Após morte de Maurílio, Luiza fala de carreira solo: "Ainda não gravei nada sozinha"

Luiza em evento junino em São Paulo (Andy Santana / AgNews)
Luiza em evento junino em São Paulo (Andy Santana / AgNews)

Agora em carreira solo, Luiza Martins confessou que tem encontrado muitas dificuldades em continuar compondo e se apresentando sem o companheiro, Maurílio. O sertanejo morreu em dezembro de 2021 após um tromboembolismo pulmonar.

"Já estou fazendo shows, mas ainda não tenho nada gravado sozinha. É muito diferente. Não estava acostumada a pensar sozinha, nem a ter conquistas sozinha. Eu estou estranhando muito, mas acredito que esteja me saindo bem, porque não é fácil", explicou ela em entrevista à "Quem".

Luiza prevê que conseguirá compor suas primeiras músicas sem Maurílio ainda em agosto. "Mesmo sem querer e também não tendo noção do que isso faria na minha vida, aprendi muita coisa nesses tempos. Quando a gente é jovem, não tem noção, acha que nada pode acontecer com a gente. Eu perdi vários amigos de uma vez". A cantora era próxima de Marília Mendonça, que morreu em novembro de 2021 após um acidente aéreo.

Machismo no sertanejo

Luíza está inserida no sertanejo desde muito nova e acumula várias histórias. A cantora, que resolveu seguir carreira solo após a morte de Maurílio, trabalha com cerca de 22 homens. Ela diz que o dia a dia é tranquilo, mas não minimiza ao ser questionada sobre situações que envolveram machismo.

Segundo a cantora, o preconceito está presente em vários casos. Em reuniões, por exemplo, Luíza já sentiu que alguns homens duvidaram da sua capacidade. Com os próprios funcionários, ela lembra de um episódio no qual precisou subir no banco de um ônibus.

"Como a gente é ensinada a ficar calada a vida inteira, quando você grita, você é maluca, né, você é doida! Mas também, assim, o que eles pensam, se eu sou doida, se eu sou maluca, não importa. Quem tinha que ser ouvida era eu, então eu fiz o que precisava ser feito. Houve uma mudança de postura depois disso", afirma.

Luíza diz que faz o possível para abrir os olhos dos homens que convivem com ela, mas não tira o seu da reta. "É um trampo ser mulher porque é tão estrutural, gente! Assim, é tão ensinado que às vezes eu me vejo reproduzindo coisas machistas. Então, eu sou uma pessoa que fica militando para mim o tempo inteiro", confessa.

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