Após comprar kit de cozinha para o filho, mãe faz desabafo no Facebook

Reprodução/Facebook Jenifer Stelen

Cada dia mais a discussão sobre gênero está mais ampla e certos esteriótipos envolvendo atividades das crianças são um dos pontos importantes desse tópico. Muitos pais da atualidade lutam para mudar definições de brinquedos e roupas como ‘de menino’ ou ‘de menina’ e uma mãe paranaense fez um desabafo poderoso sobre o kit de cozinha que comprou para seu filho.

No post, Jenifer Stelen explica como o comportamento de sua família na infância reforçava certas definições que separavam os meninos das meninas, sendo que para elas sempre sobrava as funções de casa enquanto eles poderiam explorar o mundo em carros e outros itens de aventura. Confira o relato na íntegra:

“Hoje fui ao mercado, vi esse kit de cozinha de brinquedo e resolvi levar para meu filho, já que ele adora pegar meus talheres e vasilhas para brincar. Quando ele viu, ficou todo feliz e disse que iria fazer um espaguete. Já minha mãe me olhou com cara de reprovação e disse: “mas panelinhas, Jenifer? Isso é coisa de menina! Por que não comprou brinquedinho de médico?” Isso me fez lembrar de minha infância…”

“Eu tenho um primo bem próximo que tem a mesma idade que eu, e como nascemos com apenas três dias de diferença, nossas mães sempre faziam uma festa de aniversário conjunta para nós dois. Me lembro de sempre achar os presentes dele mais legais que os meus, pois ele ganhava vários carros, caminhões, motos, bolas e etc, enquanto eu ganhava bonecas, panelinhas e maquiagens. Ou seja, eu deveria saber cuidar de um filho, cozinhar e estar sempre arrumada e maquiada. Já meu primo poderia dar um rolezão de carro, ser jogador de futebol ou o que ele quisesse, mas brincar com minhas bonecas ele não podia, pois “isso é coisa de menina!” Mas o que eu acho mais estranho disso tudo é que passei a infância e adolescência toda sendo induzida a ser mãe e esposa, mas quando engravidei aos 17 anos, as mesmas pessoas que haviam me dado bonecas na infância, me olhavam com cara de pena e algumas até diziam: “coitada de você, acabou com sua vida”.

Reprodução/Facebook Jenifer Stelen

“Mães e pais, pelo amor da Deusa, não inferiorizem suas filhas, diga que elas podem ser o que quiserem: jogadoras de futebol, engenheiras, médicas, motoristas e que só precisam ser mães se quiserem. Ensinem também que quem cuida de filho é quem fez e não apenas quem pariu, quem cozinha é quem quer comer e quem lava a louça e limpa a casa é quem sujou. Brinquedo não tem gênero, cor não tem gênero e profissão não tem gênero”.