Aos 65 anos, Claudete Troiano fala da pressão de envelhecer e questiona luta feminina

Foto: Rodolfo Magalhães/TV Aparecida

Engajada com o meio artístico desde a infância, Claudete Troiano acompanhou as mulheres conquistarem voz e espaço na sociedade ao longo de toda a sua trajetória. Ainda assim, questiona o papel feminino na luta contra o machismo e a ditadura da beleza. Sem esquecer da maternidade, muitas vezes romantizada.

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Aos 65 anos e prestes a estrear nas noites da TV Aparecida, a apresentadora afirma que é difícil envelhecer sendo mulher. “A cobrança é grande. As grifes estão colocando mulheres mais velhas como modelos, mas ainda tem muita coisa para mudar”, diz ela, que vê diferença no tratamento dado aos homens de todas as idades.

“Se o homem está com uma barriguinha é porque ele está com uma boa condição financeira, mas se a mulher tem barriga é porque é relaxada. Se o homem tem cabelo branco é charmoso, mas se a mulher tem cabelo branco é desleixada. A cobrança é muito grande”, afirma a artista.

Além dela, quem também já desabafou sobre o assunto foi a apresentadora Xuxa, de 56 anos. Pensando nisso, Claudete pretende abordar o tema em seu novo programa, que estreia no dia 28 de junho. A intenção é mostrar que todo mundo deve se amar da maneira que está.

“Toda idade tem a sua beleza. Vou fazer um desfile somente com mulheres mais velhas no programa. Falo para elas: ‘Se o seu marido olha muito para a capa de uma revista, lembre que teve uma iluminação especial, photoshop, não é tudo real. A gente não pode se sentir um lixo’”, aconselha.

Foto: Rodolfo Magalhães/TV Aparecida

Nada de hábitos saudáveis!

Embora não pareça ter passado dos 60, Claudete não pratica exercícios e confessa ser viciada em refrigerante. Certo dia, a apresentadora caiu nos bastidores da emissora, foi levada ao hospital e descobriu que sua saúde segue 100%, então não viu motivos para deixar o vício no passado.

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“Nunca passei por crise existencial, não medito, nunca fiz terapia. O que gosto é de ler livros de autoajuda, oração. Saio muito pouco. O público também envelheceu. O único problema é encontrar alguém da época do colégio porque fico pensando: ‘Será que também estou acabada assim?’”, diverte-se.

“Chorava, o leite vazava e tinha que apresentar o programa”

Mãe da estilista Marcela Troiano, que trabalha como figurista na TV Aparecida atualmente, a apresentadora afirma que maternidade não é só glamour e diz que as mulheres também sofrem nessa fase.

Ao lembrar da época em que trabalhava na Gazeta e Marcela ainda era um bebê, Claudete se emociona. “Sentia muita culpa. Já imaginou o que é arrancar uma bebê de nove meses do seu colo e entregar para uma pessoa que ela não queria ir? Ia chorando todo dia da minha casa para a Gazeta”, conta ela.

Ione Borges, que apresentava o ‘Mulheres’ com Claudete no período, foi quem ajudou a artista a superar a culpa naquela época. “Colocava colírio, chorava, o leite vazava e tinha que apresentar o programa daquele jeito. A Ione me ajudava muito porque ficava me sentindo uma madrasta e ela conversava comigo”, revela.

Claudete Troiano e Ione Borges na Gazeta (Foto: Reprodução/Gazeta)

Mesmo com o empoderamento feminino em alta, Troiano acredita que as mulheres ainda passam por isso e diz agradecer a Deus por ter sido privilegiada. Ela garante ter consciência de que muitas mães sofrem por não terem dinheiro para pagar pessoas de confiança para cuidarem dos filhos.

“A mulher sofre até hoje. Deixa o filho na escola e sofre, quando o filho está doente é a mulher que falta no trabalho. A mulher tem que justificar até o momento que passa assistindo televisão”, lamenta.

Louca para ter um neto, a artista imagina que terá mais tempo para curtir uma criança em seu momento atual, e revela já ter feito o pedido para a filha algumas vezes. “Sempre me disseram que ser avó é legal. Mas a minha filha sugeriu que adotasse um neto. Nunca vi isso”, conta, aos risos.

Feminista? Até certo ponto

Foto: Rodolfo Magalhães/TV Aparecida

Depois de tanto falar sobre as dificuldades que as mulheres enfrentam, Claudete foi questionada sobre o feminismo, mas disse que se considera “feminista até certo ponto”. Para ela, as mulheres também têm culpa de algumas situações, já que muitas são responsáveis pela educação dos filhos homens e falham ao não transmitirem valores de igualdade.

Acho que um pouco da culpa do machismo é nossa também. A maioria das crianças ainda é educada por mulheres e como é que nós estamos educando? Estamos falhando de algum jeito. Se os meninos crescem de um jeito tão diferente das meninas alguma coisa está errada”, afirma.

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Apaixonada pela leitura, Claudete também se questiona acerca de alguns discursos. Segundo ela, não dá para dizer que existe uma fórmula para a felicidade, como algumas feministas pregam.

“Me pergunto se a minha mãe não foi feliz ficando em casa e cuidado dos filhos dela. Dá para dizer que a mulher é totalmente feliz com uma carreira? Até que ponto foi bom começar a fumar e ter câncer de pulmão como os homens? São coisas para se pensar”, diz a artista.