Após traição, mulher vira detetive e cobra R$ 3 mil para ajudar outras vítimas a não serem enganadas

·4 minuto de leitura
Após ser traída, Eduarda Lima, de Espera Feliz (MG), virou detetive (Foto: Divulgação)
Após ser traída, Eduarda Lima, de Espera Feliz (MG), virou detetive (Foto: Divulgação)

Eduarda Lima, de Espera Feliz (MG), viu o rumo da sua carreira mudar após uma traição. Ela mesma investigou o ex e viu um nicho de mercado. Hoje, ela tem uma empresa que investiga casos de infidelidade. Confira, abaixo, o relato da detetive:

"Sempre tive um sexto sentido aguçado. Aos 12 anos, descobri que meu pai estava traindo a minha mãe. Foi a primeira vez que desconfiei de algo, procurei saber e descobri a verdade. Brinco que foi o meu primeiro caso! Mas a verdade é que nunca tinha pensado de viver disso. Minha carreira foi construída na área financeira de duas multinacionais. Estava com uma boa condição financeira e namorava um homem por quase cinco anos.

Leia também:

Nunca fui ciumenta, mas comecei a desconfiar do comportamento dele. Ele tinha muitas amigas do sexo feminino e vivia viajando a trabalho. Cheguei a procurar detetives para lidar com o caso, mas acabei vendo que o mercado era muito machista e não fui bem tratada. Eles não entendiam a minha dor.

O preço inicial pra investigação é R$ 3 mil

Resolvi, então, pesquisar por minha conta por meio de dados públicos e descobri que ele tinha me traído diversas vezes, inclusive com garotas de programa. O término foi muito difícil e entrei em depressão profunda. Minha tia me levou para morar com ela, mas não queria sair da cama. Tomava vários remédios para dormir e vivia trocando o dia pela noite.

Foi inclusive em uma dessas noites que estava navegando em alguns grupos femininos no Facebook e vi o post de uma menina comentando que marcaria seu casamento no dia seguinte, mas que suspeitava que poderia estar sendo enganada. Resolvi ajudá-la e investiguei o rapaz que, no fim das contas, dizia ser piloto, mas era assistente de TI. Por meio de dados públicos, descobri que ele nem tinha licença para dirigir, quanto mais pilotar um avião.

Ela terminou o relacionamento e fez um post no grupo contando como eu a ajudei e agradecendo meu trabalho. Comecei, então, a receber uma enxurrada de mensagens de mulheres me pedindo ajuda e oferecendo dinheiro pelos meus serviços. Estava trabalhando na prefeitura por meio período, então, comecei a ocupar o restante do meu dia com as investigações.

No início, cobrava R$ 50 e fui subindo o valor aos poucos, sempre investindo na minha qualificação, mas hoje o preço inicial pra investigação é R$ 3 mil. Fiz cursos, estudava linguagem corporal e assim fui montando meu negócio. Criei meu próprio método traçando os perfis dos homens e assim defino a estratégia que será seguida na investigação. O tipo mais comum que encontramos é o cafajeste/cara de pau, que é carinhoso com a esposa e encontra um jeito de traí-la bem de baixo do seu nariz.

Nunca cheguei a investir em propaganda, todos os meus clientes vieram de indicação e hoje conto com 16 colaboradoras que trabalham comigo. Além do Brasil, também já atendemos casos no exterior, em países como Suíça, Itália, EUA e Londres. Para entrar na minha equipe, é preciso ter certificado de detetive e sou muito exigente, pois estamos lidando com a vida de muitas pessoas. Não tolero erros.

Minha grande motivação e missão é ajudar as mulheres a não serem enganadas pelos parceiros. Meu objetivo com a investigação nunca é terminar com o casamento de ninguém, mas sim empoderar as mulheres para que elas saibam o que está acontecendo e, ai sim, decidir se querem continuar ou não.

Muitas mulheres chegam fragilizadas e muito ansiosas, querendo que entreguemos resultados antes do combinado. Mas a verdade é que quando estamos investigamos temos uma responsabilidade imensa e precisamos seguir os protocolos definidos, sempre com muita calma e cautela. Em dois anos, já atendemos mais de 620 casos e desses casos, sendo que apenas 5% dos homens foram fiéis.

Como meu rosto já ficou conhecido, não faço mais as investigações e fico responsável por coordenar toda a minha equipe. No futuro, penso em só dar treinamentos de como se tornar detetive. Desde que comecei a trabalhar com investigação, meu faro para infidelidade ficou ainda mais forte, o que acabou até impactando a minha vida pessoal. Cheguei a me apaixonar de novo e o relacionamento acabou por vários motivos, mas tenho certeza que meus traumas e desconfianças interferiram na nossa relação. Não acreditava que podia ter encontrado algo tão perfeito e acabava ficando na defensiva. Ele me fez voltar a acreditar nas pessoas."

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos