Após voto em Bolsonaro, Carlos Alberto de Nóbrega surpreende ao falar de ditadura

Redação Vida e Estilo
(Foto: Reprodução/Globo)
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O ator Carlos Alberto de Nóbrega participou do último “Altas Horas“, na Globo, e foi ovacionado após fazer um relato crítico sobre o período de ditadura militar (1964-1985). Segundo ele, que foi censurado naquela época, foi uma fase muito triste e dá medo só de pensar que pode acontecer de novo.

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“Vocês não sabem o que é ditadura, gente. Você não ter o direito de fazer um grupinho na esquina, você ser censurado por pessoas boçais. Eles iam armados. Você ter que mandar o texto para a polícia federal, eles carimbavam coisas absurdas“, iniciou o artista.

Ainda segundo ele, tudo era tão vigiado que um texto de Castro Alves (1847-1871) foi proibido de ser lido e veiculado por um militar que nem sabia quem foi o escritor tão renomado. Na sequência, o humorista também contou que ajudava o amigo Jô Soares a escapar das perseguições.

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“De repente tocava o telefone, Jô se levantava, saia correndo: ‘Me ajuda, me ajuda!’, pegava vários livros dele, botava no porta mala do meu carro, que eu não era perseguido, mas ele era, e eu saía com os livros dele e levava pra minha casa, levava pra outro lugar, que nem ler você podia”, disse.

Ao finalizar o relato, Carlos Alberto lembrou de seus filhos e netos ao dizer que tem muito medo que tudo isso volte. “Então, a censura, gente, é muito triste. Tenho muito medo que essa juventude passe o que nós passamos. Estou até tremendo, só de falar fico nervoso. Viva a liberdade, gente!”, completou Nóbrega, emocionado.

A internet não perdoa

O discurso do humorista logo ganhou as redes e ele foi muito elogiado, mas não demorou para muitas pessoas lembrarem que Carlos Alberto declarou seu volto em Jair Bolsonaro (PSL) e chegou a elogiar os militares em uma participação no “Programa do Raul Gil“, após a vitória do presidente.

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“Muito importante isso que Carlos Alberto relatou. Uma pessoa que viveu os tempos de ditadura militar no Brasil. Mas não esqueçamos, ele votou e ajudou a eleger um presidente que é a favor da ditadura“, lembrou um internauta.

“Contraditório para quem tirou o chapéu pra o Bolsonaro e teceu vários elogios aos militares da equipe do governo. Mas enfim, muitos de nós temos medo desses tempos, porque somos nós que seremos perseguidos por defender a democracia com as nossas vidas e nossos corpos“, disse outro.

(Foto: Reprodução/SBT)
(Foto: Reprodução/SBT)

Na época, Carlos Alberto de Nóbrega tirou o chapéu para o atual presidente no programa do Raul Gil e disse que Bolsonaro era uma esperança para o povo brasileiro. “Mesmo aqueles que não votaram nele serão beneficiados pelas coisas boas que ele fizer. A gente tem que ser patriota, não importa o nome, desde que esse país saia dessa lama”, afirmou ele.

Raul Gil também perguntou o que o humorista do “A Praça é Nossa” achou da equipe de Bolsonaro e Carlos Alberto não economizou nos elogios. “Maravilhosa! Os próprios militares, principalmente para nós que vivemos na ditadura militar, são pessoas de altíssima cultura. Eles não estão lá porque são almirantes, generais. Estão lá porque têm uma cultura imensa e conhecem o Brasil”, disse o idoso.

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Depois, ainda afirmou que não houve corrupção durante a ditadura e completou que o brasileiro precisa parar com as guerras entre partidos. “Sem querer desmerecer os civis, você nunca viu na ditadura um escândalo, um roubo de militar. Eles são patriotas e educados a lutar pelo Brasil, mas o brasileiro está perdendo essa coisa gostosa de ser brasileiro. A gente não pode pensar na cor política”, encerrou, dando espaço para Raul Gil que completou com um “esse é o Brasil que eu quero”.