Biden chama Trump de 'vergonha nacional' por comportamento em debate

Roberto SCHMIDT con Ariela NAVARRO en Washington
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O presidente dos EUA, Donald Trump, e o candidato Joe Biden, no debate presidencial realizado em Cleveland, em 29 de setembro
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o candidato Joe Biden, no debate presidencial realizado em Cleveland, em 29 de setembro

O candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, chamou nesta quarta-feira (30) de "vergonha nacional" o comportamento do presidente Donald Trump durante o tenso debate exibido pela TV na véspera.

Os dois oponentes retomaram suas campanhas, depois que o encontro de ontem deu mais o que falar pelo caos e constantes interrupções do presidente do que pela discussão sobre políticas públicas.

O caos que reinou por 90 minutos, em que Trump constantemente interrompia seu rival e o contrariava tentando desestabilizá-lo, levou a comissão independente que regula os debates a anunciar medidas para garantir uma discussão mais "ordenada" nos próximos encontros entre o presidente republicano e Biden.

Trump, de 74 anos, partiu para a ofensiva contra seu rival de 77 anos, buscando mudar a dinâmica da campanha e reconquistar espaço nas pesquisas. Há semanas, é Biden que mantém a vantagem.

O democrata resistiu aos ataques e repeliu o apelido do presidente de "Joe, o Dorminhoco". Em certa altura, já irritado, Biden deixou escapar um "vai calar a boca?", mas o presidente continuou.

"O presidente dos Estados Unidos se comportou de uma maneira que considero uma vergonha nacional", disse o candidato democrata na quarta-feira.

O presidente republicano gerou polêmica por sua recusa em condenar os supremacistas brancos durante o debate. "Ok, Proud Boys, recuem e preparem-se", disse ele sobre um grupo de extrema direita fundado em 2016 e vinculado a vários episódios de violência contra manifestantes antirracistas.

- 'A supremacia branca deve ser denunciada' -

Nesta quarta-feira, Trump recuou e pediu às milícias de extrema direita que se retirassem e deixassem "as forças da ordem fazerem seu trabalho". Isso depois de receber um alerta do colega Tim Scott, único senador negro de seu partido, que o pediu para retificar seus comentários.

"A supremacia branca deve ser denunciada", declarou o parlamentar. "Acho que o presidente estava errado e precisa se corrigir."

Os comentaristas chamaram o debate contundente de "filme de terror", "fiasco", ou o "pior debate de todos os tempos". Na verdade, as discussões contundentes entre Trump e Biden - que levaram a insultos - não deixaram muito espaço para ideias.

O democrata se referiu a Trump como um "palhaço", um "fantoche" do presidente russo, Vladimir Putin, e um "mentiroso". Trump respondeu chamando seu rival de "fantoche da esquerda radical".

- 'Dois contra um' -

Apesar dos comentários constantes de Trump contra seu rival sobre o alegado declínio cognitivo e os lapsos demonstrados ao longo das primárias, Biden se saiu bem, visto que muitos previam uma gafe de sua parte.

As interrupções de Trump lhe renderam vários apelos do moderador, o jornalista Chris Wallace, da conservadora rede Fox News. Depois que Wallace pediu que ele respeitasse a vez de Biden de falar, Trump retrucou: "Parece que estou debatendo com você, não com ele."

Nesta quarta-feira, o presidente, que retornou a Washington na mesma noite após o debate, reiterou suas críticas no Twitter. "Não foi uma surpresa que foram dois contra um", escreveu.

Segundo pesquisa da rede CBS após o debate, Biden obteve a preferência de 69% do público. É bom lembrar que, em 2016, Hillary Clinton venceu os três duelos verbais da campanha contra Trump e acabou derrotada no Colégio Eleitoral.

Este resultado não ressoou com os apoiadores de Trump que esperam por ele para um comício em Minnesota. "Não me parece um debate justo, porque Trump não conseguiu desenvolver muitos dos pontos que queria e não teve muito tempo para falar", disse Ally Eid, uma mulher de 29 anos.

Ao contrário de Hillary, Biden tem a vantagem de poder criticar o presidente em exercício e lembrar, a todo o instante, que mais de 200.000 pessoas morreram no país, devido à pandemia da covid-19. "Temos 4% da população mundial e 20% das mortes", atacou o candidato democrata.

Os dois candidatos voltarão a debater em 15 e 22 de outubro, em Miami e Nashville (Tennessee), respectivamente.

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