Anvisa 'esquece' de mandar e-mail e reunião emergencial de 'kit intubação' é cancelada

Redação Notícias
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A health worker treats a COVID-19 patient in the ICU ward at the Hospital das Clinicas in Porto Alegre, Brazil, Friday, March 19, 2021. (AP Photo/Jefferson Bernardes)
Porém, de acordo com a coluna da jornalista Mônica Bergamo, o encontro foi cancelado porque a Agência não enviou o e-mail que deveria confirmar horário e convocar os representantes para a reunião (Foto: AP Photo/Jefferson Bernardes)
  • Anvisa teria reunião para discutir a falta de medicamentos para o 'kit intubação' no domingo (21)

  • Encontro não aconteceu porque assistente teria esquecido de apertar o botão 'enviar' no e-mail

  • Reunião foi marcada para terça-feira, 23

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) teria uma reunião de emergência com representantes da Saúde para discutir a falta de medicamentos para intubação de pacientes, que deveria acontecer no último domingo (21). 

Porém, de acordo com a coluna da jornalista Mônica Bergamo, o encontro foi cancelado porque a Agência não enviou o e-mail que deveria confirmar horário e convocar os representantes para a reunião. 

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Segundo a coluna, a conversa foi acertada verbalmente no sábado (20) e participariam diretores da agência, representantes do Ministério da Saúde, da indústria, o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) e o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), que representa os estados.

Os participantes teriam ficado esperando o e-mail de confirmação da reunião, ou mesmo um telefonema. No entanto, segundo o Consasems e o Conass, o comunicado da Anvisa não chegou.

'Não apertou o botão de enviar' e reunião remarcada 

O presidente do Sindusfarma (Sindicato da Indústria Farmacêutica do Estado de São Paulo), Nelson Mussolini, que representa 12 fabricantes de medicamentos, afirmou que um dos diretores da Anvisa disse que estava tudo marcado e culpou uma assistente por não "apertar o botão de enviar". 

Segundo a coluna, a reunião foi remarcada para a terça (23). Enquanto isso, o Brasil vive a maior crise sanitária da história com o abastecimento de medicamentos usados para a intubação de pacientes com Covid-19 em UTIs em níveis críticos. Com o aumento de casos da Covid-19, a demanda pelo “kit intubação” é maior.

Governo diz que compra é responsabilidade dos estados e municípios

Estados e municípios já alertaram que os estoques estão vazios e podem acabar nos próximos dias. No entanto, na manhã desta segunda-feira (22), a Secretaria Especial de Comunicação e o Ministério da Saúde divulgou uma nota se isentando da responsabilidade de compra.

A falta de insumo e aumentos de internações estão sendo registradas em municípios de todo o Brasil (Foto: Photo/Andre Penner)
A falta de insumo e aumentos de internações estão sendo registradas em municípios de todo o Brasil (Foto: Photo/Andre Penner)

“Em relação aos medicamentos do chamado 'kit intubação' (IOT), cuja aquisição é de responsabilidade de Estados, Distrito Federal e municípios, o Ministério da Saúde, em reforço às ações das Unidades da Federação, monitora, de forma inovadora toda a rede SUS, semanalmente, desde setembro de 2020, a disponibilidade em todo território nacional e envia informações da indústria e de distribuidores para que estados possam realizar a requisição”, diz a nota.

Providências imediatas para o 'kit intubação'

Na quinta-feira (18), a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) enviou um ofício ao Ministério da Saúde pedindo "providências imediatas" do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) para suprir a falta de oxigênio e medicamentos para sedação de pacientes com Covid-19 intubados, o chamado "kit intubação".

A falta de insumo e aumentos de internações estão sendo registradas em municípios de todo o Brasil. Dados das secretarias municipais de Saúde mostram que, em vários estados, os estoques públicos de medicamentos para intubação estão em níveis críticos e podem acabar nos próximos 20 dias.

Falta de oxigênio

No domingo (21), o Ministério da Saúde informou que haverá uma operação juntamente com o Ministério da Defesa para atender os dois estados a partir de segunda-feira (22).

O Gabinete Integrado de Acompanhamento da Epidemia Covid-19 (Giac), órgão da PGR (Procuradoria Geral da República) responsável por acompanhar a pandemia, pediu na sexta-feira que a pasta tomasse providência porque a previsão era de desabastecimento do produto na quarta-feira, dia 24. A alta de internações por Covid-19 está provocando aumento da demanda de oxigênio.

De acordo com a resposta enviada ao Giac, serão distribuídos pelo governo 5,4 mil metros cúbicos dia de oxigênio. A entrega será feita inclusive nos fins de semana. O oxigênio será transportando em isotanques embarcados em aeronaves do Ministério da Defesa partindo de Manaus (AM) para os dois estados. O documento enviado ao órgão é assinado pelo assessor especial do Ministério da Saúde, Ridalto Fernandes.

São Paulo negocia oxigênio

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que que a Secretaria Estadual de Saúde está negociando contratos com fabricantes de oxigênio para fornecer o produto no estado e evitar o colapso dos hospitais em meio à explosão no número de internações de pacientes com o novo coronavírus.