“Aos 6 anos, minha filha já venceu o câncer duas vezes”

Arden MacPhee, hoje com 6 anos de idade, venceu o câncer duas vezes. (Foto cortesia de Tray Sullivan)

Por Korin Miller

Quando a filha de um ano de idade de Tray Sullivan, Arden MacPhee, ficou estranhamente inquieta em janeiro de 2014, ela pensou que a menina podia estar com uma infecção no ouvido e a levou à pediatra. “Eu achei que levá-la à pediatra em um dia de trabalho era um problema para mim,” disse ela ao Yahoo Lifestyle. “Mas eu não tinha ideia do que estava por vir.”

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A médica examinou os ouvidos de Arden e não encontrou nada, mas continuou examinando o resto do corpo da criança. “Ela estava apalpando o seu corpo e parou no abdômen,” disse Tray. “Ela falou: ‘Tem uma espécie de massa aqui. Eu não entraria em pânico. Vamos descobrir o que está acontecendo’”. A bebê e a mãe foram para o hospital local, onde Arden fez uma ultrassonografia, e ficaram esperando para receber os resultados.

Horas mais tarde, a pediatra da criança entrou na sala. “Ela estava chorando e disse: ‘Eu sinto muito. Arden tem câncer,’” disse Tray.

É difícil recordar exatamente o que aconteceu dali em diante. Tray disse que ficou “100% em choque” e começou a pensar nos planos que precisavam ser feitos. Enquanto a filha foi colocada em uma ambulância com o pai e levada a um hospital especializado, a horas de distância, Tray foi para casa, fez uma mala, e tentou encontrar alguém para cuidar do outro filho do casal, de 3 anos. “Enquanto eu estava dirigindo até o hospital, a ficha caiu: Isso acontece com as pessoas na TV. Essa não pode ser a minha vida,” disse ela.

Arden enfrentou dias e dias de exames e o diagnóstico apontou que ela tinha um tumor de Wilms no rim, o tipo mais comum de câncer renal. A menina iniciou os 11 dias de quimioterapia. “Ela estava animada e não tinha ideia do que estava acontecendo,” disse Tray. “À noite, depois que ela ia dormir, eu passava a madrugada inteira no computador tentando obter mais informações”.

Depois disso, Arden voltou para casa. “Eu não queria ir para casa,” disse a mãe. “Eu não sabia o que fazer. Você recebe uma pasta com informações sobre como ser mãe de uma criança com câncer. Aquilo era esmagador”. O tratamento de Arden incluiu várias rodadas de quimioterapia, uma cirurgia para remover o rim, e mais quimioterapia.

Segundo a mãe, o fato de Arden ter enfrentado a doença quando era um bebê foi mais “fácil”. “Ela vomitava depois do tratamento e queria continuar brincando,” conta ela. “Mas os horários de sono ficaram totalmente bagunçados”. Em uma noite normal, a menina acordava as 3 horas da manhã querendo fazer um lanche e assistir desenho animado. Ela acabava acordando o irmão mais velho, que queria fazer a mesma coisa. “Nossa casa estava funcionando normalmente durante o dia, mas no meio da noite…”

Finalmente, no verão, os médicos disseram que a menina estava livre do câncer. Ela passou por consultas regulares com um oncologista, que se tornaram cada vez mais espaçadas.

Esquerda: Tray Sullivan com o marido, o filho e a filha, Arden MacPhee; Arden segurando um cartaz comemorando estar livre do câncer (direita). (Foto cortesia de Tray Sullivan)

Uma nova batalha

Durante uma consulta de rotina, quatro anos após o diagnóstico original de Arden, a família recebeu outra má notícia: ela estava com câncer novamente, desta vez em seu rim remanescente. “Ela havia tirado o outro rim, então este era um novo câncer,” disse Tray. “Foi como ser atingido por um raio duas vezes”. A notícia foi um choque, já que a família estava planejando uma festa para comemorar a cura de Arden.

Os planos foram cancelados e a menina passou por novos exames. “Desta vez tudo foi extremamente difícil,” conta Tray. Embora Arden seja uma criança “muito corajosa”, agora ela entendia o que estava acontecendo. “Ela perguntava: ‘Por que eu não posso ir para a escola? Por que eu estou doente?’” lembra a mãe. “Ela sabe que muitas crianças morrem por causa do câncer, mas não me perguntou se morreria. Ela estava mais preocupada com coisas como a possibilidade de acordar durante a cirurgia”.

A comunidade na qual Arden mora a ajudou em suas duas batalhas contra a doença, criando campanhas de financiamento coletivo como o Exército de Arden e a Barraca de Limonada da Arden para tentar arrecadar dinheiro para pagar as despesas médicas e fazer doações para pesquisas sobre o câncer infantil.

A menina enfrentou 12 semanas de quimioterapia que, segundo Tray, foram “brutais”. “Ela tinha febre em quase todas as sessões, e nós tínhamos que levá-la correndo ao hospital sempre que isso acontecia. O corpo dela estava definhando. Ela estava muito cansada”.

Tray conta que o câncer estava “no pior lugar possível do rim” e que os médicos “disseram que iam tentar fazer um milagre na cirurgia”. Se o cirurgião de Arden não conseguisse encontrar o câncer, o segundo rim teria que ser removido, ela teria que fazer diálise e esperar por um transplante – no entanto, ela precisaria estar livre do câncer dois anos antes de poder receber um novo órgão.

A cirurgia, que ocorreu em abril de 2018, levou oito horas. “O cirurgião conseguiu remover todo o câncer,” disse a mãe. “Foi a notícia mais maravilhosa do mundo”.

“Ela teve muita dificuldade na recuperação”

Embora a cirurgia tenha sido um sucesso, Arden enfrentou dificuldades durante a recuperação. “Tudo que poderia dar errado depois da cirurgia, deu”. Arden teve uma pneumonia e precisou de transfusões de sangue. Ela sentia uma dor extrema e os medicamentos não ajudavam.”

“Eu me lembro de chorar e pensar: ‘Eu não acredito que a minha filha vai morrer e não vai ser de câncer,’” disse Tray. “Ela estava se deteriorando tão rápido. Ela gritava e chorava o tempo todo por causa da dor. Ela me olhava como se dissesse: ‘Como você deixou que isso acontecesse comigo? Por que você não está fazendo nada?’ Isso foi o mais difícil”.

Finalmente, Arden se recuperou e a dor diminuiu. Ela precisou de mais quimioterapia depois da cirurgia, por mera precaução, e “cada viagem ao hospital era um drama,” disse Tray. “Ela não queria tomar soro, suas veias estavam colapsadas, e eu me sentia como se estivesse torturando a minha filha”.

Apesar de tudo, em julho do ano passado Arden foi considerada curada. Agora, ela é “tão saudável quanto poderia ser,” disse Tray. “Eu acho que ela teve alguns efeitos colaterais psicológicos. Ela tende a ser um pouco dependente, para uma criança de seis anos, mas estas são coisas pequenas com as quais estamos lidando”.

A mãe de Arden diz que se sente “otimista” em relação à saúde da filha no futuro, mas ainda se preocupa. A menina faz exames regularmente para ter certeza de que o câncer não voltou, e estes dias são assustadores. Ainda assim, “eu olho para ela e vejo que é uma menina normal e saudável de 6 anos,” disse a mãe. “Sou muito grata por isso”.

Tray conta que as pessoas sempre dizem que ela é muito forte por passar por tudo isso. “Mas eu não sou forte,” ela diz. “Estou sendo a mãe dela. Você simplesmente precisa fazer isso”.