Após incêndio, estilista abre novo ateliê e cria própria marca

Lu Coelho conseguiu se reerguer após incêndio em seu ateliê pessoal. Foto: Divulgação

Imagine ver todo o trabalho investido durante anos se perder em 20 minutos? Foi isso o que aconteceu na vida da estilista Lu Coelho quando ela teve que lidar com o fato de seu ateliê ter sido tomado por chamas. Trabalhando com costura desde os 15 anos, ela precisou reunir forças para se reerguer e continuar com sua profissão.

O processo, no entanto, não foi fácil. Dizendo que a fase foi uma tragédia, Lu lembra que passou por uma depressão e que só encontrou forças para superar com a ajuda do amigo Policarpo Nkenge, de Angola. “Ele sempre quis ter uma marca de roupa. Ele sabia que eu trabalhava com isso e me propôs sociedade. Assim, nós começamos a criar a marca e eu comecei a me reerguer”, disse em entrevista ao Yahoo.

A concretização de todo o trabalho aconteceu no último dia 12 de dezembro, quando a Lu inaugurou a primeira loja física da marca Nkenge, em Madureira. Com a ajuda do amigo e empregando jovens de comunidades cariocas, a estilista conseguiu fazer de seu trabalho um verdadeiro sucesso. “Tem dia que eu passo quase 24 horas trabalhando”, afirmou.

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Estilista diz gostar muito de usar cores em seus trabalhos. Foto: Divulgação

Leia a entrevista completa:

Me conte sobre sua trajetória como estilista.

Lu Coelho: A minha trajetória começou há 15 anos. Eu era uma costureira de bairro que fazia consertos de roupas para os meus vizinhos. Quando eu perdi a minha mãe, eu decidi fazer uma faculdade e fui cursar moda na Estácio de Sá. Depois, eu trabalhei em uma emissora de TV, no teatro e hoje eu faço figurinos para TV, teatro, além de ter a minha marca.

Me conte sobre o episódio do incêndio.

Lu Coelho: O incêndio foi a segunda tragédia na minha vida. A primeira foi quando a minha mãe morreu. Depois que eu fiz faculdade, eu tinha um ateliê dos sonhos montado, com todo o equipamento para funcionar perfeitamente. Mas, sem qualquer explicação, aconteceu o incêndio e eu perdi tudo em 20 minutos.

Loja física foi inaugurada no dia 12 de dezembro. Foto: Divulgação

Como foi essa fase? 

Lu Coelho: Eu posso dizer que essa foi a pior fase da minha vida. Após essa situação, eu entrei em depressão e foi muito complicado. Eu não queria mais trabalhar. O prejuízo estimado era de R$ 200 mil. Cheguei no fundo do poço.

Como conseguiu reconstruir tudo?

Lu Coelho: Pouco tempo depois, eu conheci um amigo angolano pela internet e ele sempre quis ter uma marca de roupa. Ele sabia que eu trabalhava com isso e me propôs sociedade. Assim, nós começamos a criar a marca e eu comecei a me reerguer. Eu sou professora de corte e costura na Cufa (Central Única das Favelas) e tinha alguns alunos que eram muito bons. Chamei os meninos para trabalhar com a gente e hoje a gente está no mercado há dois anos e lançando a loja física. Estou muito feliz com essa virada que a minha vida deu.

Como é sua rotina de trabalho hoje em dia? 

Lu Coelho: Eu tive que mudar completamente a minha vida. Antes, eu morava em São Gonçalo. Agora, eu estou em Madureira, bairro do Rio que tem total comunicação com a minha marca. Mantenho o meu ateliê dentro da minha casa e é uma loucura. Além de produzir as peças da marca, eu continuo fazendo figurinos para teatro, TV e  ainda mando roupas para o meu sócio vender na Angola. Tem dia que eu passo quase 24 horas trabalhando.

Estilista trabalha com costura desde os 15 anos. Foto: Divulgação

Como está o retorno sobre seu trabalho hoje? 

Lu Coelho: O retorno está sendo surpreendente. Em pouco tempo, agregamos muita gente que ama a marca e a venda está elevada. Às vezes falta peça para tanta demanda.

Quais as inspirações para o seu trabalho? 

Lu Coelho: A inspiração é muito subjetiva, às vezes, eu ando na rua, vejo algumas pessoas com determinado estilo e já surge uma ideia para alguma roupa. Minha maior inspiração é a cor. Gosto muito das cores da África, do colorido, da alegria, de negritude, de valorizar o preto na sua essência.