Responda rápido: você lembra que filme ganhou o Oscar no ano passado? Talvez você até tenha ouvido falar que ‘A Forma da Água’ saiu como o grande consagrado da noite, mas será que isso foi o suficiente para despertar sua curiosidade em assistir ao longa dirigido por Guillermo Del Toro, vencedor de quatro estatuetas em 2018?

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Nas bilheterias mundiais, ‘A Forma da Água’ alcançou US$ 195 milhões. O número é bem modesto se comparado às franquias milionárias de super-heróis, que costumam se aproximar da marca de US$ 1 bilhão. Ainda assim, o preferido da Academia no ano passado foi um sucesso de público maior do que os vencedores dos últimos quatro anos.

Antes dele, ‘Moonlight – Sob a Luz do Luar’ fez US$ 65,3 milhões, ‘Spotlight – Segredos Revelados’ alcançou US$ 98,3 milhões, ‘Birdman’ US$ 103,2 milhões e ’12 Anos de Escravidão’ 187,7 milhões. Os dados são do site Box Office Mojo, especialista em rankings de bilheteria.

Quantas destas cinco produções você viu?

A realidade coloca em choque a teoria de que o Oscar seria um farol para guiar as escolhas do público. É possível que estes filmes tenham feito uma quantidade considerável maior de dinheiro por estarem em evidência durante a temporada de premiações, mas será que isso vai além da bolha de cinéfilos?

O dilema entre ser um reconhecimento puramente artístico e também um evento de TV feito para atrair audiência já é uma dor de cabeça para a Academia há algum tempo. No ano passado, a cerimônia alcançou o pior número de espectadores de sua história, com 26.5 milhões de pessoas, menos da metade do registrado vinte anos antes, em 1998, quando 55 milhões de norte-americanos ficaram em frente ao televisor para ver ‘Titanic’ levar 11 Oscars.

A escolha dos indicados a melhor filme este ano mostra um desejo de voltar a ter entre os concorrentes longas de forte apelo popular. Dos oito indicados à categoria principal, três demonstraram desempenho forte nas bilheterias: ‘Pantera Negra’ (1,33 bilhão), ‘Nasce uma Estrela’ (400 milhões) e ‘Bohemian Rhapsody’ (834 milhões) – os dois últimos ainda seguem em cartaz em muitos países. Porém, a improvável vitória de um deles corre o risco de pouco acrescentar financeiramente e, por outro lado, fazer o cinéfilo mais “raiz” torcer o nariz.

Brie Larson e seu Oscar, conquistado em 2016 (Imagem: divulgação Getty Images)

Entre os atores e profissionais do cinema que sobem ao palco para receber a estatueta, a expectativa é que o reconhecimento os leve a outro patamar. Afinal, o carimbo de ‘vencedor do Oscar’ passa os acompanhar dali para a frente quase como uma extensão do nome, podendo abrir novas portas e gerar uma valorização do cachê.

Brie Larson, por exemplo, eleita a melhor atriz em 2016 por ‘O Quarto de Jack’ viu seu status mudar completamente em Hollywood. Conhecida até então apenas por quem acompanhava o circuito independente, ela saltou direto para superproduções como ‘Kong – Ilha da Caveira’ (lançado em 2017) e ‘Capitã Marvel’, que estreia em março.

Ainda assim, em entrevista publicada esta semana pela revista InStyle, ela confessou que a mudança após conquistar o prêmio não foi tão significativa assim, pelo menos internamente.

“Eu estava tipo: ‘Eu não me sinto diferente. Eu não me sinto melhor comigo mesma. Eu ainda não sinto que sou uma boa atriz’”. Larson contou que falou sobre isso com a colega Jennifer Lawrence, vencedora em 2013 por ‘O Lado Bom da Vida’ e indicada outras três vezes. “Ela respondeu: ‘Ah, sim. Isso é totalmente normal. Eu passei pela mesma coisa. Não pense nisso desse jeito. Pense como se você tivesse conquistado seu doutorado. Você conquistou seu diploma, é isso. Não muda nada. Você ainda pode errar.'”