Após 15 anos, pai de Gilberto do 'BBB21' reaparece e quer contato com filho: "Nunca disse que o amo"

Stefanie Gaspar
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Gilberto Nogueira do 'BBB21'
Gilberto Nogueira do 'BBB21'

Resumo da notícia

  • Ausente há 15 anos, o pai de Gilberto, do 'BBB21', entrou em contato com a ex-família para retomar o relacionamento com o brother

  • A mãe de Gil, Jacira, já havia afirmado que o ex-marido abandonou a família por renegar o tom de pele mais claro do filho

  • Jacira também relatou episódios frequentes de violência doméstica

Na última prova do líder da semana do 'BBB21', Gilberto, ainda com esperanças de ganhar a disputa, afirmou que pediria uma foto do pai caso tivesse acesso ao quarto especial do líder. O brother não tem mais contato com o pai, que saiu de casa quando Gilberto tinha quatro anos após um histórico de violência doméstica contra a família, uso de drogas pesadas e violência psicológica.

O brother ainda não sabe, mas seu pai, também chamado Gilberto, voltou a entrar em contato com a família e afirmou que quer fazer parte da vida do filho. De acordo com o jornal Extra, Gilberto afirmou que tem orgulho do filho e torce por sua vitória. "Tenho muito orgulho de quem ele é quando o vejo pela TV. Meu filho está realizando um sonho, é um batalhador mesmo, estudioso, chegou longe onde ninguém podia imaginar. Só quero poder dar um abraço e dizer que amo ele, nunca pude fazer isso".

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Distante da família há 15 anos, o pai de Gil não falou sobre a violência doméstica contra a então esposa e o filho, nem sobre ter renegado Gil quando ele o convidou para um concurso de modelos do qual iria participar. Na época, o economista ouviu do pai que não iria, já que tinha vergonha do filho. A mãe de Gil, Jacira Santana, afirma que o então marido abandonou a família por não aceitar o tom de pele do filho. "Ele me via apanhando e também sofreu violência psicológica, já que o pai, negro, dizia que ele não era filho dele por causa da cor. O pai dele me acusava de traição e batia em mim", explicou Jacira para o Extra.

Sobre a sexualidade do filho, Gilberto garante que nunca teve nenhum problema: “Eu fiquei surpreso com ele. Mas não tenho preconceito do meu filho ser gay, não. Acho que isso ficou mais na cabeça dele do que na minha”.

A infância de Gil do Vigor

Gil passou por muitas dificuldades e traumas na infância, quando via o pai, então viciado em álcool e drogas, batendo na mãe. As agressões se estendiam a ele, caçula dos três filhos da nordestina Jacira Santana.

"Ele me via apanhando e também sofreu violência psicológica, já que o pai, negro, dizia que ele não era filho dele por causa da cor. O pai dele me acusava de traição e batia em mim", conta a mãe, que se separou do marido quando Gil tinha 4 anos.

Hoje, o brother não tem mais contato com o pai. Foi Jacira quem criou ele e as duas irmãs com o salário de doméstica, auxiliar de cozinha e de serviços gerais, no município de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, onde o BBB nasceu.

"Morávamos de aluguel na época e eu tinha que comprar comida e sustentar a casa. Não tinha dinheiro para roupa. Gilberto só tinha uma calça e uma camisa verde, que ele ganhou e que usava em todos os lugares. Ele foi crescendo, e só usava essa mesma roupa. Na época, chamávamos ele de 'esperança', por conta da cor da camisa e da calça", lembra Jacira, que atualmente está desempregada: "Mas ele nunca chorou pedindo algo. Sempre foi uma criança compreensiva".

Diante de tal realidade, Gilberto foi à luta e conseguiu um primeiro trabalho, aos 15 anos, como auxiliar de garçom, limpando mesas num restaurante da cidade. O serviço era conciliado com os estudos e poucas horas de sono. O dinheiro que ganhava ia todo para as despesas da casa.

"Lembro dele na época me ligando chorando, dizendo que não estava aguentando trabalhar muito e dormir pouco. Aquilo me marcou. Eu dizia para ele: 'trabalho não mata ninguém'. Ele também chora quando lembra", diz a mãe.

Aos 16, Gil ingressou numa corretora de seguros como auxiliar administrativo e as coisas começaram a melhorar. Como não tinha computador em casa, chegava mais cedo no trabalho para estudar para o vestibular. Incentivado pela mãe, passou no curso de Economia na Universidade Federal de Pernambuco, onde hoje faz doutorado.

O foco nos estudos foram, por muitos anos, divididos com a dedicação à igreja. Aos 10, se tornou mórmon e trabalhou por dois anos como missionário, visitando periferias de São Paulo. Ao retornar da missão, decidiu revelar sua homossexualidade publicamente. O assunto, aliás, nunca foi um tabu para dona Jacira, que sempre acolheu o filho.

"Mãe sempre sabe, não é? Não foi surpresa. Gil sempre foi muito respeitado aqui na bairro. Ele só sofreu preconceito mesmo quando criança, adolescente e já adulto por algumas pessoas da igreja que ele frequentava", conta Jacira, acrescentando que o o filho chegou a ter duas noivas e por pouco não se casou: "Ele foi noivo de uma quando foi para a missão e de outra quando retornou. Mas isso não ia dar certo. Hoje, elas estão casadas".

O imóvel onde ele vive com a mãe, um apartamento de dois quartos e 44 m², localizado num condomínio simples na periferia de Janga, a 15 quilômetros da capital pernambucana, foi financiado por 15 anos pelo programa habitacional do governo federal Minha Casa Minha Vida. A família mora no quarto andar, e o prédio não tem elevador. Com R$ 10 mil, a mãe quita o financiamento da casa própria, seu grande sonho. Se ganhar o prêmio de R$ 1,5 milhão do programa, Gil pretende investir o dinheiro para fazer seu PhD nos EUA: "Ele sempre falou que ia melhorar de vida e sempre correu muito atrás. Tenho muito orgulho do meu filho".