Aos 25, Little Simz ganha elogios de Jay-Z, Kendrick Lamar e Gorillaz

Little Simz estará no Popload (Foto:REUTERS/Henry Nicholls)

Por Thiago Ney

Little Simz tem apenas 25 anos e pode até ser a artista mais jovem da edição 2019 do Popload Festival, que será realizado nesta sexta-feira (15), em São Paulo, mas esta inglesa filha de nigerianos já conseguiu construir uma carreira não apenas sólida como muito bem-sucedida, tanto que já recebeu elogios de nomes como Jay-Z e Kendrick Lamar, excursionou com Lauryn Hill e fez parcerias com gente como Gorillaz e Michael Kiwanuka.

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Nascida Simbiatu Abisola Abiola Ajikawo, Little Simz começou a botar na rua mixtapes (quatro no total) e EPs (sete) quando tinha 16 anos. O primeiro disco, “A Curious Tale of Trials + Persons” saiu em 2015.

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Parece que, para Little Simz, fazer música é muito fácil. “Sim, na verdade, acho que é!”l, ela diz, soltando uma risada. “Não lanço tudo o que faço, tento ser seletiva. Mas, sim, acho que sou uma pessoa criativa. O mais difícil é não fazer algo repetido, que seja uma cópia do que já fiz. No final das contas, o que importa não é a quantidade, mas a qualidade.”

Talvez essa facilidade em criar música tenha sido semeada pelos pais, que ouviam em casa Fela Kuti (multi-instrumentista nigeriano, um dos criadores do afrobeat, morto em 1997) e funk nigeriano. Na adolescência, no norte de Londres, Simz lembra que “gostava de hip hop dos anos 1990, Fugees, Jay-Z, Nas, Missy Elliott, Ms. Dynamite, Kano”, diz. “A minha mãe adorava o Fela Kuti e música em geral, então sempre estive cercada por sons de diversos tipos.”

A Nigéria, diz Simz, está presente em todos os momentos em sua música, principalmente na maneira com que trata instrumentos de percussão e bateria. E essa base é um dos pontos que fazem os discos de Simz soarem tão fortes e únicos, como “Stillness in Wonderland” (2016), em que e “GREY Area” (2019).

A música de Little Simz passeia basicamente pelo rap, mas dando as mãos para grime, house, funk, breaks. Enquanto “Stillness…” é meio conceitual, com beats elaborados por diversos produtores, “GREY…” é um disco mais cru, direto, enérgico.

“Bem, não sabia que queria fazer esse tipo de mudança até entrar no estúdio. Em ‘Stillness…’, passava dias mexendo nos beats que muita gente me mandava. Neste último eu trabalhei com apenas um produtor, e em vez de beats nós usamos diversos instrumentos. No início até fiquei meio desconfortável, eu não tinha tanto controle, mas funcionou, porque pude me concentrar nas minhas composições, no jeito de cantar.”

Para fazer faixas como “Offence” e “101 FM”, em que sua voz desliza com a potência e a segurança de uma veterana, Little Simz teve o apoio do produtor Inflo. Ele, aliás, foi quem a apresentou ao cantor Michael Kiwanuka –que acaba de lançar “KIwanuka”, disco que já nasce como uma obra-prima e que participa da última faixa de “GREY Area”, “Flowers”.

“Michael é um cara ótimo, o típico ‘londoner’ (nascido em Londres). Cheio de energia, extremamente talentoso. Ele tem uma coisa que lembra o soul old school, mas ao mesmo tempo é bem contemporâneo. Acho que ninguém consegue soar como ele soa.”

No Memorial da América Latina, em São Paulo, dentro do Popload Festival, ela vai se apresentar às 11h55 desta sexta. O evento tem ainda nomes como Patti Smith, The Raconteurs, Hot Chip, Tove Lo, Cansei de Ser Sexy, entre outros. Um line-up de respeito, mas que não assusta alguém que vem colecionando elogios pelo mundo.

“É ótimo ser elogiada, mas não deixo que isso suba à cabeça. Claro que é legal o fato de essas pessoas saberem que eu existo, mas para mim isso talvez faça com que eu tenha que trabalhar ainda mais, porque tem muitos olhos em cima de mim. Não tenho nada a provar para ninguém, mas quero continuar trabalhando duro.”

Para mais informações sobre o Popload Festival: https://www.poploadfestival.com/.