Após cirurgia de endometriose, como a de Anitta, é possível que a doença retorne?

O caso de Anitta foi assunto constante nas últimas semanas, no entanto, já que a cantora passou por uma cirurgia e não escondeu os estragos físicos e emocionais que a endometriose trouxe. (AP Photo/Chris Pizzello)
O caso de Anitta foi assunto constante nas últimas semanas, no entanto, já que a cantora passou por uma cirurgia e não escondeu os estragos físicos e emocionais que a endometriose trouxe. (AP Photo/Chris Pizzello)

Anitta, Larissa Manoela, Tatá Werneck, Adriana Esteves e diversas outras famosas já revelaram sofrer de endometriose, doença que afeta pessoas com útero e acontece quando o endométrio – tecido que reveste o interior do útero – vai para outros órgãos da pelve.

O caso de Anitta foi assunto constante nas últimas semanas, no entanto, já que a cantora passou por uma cirurgia e não escondeu os estragos físicos e emocionais que a endometriose trouxe. "Da América à Europa sem dormir porque a dor fala mais alto que tudo. Você não consegue se concentrar num livro, num filme, nada", escreveu no Twitter.

A artista ainda revelou que há pelo menos nove anos lida com a condição. Entre diversas consultas, técnicas e conselhos, o diagnóstico correto veio e ela precisou passar por uma cirurgia.

É possível que a condição retorne?

Uma dúvida comum que pode surgir é: após o procedimento, é possível que a doença retorne? O Yahoo conversou com Sidney Pearce, médico e fundador do Núcleo de Endometriose do Ceará (NECi), que adiantou:

A endometriose é tida como uma doença que não tem cura. Ela se inicia, principalmente, através do refluxo da menstruação pelas trompas. Uma vez que você opera, se retira todos os focos visíveis (da doença). Mas, se a paciente continuar tendo menstruações incessantes ou estímulos do hormônio produzido pelos ovários, a doença pode retornar.Sidney Pearce

Importante reforçar que tudo está ligado à qualidade da cirurgia a qual a pessoa foi submetida. Anitta contou com uma equipe de peso e foi cuidada pelos médicos já renomados Mauricio S. Abrão e Ludhmila Abrahão Hajjar (que também cuida de outras estrelas). "Uma doença mais extensa tem mais facilidade de retornar. Pacientes operadas jovens têm mais chance, porque tem mais tempo de estímulo estrogênico. Tem também o tipo de cirurgia: cirurgia mais radicais, em que remove útero e ovários, trazem uma menor recidiva (recaída)".

Cirurgia é indicada em casos específicos

Aqui também vale a máxima: cada caso é um caso! Sidney alerta que há contextos específicos em que o procedimento é indicado, como em pacientes que querem engravidar, pacientes que sofrem com dores e em pessoas que têm lesões de risco. "Uma vez indicada, a cirurgia preenche critérios de mínima invasão. A técnica deve ser por laparoscopia ou por cirurgia robótica. Fazemos pequenas incisões para remover os pequenos focos que a paciente apresenta".

Em casos sem cirurgia, o tratamento da doença também deve acontecer respeitando o contexto da pessoa. Desde medicações a mudanças no controle do sono, alimentação e exercícios físicos, é essencial conhecer seu corpo e procurar o profissional certo.

Qualidade de vida? Queremos!

Anitta chegou a falar sobre o momento pós cirurgia, revelando que vai continuar se cuidando para voltar "lutando para que as mulheres todas tenham acesso à tudo que diz respeito à esse filme de terror que é a endometriose". A qualidade de vida depois da endometriose está ligada a justamente esses fatores: diagnóstico precoce e empoderamento dessa pessoa. "Grupo de apoio, família empática, equipe médica completa, manter hábitos saudáveis", lista Pearce.