Após homofobia, "Pantanal" mostra conversa importante entre Zaquieu e Alcides

Zaquieu e Alcides em
Zaquieu e Alcides em "Pantanal" (Reprodução Globoplay)

Zaquieu (Silvero Pereira) chegou a abandonar o Pantanal após ser alvo de ataques homofóbicos dos peões, especialmente por parte de Tadeu (José Loreto) e José Lucas (Iranhidr Santos). Após sentir saudades de Mariana (Selma Egrei), o personagem retornou disposto a conquistar seu espaço no local e enfrentar a cultura machista da fazenda de José Leôncio.

Inicialmente, o personagem encontrou resistência por parte de alguns peões, mas aos poucos foi "adotado" por Alcides (Juliano Cazarré). O peão foi um dos que tratou Zaquieu de forma cruel, mas pediu desculpas e disse que está começando a aprender sobre diversidade, mesmo que com muito atraso. Nos episódios recentes de "Pantanal", os dois tiveram uma conversa reveladora, que mostrou a importância de debater o assunto da LGBTfobia em horário nobre na "Globo.

Entenda

A conversa começou após Zaquieu revelar que se sente triste por não saber o que está fazendo da vida ao tentar ser peão. "De onde saiu essa vontade?", questionou Alcides. "Talvez meu desejo de ser livre como você e os outros peões. Acho tão bonito ver vocês lidando com gado, atravessando essas águas, nessas vidas de lonjuras intermináveis, horizontes sem fim. Mas eu acho que essa vida não é pra mim", lamentou. "E por quê? Vou te chamar de peão, sim, vou te chamar do quê?", rebate Alcides. "Me chama de bicha, de baitola, do que você quiser, eu não ligo mais", disparou Zaquieu.

Sério, Alcides pediu desculpas por ter tratado o colega de forma cruel. "Isso aí eu não vou chamar não. Falo com carinho, com todo respeito. Eu nunca tinha tratado com uma pessoa desse jeito. Nunca nem tinha ouvido falar, porque pra mim, até outro dia, as pessoas nasciam assim e nem tem o que pensar", afirmou.

"Você não é o primeiro a pensar que homossexualidade é doença, nem vai ser o último", rebateu Zaquieu, sem acreditar. "Eu entendi que tratei você mal, e prometo que nunca mais farei isso. E eu sei também que estou aprendendo muito com você. Eu sou meio burro. Se nós somos amigos, preciso aprender a te tratar direito", completou Alcides.

Colocar o dedo na ferida

Mesmo que os dois personagens ainda tenham um longo caminho pela frente, é importante que o roteiro de Bruno Luperi tenha abordado o tratamento homofóbico de Alcides e não deixado a história simplesmente morrer. O embate entre os dois personagens mostra o abismo entre um Brasil que ainda não quer bater de frente com questões como homofobia e racismo, e abriu espaço para que a trama sirva de exemplo para falar mais abertamente sobre tais questões.